domingo, 16 de maio de 2021

A linha de sucessão imperial do Japão.

Os herdeiros do império: a luta da monarquia japonesa com a iminente crise de sucessão ao trono.


Tóquio - De acordo com o Wikipédia, " a atual linha de sucessão ao Trono do Crisântemo é baseada na Lei da Casa Imperial Japonesa. Atualmente, apenas os homens têm permissão para suceder ao trono do Japão. A Lei da Casa Imperial de1889 foi a primeira lei japonesa a regular a sucessão imperial. Em 1947, a lei de 1889 foi revogada e substituída pela Lei de Sucessão Imperial de 1947 que implementou o princípio da primogenitura agnática (parentesco do mesmo sangue). Em todas as instâncias,  a sucessão dá preferência do homem mais velho para o mais novo."

Os herdeiros do império: a luta da monarquia japonesa com a iminente crise de sucessão ao trono.
A linhagem da família imperial japonesa e seus herdeiros ao trono. Foto: The Celebritist / Youtube.

Baseado na Lei de Sucessão Imperial onde a herança de toda riqueza, estado ou função de uma nação passa de pai para o filho mais velho, observa-se uma preocupação do Japão com o futuro sucessório da família imperial.  A linha de sucessão monárquica japonesa está cada vez mais reduzida e há mais princesas do que príncipes herdeiros dentro da hierarquia.

Um painel de especialistas do governo iniciou uma discussão sobre como lidar com a escassez de herdeiros. Uma pesquisa de âmbito nacional feita em 2018, mostrou que quatro em cada cinco pessoas do país são favoráveis com a ideia de que princesas herdeiras possam assumir o trono imperial japonês.

Resolver a crise de sucessão ganhou maior urgência devido à escassez de homens na monarquia mais antiga do mundo. Em 2019, o imperador Akihito, depois de 30 anos no poder, abdicou ao trono por motivos de saúde.

O atual imperador Naruhito, que sucedeu seu pai, o ex-imperador Akihito, tem apenas uma filha, a princesa Aiko, atualmente com 19 anos. Se Aiko casar-se com um plebeu, terá que deixar a família imperial e se tornar uma cidadã comum. Dessa forma, ela não poderá se tornar uma imperatriz no futuro e nem seus descendentes terão o direito a linha de sucessão imperial. Isso se antes não houver uma mudança na lei.

Diante disso, seguindo a ordem de linha de sucessão imperial, existe apenas dois príncipes herdeiros com direito ao trono: o irmão do imperador Naruhito, o príncipe Fumihito (ou príncipe Akishino) de 55 anos; e o sobrinho do imperador, filho mais novo do príncipe Fumihito, o príncipe Hisahito de 14 anos. Existe também uma terceira possibilidade, mas pouco provável, do príncipe Hitachi (Masahito) assumir o trono imperial. O príncipe Hitachi, de 85 anos, é o irmão mais novo do ex-imperador Akihito e tio do imperador Naruhito.

Recentemente, a polêmica causada em torno do casamento da princesa Mako com um plebeu, a filha mais velha do príncipe Fumihito, aumentou a pressão para repensar na proibição de mulheres em se tornarem imperatrizes reinantes.

Mas as mudanças na lei de sucessão do país são bem improváveis, embora apenas sete membros mais jovens da família imperial têm menos de 40 anos, sendo que seis membros são formados por princesas.

De acordo com o jornal Mainichi, já se abriram divisões dentro do painel do governo japonês que alertou que se mulheres continuassem a deixar a corte, se casando com plebeus, a casa imperial não poderia manter nenhum outro membro da mesma geração do "príncipe Hisahito". 

Em 2005, a então princesa Nori, filha mais nova do ex-imperador Akihito e irmã do imperador Naruhito, se casou com um japonês plebeu e renunciou seu título de nobreza. Com o casamento, a ex-princesa passou a ter um sobrenome (os membros da corte imperial japonesa não possuem sobrenomes) e passou a se chamar Sayako Kuroda. De acordo com a Lei de Sucessão Imperial de 1947, a princesa Nori deixou de receber o auxílio monetário imperial com o seu casamento, mas recebeu um dote de mais de US$ 1 milhão para se tornar esposa de um plebeu.

A respeito da iminente crise de sucessão imperial japonesa, o primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, disse aos membros do painel do governo que eles estavam lidando com uma questão que "vai muito além da própria fundação deste país". Os especialistas no assunto disseram que o atual primeiro-ministro tem "pouco apetite" para confrontar os conservadores do seu partido, que insistem em manter uma política patrilinear. 

Sendo assim como dizem, por mais que se discuta o tema no país sobre as mulheres com direito de serem imperatrizes reinantes ou não, a lei de sucessão ao trono do império japonês continuará do jeito que está, seguindo a tradição antiga e conservadora da monarquia.


Fontes: News on Japan / Wikipédia.


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sábado, 15 de maio de 2021

Diga não às Olimpíadas!

Autor da petição online reivindica que a governadora de Tóquio cancele os Jogos Olímpicos.


Tóquio - Nesta sexta-feira, 14 de maio, um advogado japonês fez um pedido ao governo metropolitano de Tóquio para cancelar as Olimpíadas, dizendo que proteger as vidas das pessoas contra o coronavírus deve ser a principal prioridade.

Autor da petição online reivindica que a governadora de Tóquio cancele os Jogos Olímpicos.
Kenji Utsunomiya durante uma entrevista coletiva, após apresentar uma petição pedindo o cancelamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Foto: Kyodo.

O advogado Kenji Utsunomiya é o autor de uma petição online pedindo o cancelamento das Olimpíadas de Tóquio. A campanha online reuniu mais de 350.000 assinaturas. De acordo com Utsunomiya, o Japão e o resto do mundo não estão prontos para realizar os jogos Olímpicos e Paraolímpicos em 2021 devido à crise de saúde global.

"A realização das Olimpíadas deve ser bem recebida por todos, mas isso não é possível na situação atual. Portanto, os jogos devem ser  cancelados", disse Utsunomiya, ex-chefe da Federação Japonesa de Associações de Advogados, durante uma entrevista coletiva e após a entrega do pedido de cancelamento dos jogos para a governadora de Tóquio, Yuriko Koike.

O envio do pedido para a governadora acontece 70 dias antes do início da abertura dos Jogos Olímpicos.

A incerteza paira sobre a realização dos jogos enquanto o Japão luta contra o aumento de infecções  em todas as regiões, causadas por variantes bastante infecciosas do coronavírus.

"O que é mais importante a ser priorizado no momento: vidas humanas ou um evento olímpico?", indaga Utsunomiya, refletindo a respeito do aumento da oposição pública sobre os jogos vista nas últimas semanas.

O advogado disse também que enviou o pedido de cancelamento dos jogos ao Comitê Olímpico Internacional e ao Comitê Paraolímpico Internacional. Ele afirmou que continuará coletando assinaturas até que os jogos sejam cancelados.

"A realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos causaria um movimento massivo de pessoas e certamente colocaria em risco a saúde não só dos japoneses, mas também daqueles que vêm ao país por causa dos jogos", segundo uma parte do texto da petição enviada aos dois comitês olímpicos.

Em uma coletiva de imprensa, a governadora de Tóquio disse que entendeu, a partir de relatos da mídia, que Utsunomiya havia feito o pedido, mas ela não compartilhou seus pensamentos na petição.

Koike disse que diferentes divisões do governo metropolitano da capital estão tentando conter o ressurgimento de infecções da COVID-19, com o objetivo de realizar uma Olimpíada segura e protegida.

"É papel do governo de Tóquio fazer progressos em ambas as frentes e estamos trabalhando nisso todos os dias. É tudo que precisa ser dito", disse Koike.

A petição "Stop Tokyo Olympics"  foi criada na língua japonesa e traduzida para o inglês, francês e alemão. O documento também é dirigido ao primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga e outros chefes de órgãos organizadores.

As redes sociais apoiaram rapidamente o movimento após a petição ser hospedada na plataforma Change.ong. Pessoas de mais 130 países (incluindo Grã-Bretanha, Canadá, Índia, Malásia, Cingapura e Estados Unidos) assinaram o pedido de cancelamento dos Jogos Olímpicos.

A Change.ong disse, há uma semana, que a campanha anti-olímpica é a petição que mais cresce na versão japonesa do site.

Ainda nesta sexta-feira, o ministro olímpico Tamayo Marukawa disse que 45 municípios do Japão desistiram de seus planos em hospedar atletas para os campos de treinamento pré-olímpicos e pessoas de intercâmbios culturais devido a preocupações com a pandemia.

Marukawa também disse, numa entrevista coletiva, que 32 dos 45 municípios que decidiram sair do programa do governo "Cidade Anfitriã" foram notificados por seus possíveis hóspedes de que eles abandonariam seus planos de visita ao Japão.

Entretanto, até o final de abril, um total de 528 municípios havia se registrado para receber atletas de 184 países e regiões, num programa inédito para as Olimpíadas e Paraolimpíadas.

O governo japonês pede que as interações nas comunidades continuem online, e por outros meios também, contribuindo para a manifestação das opiniões da sociedade.


Fonte: The Mainichi.


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