segunda-feira, 18 de abril de 2022

Um "quase refugiado".

Japão considera a criação de um novo status de permissão de entrada para pessoas que fogem de seu país de origem.


Niigata - Neste sábado, 16 de abril, o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, informou que o governo está estudando a criação de uma nova categoria de permissão de entrada temporária para refugiados no Japão.

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Japão considera a criação de um novo status de permissão de entrada para pessoas que fogem de seu país de origem.
Refugiados da Ucrânia chegam ao Japão pelo aeroporto de Haneda, em Tóquio. Foto: AP.

"O Ministério da Justiça do Japão está considerando um sistema para aceitar pessoas do exterior com um status de entrada equivalente à categoria de refugiados, do ponto de vista humanitário, mesmo que não se enquadre na convenção de refugiados de 1951", disse Kishida em uma reunião na cidade de Niigata.

O primeiro-ministro enfatizou que o novo sistema não discriminaria certos países (talvez ele se referiu aos países que o Japão não possui relações diplomáticas e/ou impôs sanções econômicas). Ele acrescentou que o Japão se esforçará para fazer o seu trabalho de acordo com a convenção sobre o estatuto dos refugiados.

De acordo com a convenção da Organização das Nações Unidas (ONU), um refugiado é uma pessoa que não pode retornar ao seu país ou não quer fazê-lo por causa de um grande temor de ser perseguido pelos seguintes motivos: raça, religião, nacionalidade, integrado a um grupo social e opinião política.

Pessoas que fogem de conflitos, como a guerra civil em Mianmar ou a retomada do poder da Al-Qaeda no Afeganistão, há muito tempo encontram um caminho estreito para obter status de refugiados no Japão. O governo japonês tradicionalmente reconhece apenas cerca de 1% dos pedidos dos refugiados, atraindo críticas de organizações de direitos humanos.

Recentemente, o Japão aceitou mais de 500 evacuados que fugiram da guerra na Ucrânia, desde o final do mês de fevereiro.


Fonte: Japan Today.


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domingo, 17 de abril de 2022

Do ucraniano para o japonês.

Empresa doa vários aparelhos de tradução simultânea para ajudar os refugiados no Japão.


Tóquio - Tenta imaginar a seguinte situação: uma pessoa recomeçando sua vida em outro país onde ela não tem nenhum conhecimento da língua local. Além disso, estando sozinha e sem ninguém para ajudar na tradução, ela tem que se virar para resolver os problemas simples do novo cotidiano. Complicado, não é mesmo?

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Empresa doa vários aparelhos de tradução simultânea para ajudar os refugiados no Japão.
Noriyuki Matsuda (esquerda), presidente da Pocketalk Corporation, entrega um dos aparelhos, de tradução simultânea de sua empresa, ao embaixador ucraniano do Japão, Sergiy Korsunsky. Foto: Kyodo News.

Pensando nisso, uma empresa japonesa doou, para a Embaixada da Ucrânia no Japão, 1.000 dispositivos eletrônicos de tradução simultânea, com a finalidade de ajudar os refugiados ucranianos que não dominam a língua japonesa.

A empresa Pocketalk Corporation, com sede em Tóquio, teve a iniciativa de doar os aparelhos no mês passado. O presidente da empresa, Noriyuki Matsuda, afirmou o seguinte: "Nossa missão é eliminar as barreiras linguísticas. Espero que os tradutores eletrônicos possam ajudar os refugiados ucranianos que estão recomeçando suas vidas no Japão".

O Pocketalk é um pequeno aparelho portátil (semelhante a um smartphone) que oferece uma tradução fácil e de forma instantânea. O usuário simplesmente aperta um botão no aparelho enquanto fala e a tradução é feita rapidamente no idioma escolhido na tela. O dispositivo também reproduz a tradução de uma frase.

Disponível em 70 idiomas, incluindo o ucraniano, o aparelho também pode processar outros 12 idiomas para os quais não possui funcionalidade de saída de voz. O total de unidades comercializadas, em todo mundo, já superou 900.000 tradutores, desde o lançamento do Pocketalk em 2017.

Durante a sua visita ao Japão em 2019, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, participou de um almoço organizado pela Associação Japonesa da Nova Economia, na qual o presidente da Pocketalk também estava lá. A conexão que teve com Zelenskyy durante o evento, fez com que Matsuda começasse a pensar numa forma de ajudar os ucranianos que estão fugindo da guerra.

"A maioria dos refugiados ucranianos não entende japonês. Eles ficaram agradecidos quando receberam os aparelhos", disse um funcionário da Embaixada da Ucrânia em Tóquio. Cerca de 100 tradutores eletrônicos já foram distribuídos diretamente em mãos ou enviados via correio para os refugiados no Japão.

Matsuda afirmou o seguinte: "Sempre trabalhamos para garantir que o nosso produto possa ser usado com o maior número possível de idiomas. É bom que também tenha suporte para a língua ucraniana". 

A empresa de Matsuda já distribuiu mais de 300 aparelhos Pocketalk para os refugiados ucranianos na Polônia, em uma cidade perto da fronteira com a Ucrânia.

De acordo com os dados da empresa Pocketalk, os casos de usuários que optaram por traduzir do ucraniano para outros idiomas aumentaram cinco vezes mais no final do mês de março, se comparado com o mês de janeiro deste ano. Provavelmente, muitos ucranianos começaram a usar o Pocketalk em outros países onde estão como refugiados.

Atualmente, o Japão tem mais de 500 refugiados vindos da Ucrânia. Se a guerra estender por mais tempo, esse número pode aumentar ainda mais.

Sobre seu produto, o presidente Matsuda disse: "Tenho certeza que os tradutores serão muito úteis para os ucranianos poderem compreender os processos administrativos em escritórios do governo local ou abrir uma conta bancária no Japão. Espero que os aparelhos também possam ajudar os refugiados a fazer novas amizades com os japoneses. Dessa forma, novos amigos poderão aliviar a solidão daqueles que estão separados de sua terra natal".


Fonte: Kyodo News.


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