segunda-feira, 3 de maio de 2021

Não se reprima! Não se reprima!

Boy band "plus size" chinesa busca inspirar fãs.


Pequim - Reunidos em uma sala, cinco jovens comuns, vestindo suéteres largos, dançam dando tapinhas na barriga e balançam os seus braços nos treinos. Durante a coreografia, eles gritam "Hoo-Ha!" ao som de tambores africanos.

Boy band "plus size" chinesa busca inspirar fãs.
Integrantes da boy band chinesa Produce Pandas. Foto: AP / Mark Schiefelbein.

O ensaio é para a nova canção "Good Belly", da boy band "Produce Pandas". Os integrantes da banda (conhecidos como DING, Cass, Husky, Otter e Mr. 17) pesam em média 100 kg e orgulhosamente se autodenominam como "a primeira boy band plus size da China".

Isso é uma mudança radical para o padrão da indústria do entretenimento atual, comparando com as super bandas sul-coreanas, como o BTS. Geralmente, os rapazes das boy bands sul-coreanas, com integrantes jovens e magros, são chamados na China de "pouca carne fresca".

Parece que a investida está funcionando para a banda Produce Pandas. O grupo alcançou a fama depois de chegar na metade do concurso musical "Youth with You".  O programa é uma competição de talentos patrocinada pela iQiyi, uma das maiores plataformas de vídeos da China.

No Youth with You, nove finalistas são selecionados por meio dos votos dos telespectadores para formar uma nova banda masculina. A temporada do concurso musical leva semanas de avaliações, com apresentações em grupos e eliminações.

"Nós podemos não ter a aparência e o formato padrão de uma boy band, mas esperamos usar o termo 'banda grande' para quebrar os estereótipos estéticos", disse o integrante Cass numa entrevista.

Boy band "plus size" chinesa busca inspirar fãs.
Da esquerda para direita: DING, Cass, Husky, Otter e Mr. 17. Integrantes do Produce Pandas. Foto: AP / Mark Schiefelbein.

Os cinco integrantes, dois dos quais cantavam em bares, são incomuns nas boy bands atuais por suas idades relativamente avançadas, onde comumente a juventude e a energia são idolatradas. A maioria dos seus outros colegas competidores do programa Youth with You começaram a treinar no estilo sul-coreano desde a adolescência, que não parece ser o caso dos integrantes do Produce Pandas.

Enquanto o Produce Pandas empolgava o público e gerava comentários de como um ídolo pop deveria se parecer, algumas provocações também surgiram nas redes sociais.

Os usuários do microblog Weibo da China pegaram um ideograma chinês da palavra panda e eles o compararam com um homônimo também em chinês do nome do filme de terror japonês "Ring". O trocadilho das palavras chinesas sugeria entre os usuários que ver a banda Produce Pandas dançando era algo assustador.

Mr. 17, o dançarino principal da banda, era o finalista mais velho da competição, com 31 anos. Ele havia sido descoberto no aplicativo chinês Douyin, ou Tik Tok, onde ele postava clipes dele dançando de pijamas ou dançando e segurando uma tigela de arroz. Ele se apelidou "17" devido à sua idade favorita. Ex trabalhador de uma empresa petroleira, ele disse que não se sente velho, mas admite que depois dos ensaios de dança fica totalmente esgotado.

Os cinco foram escolhidos entre mais de 300 candidatos pela DMDF Entertainment de Pequim. A empresa queria formar uma banda com integrantes um pouco mais rechonchudos, acessíveis e inspiradores.

O outro integrante, o Husky, que trabalhava com TI, achou que ele se encaixaria perfeitamente bem na proposta porque sempre foi gordinho desde a escola primária  e nunca conseguiu perder peso.

"Costumo malhar num dia e depois descanso três dias seguintes. Então, o resultado disso é que ganho um pouco de peso. Nesse caso, a questão é perder a gordura e não emagrecer de fato", disse Husky.

Seguindo quase o mesmo raciocínio, o integrante Cass diz que a vantagem de estar numa banda como essa é que eles não precisam se abster na hora de comer. 

"Não nos importamos de comer como cavalos. Eu sinto muito pelas bandas de 'pouca carne fresca', cujo membros devem seguir uma dieta para se manterem magros. Eu me sinto ótimo sempre que eles nos olham com inveja enquanto a gente rapa o prato", disse Cass.

O líder da banda, o DING, desistiu de ser modelo plus size quando ouviu falar sobre um teste para uma boy band "tamanho extra GG". Ele disse: "Acho que assim (cantando e dançando) é a maneira mais próxima que eu posso chegar de uma capa de revista."

Os cinco integrantes estão trabalhando em um novo álbum de músicas, com canções como "Pursue your dreams" (Persiga seus sonhos).

"Monte o cavalo e persiga seus sonhos. Não perca tempo", diz a letra da canção.

O vocalista Otter, que sempre idolatrou a boy band sul-coreana Super Junior desde os seus 7 anos, nunca pensou que poderia estar numa banda musical e, o mais importante, estar influenciando outras pessoas.

"Espero que as pessoas se sintam encorajadas ao assistir às nossas apresentações. Se as pessoas pensarem que o Produce Pandas pode quebrar paradigmas e se apresentar do jeito que são num grande palco, então, por que eu não posso?", disse Otter.


Fonte: Japan Today.
 

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domingo, 2 de maio de 2021

Um cargo para lidar com a solidão.

No Japão, o ministro da solidão recebe várias entrevistas da mídia estrangeira.


Tóquio - O ministro, que cuida das questões relacionadas com a solidão da sociedade japonesa, não anda sozinho ultimamente. Atraindo muita atenção da mídia estrangeira, muitos querem saber exatamente o que o seu trabalho implica e se ele terá sucesso na sua missão.

No Japão, o ministro da solidão recebe várias entrevistas da mídia estrangeira.
O ministro da solidão, Tetsushi Sakamoto. Foto: Kotaro Ebara.

Tetsushi Sakamoto, responsável por lidar com problemas de solidão e isolamento, tem recebido vários pedidos de entrevistas desde que assumiu o cargo em fevereiro deste ano.

Em abril, uma equipe da TV sul-coreana e dos Estados Unidos o entrevistaram para saber sobre o seu trabalho. Em março, ele foi entrevistado por repórteres da Rússia e da Espanha. Repórteres da Índia também querem entrevistá-lo.

De acordo com Sakamoto: "Cada país enfrenta problemas relacionados à solidão, mas a gravidade do problema de cada lugar não é igual. Vários países estão interessados em saber como o Japão está tentando resolver a questão."

Um repórter sul-coreano da KBS TV, que entrevistou Sakamoto, disse ao jornal Asahi: "Mortes solitárias se tornaram um problema até mesmo na Coréia do Sul. Então, os esforços japoneses seriam um espelho para o meu país, a Coréia do Sul."

O mesmo repórter acrescentou: "Eu gostaria de saber o que levou o Japão a criar uma pasta ministerial e nomear um ministro para lidar com esse problema."

Jornalistas estrangeiros, com suas próprias questões da problemática de seus países, pediram ao ministro japonês que respondesse várias perguntas sobre a abordagem do Japão para lidar com a solidão e o isolamento das pessoas, tais como: "Por que foi estabelecido o cargo de ministro da solidão?" , "Qual a definição de solidão e isolamento no Japão?" ,  "Qual é o histórico do problema?".

"A questão da morte solitária é realmente séria no Japão. O que pode ser entendido pelo fato de que a palavra japonesa para isso, 'kodokushi', está se tornando uma palavra mundial para a designação do problema. O Japão está sendo observado de perto para saber quais medidas tomará para resolver a questão", disse Junko Okamoto, especialista em problemas de solidão e isolamento.

O governo japonês pretende realizar um levantamento para conhecer a situação atual do país sobre a solidão e o isolamento, cujos resultados serão divulgados até o final de março de 2022.

O primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga nomeou Tetsushi Sakamoto para combater as questões do agravamento da solidão e do isolamento devido à pandemia do coronavírus. Uma seção recém-criada do secretariado do gabinete foi dedicada a esse propósito.

Em 2018, Theresa May, então primeira-ministra da Grã-Bretanha, constituiu, pela primeira vez da história mundial, uma ministra especializada em questões de solidão e isolamento, Tracey Crouch. A ex-primeira-ministra britânica descreveu na época como o mais sério problema de saúde pública enfrentado pela sociedade do seu país.

O Japão é o segundo país do mundo a fazer o mesmo que a Grã-Bretanha fez a 3 anos atrás. Quando Sakamoto foi nomeado em fevereiro, ele apontou medidas já em vigor para reduzir a taxa de suicídios, citando programas para cuidar de idosos que vivem sozinhos e programas para a solução da pobreza infantil. Ele também disse que trabalhará para aqueles que precisam de ajuda adequada do governo.   


Fonte: The Asahi Shimbun.


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