domingo, 30 de outubro de 2022

Tragédia na Coréia do Sul.

Várias pessoas morrem, durante um tumulto no Halloween de Itaewon.


Seul - Na noite de sábado, 29 de outubro, dezenas de milhares de pessoas se reuniram no bairro de Itaewon, região central de Seul (Coréia do Sul), para as festividades do Halloween 2022. O que ninguém imaginava, fatalmente aconteceu: mais de 100 pessoas morreram e outras dezenas ficaram gravemente feridas, depois que uma enorme multidão se aglomerou, espremendo as pessoas (umas contra as outras), nas apertadas ruas do local da tragédia.

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Várias pessoas morrem, durante um tumulto no Halloween de Itaewon.
A multidão fica aglomerada na apertada rua do bairro Itaewon (foto da esquerda), durante a celebração do Halloween 2022 em Seul, Coréia do Sul. Depois do incidente, várias pessoas tentavam ajudar as vítimas do tumulto (foto da direita). Foto: UOL Notícias. 

Testemunhas disseram que as ruas de Itaewon estavam tão cheias de pessoas, na noite de ontem, que era impossível se locomover. As equipes de emergência e ambulâncias tiveram problemas para chegar até o local, porque o trânsito estava congestionado na região.

Autoridades de Seul acreditam que o número de mortos pode crescer. Até agora, 153 pessoas morreram, 82 pessoas ficaram feridas, sendo que entre os feridos, 19 delas estão em estado grave nos hospitais da cidade. A maioria das vítimas são adolescentes e jovens de 20 anos.

Estima-se que, no sábado, 100.000 pessoas se reuniram em Itaewon, para as maiores festividades de Halloween ao ar livre do país. Depois do fim das restrições no combate da COVID-19, esta foi a primeira grande chance de sair e festejar nas ruas pelos sul-coreanos.

Não ficou muito claro, para as autoridades, o que levou a multidão a invadir uma estreita rua em declive de Itaewon, próximo do Hamilton Hotel. O local é um famoso ponto de festas em Seul. Um sobrevivente disse que muitas pessoas começaram a cair umas sobre as outras (criando um efeito dominó), depois de um enorme empurra-empurra se formar no meio do povo. Ele também disse que ficou prensado entre as pessoas, por cerca de uma hora e meia, antes de ser resgatado. Muitas pessoas gritavam "Ajude-me!" e outras estavam sentindo falta de ar com o tumulto generalizado.

"Isso é realmente devastador. Uma tragédia como essa não deveria acontecer no coração de Seul, em meio às comemorações do Halloween. Sinto o coração pesado e não consigo conter minha tristeza, como presidente responsável pela vida e segurança das pessoas", comentou o presidente da Coréia do Sul, Yoon Suk Yeol.   

Um outro sobrevivente, chamado Hwang Min-hyeok, disse que foi chocante ver fileiras de corpos das vítimas pelo chão, perto do Hamilton Hotel. Ele disse que as equipes de emergência ficaram inicialmente com trabalhos sobrecarregados, deixando alguns voluntários lutando para aplicar a RCP (reanimação cardiopulmonar) aos feridos nas ruas. "As pessoas choravam ao lado dos corpos de seus amigos", disse Hwang.

Este foi um dos incidentes mais trágicos da história da Coréia do Sul. Anteriormente, em abril de 2014, cerca de 304 pessoas, a maioria estudantes sul-coreanos do ensino médio, morreram em um naufrágio de um navio ferry em alto mar. 

Provavelmente, as mortes de sábado irão atrair discussões da população, sobre o que as autoridades do governo sul-coreano fizeram para melhorar os padrões de segurança pública, desde o desastre marítimo de 2014.


Fonte: The Asahi Shimbun.


** Veja o vídeo abaixo, sobre o incidente do Halloween em Itaewon, na Coréia do Sul.



*** Se o vídeo não abrir na página do blog, o link é este abaixo:


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O lado sombrio da Copa do Mundo.

Antes do início da Copa 2022, milhares de trabalhadores estão sendo despejados da capital do Catar.


Doha - O Catar é um pequeno país peninsular árabe, onde a maioria de sua população é composta por trabalhadores braçais de outros países. Com o início da Copa do Mundo do Catar, previsto para o fim de novembro, autoridades do país decidiram desalojar milhares de trabalhadores estrangeiros de suas moradias, no centro da capital Doha. E aí começa a maior polêmica do país anfitrião.

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Antes do início da Copa 2022, milhares de trabalhadores estão sendo despejados da capital do Catar.
Trabalhadores estrangeiros, vindos do Paquistão e Bangladesh, em frente às obras do estádio Lusail, no Catar. Foto: Tiago Leme.

As residências, desocupadas pelos trabalhadores, serão usadas para hospedar os turistas, que estarão visitando o país para o famoso campeonato mundial de futebol. 

Os desalojados disseram que mais de uma dúzia de prédios foram evacuadas e fechadas pelas autoridades. Muitos desses estrangeiros, compostos principalmente por asiáticos e africanos, foram forçados a procurar um novo abrigo. Os que não conseguiram arranjar outro lugar, acabaram dormindo na rua, próximo do prédio onde moravam.

A medida, usada pelas autoridades de Doha, ocorreu menos de quatro semanas antes do início do Mundial da Copa do Mundo, marcado para 20 de novembro. Isso atraiu uma grande indignação internacional, sobre o tratamento desumano do Catar aos trabalhadores estrangeiros e suas leis sociais restritivas.

No distrito de Al Mansoura, em Doha, autoridades comunicaram os moradores de um prédio, por volta das 20h da quarta-feira, que eles teriam apenas duas horas para desocupar os apartamentos com seus pertences. Segundo os moradores, o prédio abrigava cerca de 1.200 pessoas.

Depois de duas horas do comunicado, os agentes voltaram ao prédio. Os trabalhadores estrangeiros que ainda estavam nos apartamentos, foram forçados a sair, com tudo aquilo que eles puderam levar. Após a desocupação, as portas do prédio foram trancadas pelos agentes. Aqueles que não conseguiram chegar a tempo para retirar seus pertences nos apartamentos desocupados, ficaram na rua só com a roupa do corpo.

"Não temos para onde ir", disse um homem à reportagem da Reuters, no dia seguinte da desocupação do prédio. Esse homem e outros dez trabalhadores se preparavam para passar a segunda noite na rua, no calor e na umidade do outono do país. Todos eles se recusaram a falar seus nomes ou dar detalhes pessoais para o repórter, com medo de represálias das autoridades ou dos empregadores.

Perto dali, cinco homens estavam carregando um colchão e uma pequena geladeira, na carroceria de uma caminhonete. Eles disseram à reportagem que encontraram um quarto em Sumaysimah, cerca de 40 km ao norte de Doha.

Um trabalhador estrangeiro disse que os despejos visavam homens solteiros, enquanto trabalhadores com famílias não foram afetados.

Um funcionário do governo do Catar informou que as remoções, de trabalhadores estrangeiros, não estão relacionadas à Copa do Mundo. "Tudo foi preparado com os planos abrangentes do município, e de longo prazo, para reorganizar as áreas de Doha", disse ele.

"Desde então, todos foram realojados em acomodações seguras e apropriadas", informou o funcionário. Ele também acrescentou que os pedidos de desocupação teriam sido conduzidos com o devido aviso prévio".

A Federação Internacional de Futebol (FIFA) não respondeu as perguntas da Reuters sobre o caso. Já para os organizadores da Copa do Mundo do Catar, eles encaminharam as mensagens da reportagem para o escritório do governo do país.

Cerca de 85% da população, dos 3 milhões de habitantes do Catar, é composta por trabalhadores estrangeiros. Muitos dos despejados trabalham como motoristas, diaristas ou com contratos de empresas. Nesse caso, eles são responsáveis por suas próprias acomodações. No caso dos trabalhadores de obras, de grandes empresas de construção civil, eles vivem em acampamentos que abrigam dezenas de milhares de pessoas.

Segundo as autoridades municipais, os despejos de trabalhadores estrangeiros estão de acordo com uma lei do Catar, de 2010, que proíbe a formação de acampamento de trabalhadores em áreas residenciais destinadas para famílias. 

"Os despejos se tornam possíveis, mantendo a fachada luxuosa e rica do Catar, sem reconhecer publicamente a mão de obra barata do país", disse Vani Saraswathi, diretora de projetos da Migrant-Rights.org, uma organização que faz campanha para trabalhadores estrangeiros no Oriente Médio.

"Isso é guetização deliberada, na melhor das hipóteses. Mas despejos, sem aviso prévio, são desumanos e fora da compreensão social", disse Saraswathi.

O motorista Mohammed, originário de Bangladesh, disse que morava no mesmo bairro há 14 anos até quarta-feira, quando foi despejado. O município lhe intimou que ele tinha 48 horas para deixar o prédio, onde morava com outras dezenas de pessoas.

Inconformado, Mohammed disse que os trabalhadores estrangeiros construíram toda a infraestrutura para o Catar sediar a Copa do Mundo. Agora, eles estão sendo deixados de lado, a medida que o campeonato se aproxima.

"Quem fez os estádios? Quem fez as estradas? Quem fez tudo? Foram os bengalis, os paquistaneses... Pessoas como nós. Agora, as autoridades estão nos obrigando a sair", disse Mohammed.


Fonte: Reuters.


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