terça-feira, 25 de maio de 2021

Apressar a imunização contra a COVID-19.

Centros de vacinação em massa são abertos em Tóquio e Osaka.


Tóquio - Nesta segunda-feira, 24 de maio, foi aberto os centros estatais de vacinação em massa contra o coronavírus na região de Tóquio e Osaka. O Japão está tentando acelerar o seu programa nacional de imunização, muito atrasado se comparado aos outros países desenvolvidos e faltando apenas dois meses para o início dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Centros de vacinação em massa são abertos em Tóquio e Osaka.
Centro de vacinação em massa de Tóquio: a abertura iniciou nesta segunda-feira, 24 de maio. Foto: Carl Court / Pool via AP.

Os centros de vacinação, administrados por médicos e enfermeiras das Forças de Autodefesa do Japão, funcionarão por três meses, das 8h às 20h, incluindo fins de semana e feriados nacionais. Os novos locais utilizarão as vacinas desenvolvidas pela empresa americana Moderna Inc. O governo japonês aprovou a vacina da Moderna na última sexta-feira, 21 de maio, para acelerar a imunização da população no país.

O Japão espera que os novos locais ajudem a cumprir, até o final de julho, a meta de vacinação de pessoas com 65 anos ou mais. Através dos novos locais de vacinação, a meta é vacinar até 10.000 pessoas por dia em Tóquio e 5.000 pessoas em Osaka.

Tóquio e Osaka estão em estado de emergência desde o final de abril deste ano, após serem atingidas pelo ressurgimento de uma nova onda de infecções por COVID-19.

O governador de Osaka, Hirofumi Yoshimura, disse aos repórteres que é necessário solicitar ao governo central do Japão a extensão do estado de emergência na região, que termina no dia 31 de maio. A extensão ou não, será decidido nesta terça-feira, 25 de maio.

Idosos que moram em Tóquio e nas províncias vizinhas (Saitama, Kanagawa e Chiba) são elegíveis para a vacinação nos novos centros administrados pelo estado, desde que não tenham recebido nenhuma dose da vacina contra a COVID-19. A mesma regra serve para os idosos que moram em Osaka e nas províncias vizinhas de Kyoto e Hyogo.

Em um prédio do governo no distrito comercial de Otemachi, em Tóquio, de 30 a 40 idosos começaram a se reunir por volta das 7h30 desta segunda-feira para a vacinação.

"A vacina não doeu e foi rápido", disse uma mulher de 66 anos moradora do bairro Suginami, Tóquio. A mulher explicou que decidiu ser vacinada agora porque não queria esperar até o final de junho, onde, inicialmente, estava agendada a sua primeira vacinação contra o coronavírus.

No Centro de Convenções Internacionais de Osaka,  Tadashi Deguchi, 69 anos, disse que decidiu ser vacinado agora porque se cansou com o estresse do dia a dia provocado pela pandemia.

"Estou preocupado com os efeitos colaterais da vacina, mas não posso deixar de tomar. Recebi a injeção como se estivesse tomando uma vacina contra a influenza", disse Deguchi.

As vagas para a vacinação em Tóquio (49.000 vacinas disponíveis) e em Osaka (24.500 vacinas disponíveis) foram rapidamente preenchidas depois que o Ministério de Defesa do Japão iniciou o agendamento das reservas no dia 17 de maio. As reservas podiam ser agendadas no site do ministério ou no aplicativo de mensagens Line.

Para aqueles que moram em outras regiões do interior de Tóquio e Osaka, as reservas online de idosos começaram nesta segunda-feira, 24 de maio, e com prazo até o dia 6 de junho. Só que, em Osaka por exemplo, as 35.000 reservas de vacinação para quem mora em outras regiões da província se esgotou em 30 minutos, após o processo ter iniciado às 13h desta segunda-feira.

"O governo continuará se empenhando para que o maior número possível de pessoas possa ser vacinado o mais rápido possível", disse o secretário chefe de gabinete do governo, Katsunobu Kato, numa coletiva de imprensa.

Alguns governos locais planejaram separadamente os seus próprios grandes centros de vacinação para idosos. As províncias de Aichi, Gunma e Miyagi abriram as suas instalações nesta segunda-feira, com o objetivo de imunizar diariamente até 3.000, 1.000 e 2.100 pessoas, respectivamente.

Os estádios de beisebol também estão sendo considerados possíveis locais de vacinação. No último domingo, o proprietário do time Yomiuri Giants, Toshikazu Yamaguchi, informou ao primeiro-ministro Yoshihide Suga  sobre os planos de usar o estádio Tokyo Dome como local de vacinação a partir de agosto. Já o governador de Aichi, Hideaki Omura, disse na segunda-feira que pode aceitar a proposta de uso do estádio Vantelin Dome Nagoya como centro de vacinação.

Mesmo que os centros de vacinação em massa de Tóquio e de Osaka operem na capacidade máxima durante os três meses programados de imunização, as pessoas que irão receber as duas doses da vacina, corresponderão apenas 10% da população idosa totalmente vacinada no país.

Nikkey ON!: Esperar e ver no que vai rolar no Japão até o dia 23 de julho, data da abertura das Olímpiadas de Tóquio.



Fonte: Japan Today.



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segunda-feira, 24 de maio de 2021

Imagens do passado perdidas na Austrália.

Projeto australiano organiza várias fotos antigas do Japão e promove uma busca pelos seus donos.

Sidney - Em 2015, a artista nipo-australiana Mayu Kanamori encontrou centenas de fotos antigas do Japão em uma feira do rolo na Austrália. No primeiro momento que ela viu todas aquelas fotos em preto e branco, a artista sentiu-se atraídas por elas e, ao mesmo tempo, levantou algumas dúvidas a respeito desse mistério.

Projeto australiano organiza várias fotos antigas do Japão e promove uma busca pelos seus donos.
Foto digitalizada por Mayu Kanamori, datada em 8 de agosto (sem o ano). Foto: Untitled.Showa

Mas como essas fotos do Japão vieram parar na Austrália? E por que elas estavam à venda num mercado de rua?

Conversando com o vendedor, tudo o que ele conseguiu dizer a ela foi que as fotos vieram do espólio de um falecido de Geelong , uma cidade a pouco mais de uma hora a sudoeste de Melbourne.

Olhando as fotos em detalhe, a maioria delas tiradas entre 1930 e 1960, Kanamori viu os mesmos rostos aparecendo continuamente, a medida que vasculhava mais e mais os retratos antigos. Logo a artista concluiu que as fotos faziam parte de um álbum de família.

"Todas as fotos estavam agrupadas em sacolas diferentes e seriam vendidas separadamente. Quando percebi que as pessoas retratadas em todas aquelas fotos faziam parte de um mesmo álbum, decidi comprar todo o lote de fotografias. Tive um pressentimento de que não deveria separar todas aquelas pessoas retratadas, pois elas formavam uma família", disse Kanamori.

Sentindo que as fotos poderiam ser importantes para alguém que as procurava, Kanamori manteve as imagens guardadas consigo até 2020. Quando esteve reclusa em sua casa por causa da pandemia do coronavírus, ela decidiu iniciar o processo de digitalização de todas as 300 fotos antigas do Japão.

Desde então, a artista lançou um projeto bilíngue chamado Untitled.Showa. O objetivo do projeto é fazer com que qualquer pessoa do mundo possa checar as antigas imagens do Japão publicadas na internet e buscar pistas para que as fotos voltem para os seus verdadeiros donos.

Chie Muraoka, web designer da Austrália e conhecida de Kanamori, ajudou a artista a abrir o portal Untitled.Showa em agosto do ano passado.

O projeto já conseguiu reunir algumas pistas. Pelos comentários obtidos na internet, tudo leva a crer que as fotos foram tiradas na região de Kansai e, precisamente, na cidade de Kyoto. 

"Muitas fotos parecem ser tiradas nos estúdios cinematográficos da Daiei Kyoto. Há especulação de que as fotos possam ter atores japoneses posando para um fotógrafo. Talvez, os donos das fotos eram pessoas que trabalharam nos bastidores dos estúdios Daiei Kyoto e não parecem que foram estrelas de cinema", teoriza Kanamori.

Projeto australiano organiza várias fotos antigas do Japão e promove uma busca pelos seus donos.
Foto sem data, digitalizada por Mayu Kanomori. Imagem provavelmente tirada nos estúdios Daiei em Kyoto. Foto: Untitled.Snowa.

Para ajudar a conscientização do projeto, a Untitled.Showa está realizando exposições na Austrália e no Japão, que permitirá aos interessados ver pôsteres de algumas fotos com códigos QR, vinculando-os ao catálogo completo de imagens.

Kanomori espera que o projeto facilite a comunicação entre os jovens japoneses e suas gerações mais velhas. E, também, incentive  um aumento das relações entre o Japão e a Austrália, mesmo neste momento difícil em que as pessoas não conseguem viajar para o exterior.

Projeto australiano organiza várias fotos antigas do Japão e promove uma busca pelos seus donos.
Mayu Kanomori. Foto: Cortesia para Kyodo.

"A digitalização de fotos, para certas pessoas, é uma ótima maneira de ver o passado. No entanto, você precisa conversar com o seu avô e sua avó para descobrir se eles são capazes de reconhecer alguém retratado nas imagens antigas", explica Kanomori.

Enfim, o objetivo final da artista é devolver as fotos para os seus donos no Japão.

"Seria ótimo ver alguém revendo todas essas fotos antigas de família. Especialmente as crianças retratadas nas fotos. Hoje, elas seriam um pouco mais velhas do que eu. Depois de tanto tempo olhando essas imagens, sinto-me como se as conhecesse. Sinto-me como se aquelas pessoas das fotos fossem a minha própria família", acrescenta Kanomori, hoje com 58 anos.


Fonte: Kyodo News.


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