sábado, 15 de maio de 2021

Diga não às Olimpíadas!

Autor da petição online reivindica que a governadora de Tóquio cancele os Jogos Olímpicos.


Tóquio - Nesta sexta-feira, 14 de maio, um advogado japonês fez um pedido ao governo metropolitano de Tóquio para cancelar as Olimpíadas, dizendo que proteger as vidas das pessoas contra o coronavírus deve ser a principal prioridade.

Autor da petição online reivindica que a governadora de Tóquio cancele os Jogos Olímpicos.
Kenji Utsunomiya durante uma entrevista coletiva, após apresentar uma petição pedindo o cancelamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Foto: Kyodo.

O advogado Kenji Utsunomiya é o autor de uma petição online pedindo o cancelamento das Olimpíadas de Tóquio. A campanha online reuniu mais de 350.000 assinaturas. De acordo com Utsunomiya, o Japão e o resto do mundo não estão prontos para realizar os jogos Olímpicos e Paraolímpicos em 2021 devido à crise de saúde global.

"A realização das Olimpíadas deve ser bem recebida por todos, mas isso não é possível na situação atual. Portanto, os jogos devem ser  cancelados", disse Utsunomiya, ex-chefe da Federação Japonesa de Associações de Advogados, durante uma entrevista coletiva e após a entrega do pedido de cancelamento dos jogos para a governadora de Tóquio, Yuriko Koike.

O envio do pedido para a governadora acontece 70 dias antes do início da abertura dos Jogos Olímpicos.

A incerteza paira sobre a realização dos jogos enquanto o Japão luta contra o aumento de infecções  em todas as regiões, causadas por variantes bastante infecciosas do coronavírus.

"O que é mais importante a ser priorizado no momento: vidas humanas ou um evento olímpico?", indaga Utsunomiya, refletindo a respeito do aumento da oposição pública sobre os jogos vista nas últimas semanas.

O advogado disse também que enviou o pedido de cancelamento dos jogos ao Comitê Olímpico Internacional e ao Comitê Paraolímpico Internacional. Ele afirmou que continuará coletando assinaturas até que os jogos sejam cancelados.

"A realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos causaria um movimento massivo de pessoas e certamente colocaria em risco a saúde não só dos japoneses, mas também daqueles que vêm ao país por causa dos jogos", segundo uma parte do texto da petição enviada aos dois comitês olímpicos.

Em uma coletiva de imprensa, a governadora de Tóquio disse que entendeu, a partir de relatos da mídia, que Utsunomiya havia feito o pedido, mas ela não compartilhou seus pensamentos na petição.

Koike disse que diferentes divisões do governo metropolitano da capital estão tentando conter o ressurgimento de infecções da COVID-19, com o objetivo de realizar uma Olimpíada segura e protegida.

"É papel do governo de Tóquio fazer progressos em ambas as frentes e estamos trabalhando nisso todos os dias. É tudo que precisa ser dito", disse Koike.

A petição "Stop Tokyo Olympics"  foi criada na língua japonesa e traduzida para o inglês, francês e alemão. O documento também é dirigido ao primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga e outros chefes de órgãos organizadores.

As redes sociais apoiaram rapidamente o movimento após a petição ser hospedada na plataforma Change.ong. Pessoas de mais 130 países (incluindo Grã-Bretanha, Canadá, Índia, Malásia, Cingapura e Estados Unidos) assinaram o pedido de cancelamento dos Jogos Olímpicos.

A Change.ong disse, há uma semana, que a campanha anti-olímpica é a petição que mais cresce na versão japonesa do site.

Ainda nesta sexta-feira, o ministro olímpico Tamayo Marukawa disse que 45 municípios do Japão desistiram de seus planos em hospedar atletas para os campos de treinamento pré-olímpicos e pessoas de intercâmbios culturais devido a preocupações com a pandemia.

Marukawa também disse, numa entrevista coletiva, que 32 dos 45 municípios que decidiram sair do programa do governo "Cidade Anfitriã" foram notificados por seus possíveis hóspedes de que eles abandonariam seus planos de visita ao Japão.

Entretanto, até o final de abril, um total de 528 municípios havia se registrado para receber atletas de 184 países e regiões, num programa inédito para as Olimpíadas e Paraolimpíadas.

O governo japonês pede que as interações nas comunidades continuem online, e por outros meios também, contribuindo para a manifestação das opiniões da sociedade.


Fonte: The Mainichi.


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sexta-feira, 14 de maio de 2021

Jogo de privilégios.

Prefeitura pede desculpas à população por tentar priorizar a vacina da COVID-19 para empresário.


Aichi - No dia 11 de maio, o governo municipal de Nishio, província de Aichi, se desculpou publicamente ao  priorizar um conhecido empresário e sua esposa na vacinação antecipada contra o coronavírus, tentando burlar regras do programa de imunização. 

Prefeitura pede desculpas à população por tentar priorizar a vacina da COVID-19 para empresário.
Altos funcionários da prefeitura de Nishio pedem desculpas durante uma coletiva de imprensa devido a polêmica envolvendo a priorização de vacinas da COVID-19. Foto: Keizo Fukatsu. 

O vice-prefeito de Nishio, Yoshihide Kondo, disse em uma coletiva de imprensa que tentou "fazer um favor" a Hirozaku Sugiura, 70 anos, e a sua esposa Akiko, 67 anos. O argumento para priorizá-los na vacinação foi que a cidade recebeu várias ajudas em beneficio da sociedade local, vindas a partir do dono da empresa. Sugiura é o fundador e presidente da gigante farmacêutica Sugi Holdings Co., com cerca de 1.400 drogarias espalhadas nas regiões de Tokai e Kansai. A sua esposa é assessora executiva da empresa. O casal fundou a empresa na cidade de Nishio em 1976.

Takaou Yanase, gerente do departamento de saúde e bem-estar da prefeitura de Nishio, é quem administra uma divisão responsável pelo programa de vacinação municipal. De acordo com o gerente, um secretário da Sugi Holdings exigiu várias vezes que a cidade  priorizasse o casal no programa de imunização contra a COVID-19. O secretário fez aproximadamente 3 ligações telefônicas para o pessoal do programa de vacinas.

"Antes disso, recebemos vários telefonemas da empresa também. Eu mesmo atendi três ou quatro ligações a respeito da priorização das vacinas. Continuávamos dizendo não, mas a empresa insistiu persistentemente nas outras ligações", disse Yanase.

No mesmo dia da coletiva de imprensa do governo municipal, 11 de maio, a Sugi Holdings também se pronunciou pedindo desculpas aos moradores de Nishio. Em nota, a empresa disse que o secretário estava preocupado com a esposa do empresário Sugiura porque ela tem uma doença pré-existente. Também foi explicado na nota que o presidente da empresa não pretende ser vacinado porque ele teme uma reação anafilática.

De acordo com o governo municipal, o secretário da  Sugi Holdings entrou em contato com as autoridades da cidade em meados de abril. Ele perguntou por telefone se o senhor Sugiura e sua esposa poderiam ser priorizados na vacinação contra a COVID-19. Segundo a explicação do secretário, o empresário e sua esposa são farmacêuticos e devem ser considerados como profissionais na área de saúde.

Um funcionário municipal rejeitou o pedido. Entretanto, o secretário de Sugiura continuou entrando em contato com a prefeitura.

"Dissemos a Sugiura, desde o início, que esta é uma consideração especial. Para ser honesto, queríamos recusar. Mas isso foi além de um pedido regular", disse Yanase.

Yanase também citou uma outra fala do secretário da Sugi Holdings: "O senhor presidente está ansioso para ser vacinado." 

O vice-prefeito Kondo foi consultado por Yanase para discutir o assunto. O próprio vice-prefeito se lembra de ter dito: "Você consegue resolver isso?"

Kondo admitiu que instruiu a secretaria de saúde a garantir que o casal de empresários recebesse a prioridade nas reservas de vacinas.

Uma reserva provisórias foi feita para Sugiura e sua esposa para o dia 10 de maio, o primeiro dia da vacinação para os idosos da cidade de Nishio. O casal deveria telefonar para a divisão do programa de vacinas com o intuito de completar a reserva.

No entanto, Kondo disse que a reserva foi cancelada no mesmo dia 10 de maio, após uma pessoa apontar problemas éticos com o acordo do programa de vacinação.

"Peço desculpas aos residentes de Nishio por ignorar a imparcialidade em termos de manuseio de uma vacina tão importante no combate à pandemia", disse o vice-prefeito Kondo.

Segundo o vice-prefeito, para amenizar a polêmica que a Sugi Holdings se envolveu, ele apontou os pontos positivos da empresa em prol do município. Citou a empresa como a responsável no fornecimento de uma academia para idosos na cidade e a assinatura de um acordo de parceria da Sugi Holdings com o governo municipal para apoiar vários projetos sociais.

Durante a coletiva de imprensa, o vice-prefeito foi indagado se renunciaria ao cargo e ele simplesmente disse: "Quero consultar o prefeito de Nishio sobre o meu próximo curso da ação no governo municipal."

O vice-prefeito Kondo afirmou que nunca consultou o prefeito da cidade, Ken Nakamura, sobre a questão da priorização das vacinas para o empresário Hirozaku Sugiura.

O prefeito Nakamura disse na coletiva: "No momento, queremos descobrir a verdade e implementar medidas preventivas com força total. As advertências necessárias serão vistas depois."

Nikkey ON!: Isso foi só uma tentativa de "dar um jeitinho" e aconteceu toda essa polêmica com o governo municipal de Nishio. Agora, o que tem de gente em várias partes do mundo tomando o lugar dos outros para ser vacinados antecipadamente contra a COVID-19...  E, no final, acaba ficando por isso mesmo...


Fonte: The Asahi Shimbun.


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