sábado, 5 de junho de 2021

Menos crianças japonesas em 2020.

Queda no número de recém-nascidos no Japão.


Tóquio - Em 2020, o Japão registrou 840.832 nascimentos de bebês no país, de acordo com dados do governo mostrados na última sexta-feira, 04 de junho. É um recorde de baixa durante o ano em que arquipélago japonês foi atingindo duramente pela pandemia do coronavírus.

Queda no número de recém-nascidos no Japão.
Menos crianças e menos casamentos no Japão em 2020: o que mudar para que haja mais crianças no país? Foto: Pinterest.

O número marcou o nível mais baixo de nascimentos no Japão, desde que o ministério da saúde começou a fazer a pesquisa em 1899. A diferença em relação ao ano 2019 foi de 24.407 nascimentos a menos e, se comparado ao ano 2020 com o ano 1899, foi uma diferença de 900.000 nascimentos a menos.

Os dados revelaram que o encolhimento e o rápido envelhecimento da população japonesa estão se acelerando em meio à pandemia  da COVID-19.

O secretário-chefe de gabinete, Katsunobu Kato, expressou um sentimento de crise em relação ao baixo número registrado em 2020 e enfatizou a importância de remover os obstáculos para gerar e criar filhos na sociedade japonesa.

"O declínio no número de crianças é um problema que pode abalar a base de nossa sociedade e economia. Isso deve ser tratado como uma questão da mais alta prioridade", disse Kato em uma entrevista coletiva.

O número médio de filhos que uma mulher japonesa terá ao longo da vida caiu 0,02 ponto, indo para uma média de 1,34 filho em 2020. O número de matrimônios foi de 525.490 uniões registrados em 2020, uma redução de 73.517 casamentos em relação ao ano de 2019. Os números são os menores já registrados no Japão na era pós Segunda Guerra Mundial, de acordo com o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar.

Os analistas preveem que o impacto da pandemia do coronavírus no número de nascimentos de crianças se tornará mais grave em 2021. De acordo com os dados preliminares de janeiro a março deste ano, o número de recém-nascidos no Japão caiu 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

Takuya Hoshino, economista do Dai-ichi Life Research Institute, prevê que a tendência de declínio de nascimentos e casamentos continuará por um tempo, devido às dificuldades econômicas e menos oportunidades para as pessoas se conhecerem por causa da pandemia.

"É necessário apoiar as pessoas que desejam ter um filho por meio de medidas, como a criação de uma estrutura para que as pessoas possam tirar licença do trabalho com mais facilidades na criação dos filhos. E também é preciso um aumento na assistência ao tratamento de fertilidade no país", disse Hoshino.

Para todo o ano de 2021, o número de nascimentos pode cair para até 700.000 novos recém-nascidos, correspondendo a uma antecedência de 10 anos no número reduzido de natalidade que o governo havia projetado anteriormente.

O número de nascimentos no Japão está em uma tendência decrescente desde 1973, o ano do pico dos baby boomers, quando foi registrado em torno de 2,09 milhões de recém-nascidos no país.

Por idade das mães, o número de nascimentos de bebês é maior entre as mulheres com idade entre 30 e 34 anos, registrando cerca de 303.434 recém-nascidos em 2020. A idade média para a geração do primeiro filho é de 30,7 anos.

O número de nascimentos no Japão caiu entre todos os grupos de idade, exceto aqueles com mulheres  de 45 anos ou mais, onde houve um pequeno aumento em 2020 em relação ao ano anterior.

Por províncias, Okinawa registrou a taxa de natalidade mais alta em termos do número médio de filhos por mulher, com 1,86 filho. Depois vem a província de Shimane, com 1,69 filho, e logo em seguida a província de Miyazaki, com 1,68 filho em média.

Tóquio registrou a taxa mais baixa do país, com 1,13 filho. Logo em seguida, Hokkaido e Miyagi  registraram 1,21 filho em média.

A idade média do primeiro casamento por gêneros em 2020, foi de 31 anos para os homens e 29,4 anos para as mulheres.

O número de divórcios chegou a 193.251 separações, uma queda de 15.245 separações em relação ao ano anterior, de acordo com os dados do governo.


Fonte: Kyodo News.


 
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Cooperação entre países durante a pandemia.

Taiwan recebe vacinas doadas pelo Japão.


Tóquio - As vacinas contra COVID-19 doadas pelo Japão chegaram a Taiwan nesta sexta-feira, 04 de junho. Taiwan lutava já faz algum tempo para conseguir os lotes de vacina em meio a uma onda de casos de coronavírus em seu território.

Taiwan recebe vacinas doadas pelo Japão.
Doses das vacinas doadas pelo Japão, chegam em Taiwan pelo aeroporto internacional de Taoyuan. Foto: Kyodo.

Japão despachou gratuitamente 1,24 milhão de doses da vacina da AstraZeneca, fabricada internamente no arquipélago japonês por meio de licença de produção. Entretanto, a China criticou a atitude do Japão em ajudar Taiwan.

"A disposição se baseia em nossa importante parceria e amizade com Taiwan", disse o ministro japonês das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi. Durante a coletiva de imprensa realizada em Tóquio, Motegi destacou que as vacinas doadas são uma forma de agradecer à ajuda recebida por Taiwan quando o nordeste do Japão foi atingido por um grande terremoto seguido por tsunami em 2011.

Motegi disse que a oferta foi feita a pedido de Taiwan. O pequeno país tem enfrentado um aumento dramático nos casos de coronavírus desde maio e teve dificuldades de adquirir vacinas contra a COVID-19.

O governo de Taiwan disse que a China bloqueou as suas negociações de compra da vacina da Pfizer Inc., no momento em que estava prestes a fechar um acordo com a fabricante BioNTech SE.

Motegi também afirmou que o Japão consideraria fornecer suprimentos adicionais para Taiwan e para outros países que necessitam. No caso de outros países, isso dependerá da relação diplomática das outras nações com governo japonês.

Numa postagem no Facebook, a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, agradeceu ao Japão por fornecer as doses da vacina. A presidente descreveu a ação japonesa como assistência oportuna.

"Agradecemos a ajuda oportuna que recebemos de parceiros que compartilham os mesmos valores de liberdade e democracia, dando a Taiwan mais confiança nos ideais democráticos", disse Tsai.

O embaixador de Taiwan no Japão, Frank Hsieh, que viu o lote de vacinas partir do aeroporto de Narita, descreveu a ajuda nipônica como uma "chuva oportuna".

Hsieh se desculpou com o público taiwanês por manter o assunto em segredo do início até o fim. "Antes que as vacinas entrem no avião, é possível haver mudanças nos planos", disse Hsieh numa hipótese da China intervir no carregamento do lote de vacinas.

A notícia do Japão fornecendo vacinas contra a COVID-19 para Taiwan, foi bem recebida pelo povo taiwanês. Os jornais de Taiwan publicaram a notícia em primeira página sobre a ajuda japonesa, dizendo que isso reflete a amizade entre os dois países vizinhos.

Os Estados Unidos irão fornecer separadamente as vacinas contra o coronavírus para Taiwan, por meio do programa global de compartilhamento de vacinas COVAX, apoiado pela ONU. A atitude é mais um recente sinal de apoio dos EUA à ilha taiwanesa que enfrenta pressão da China continental. 

Por outro lado, o governo chinês criticou Taiwan por aceitar as doses da vacina do Japão. A China disse que o governo da presidente Tsai, liderado pelo Partido Democrático Progressista, bloqueou o envio das vacinas chinesas para Taiwan.

"Aceitar vacinas seguras, bem estocadas e desenvolvidas pela China pode ajudar a conter a pandemia do vírus em Taiwan", avisou o governo chinês em um comunicado nesta sexta-feira.

No final do dia, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Wang Wenbin, aparentemente expressou oposição ao fornecimento das vacinas do Japão para Taiwan. O porta-voz chinês expressou a ajuda japonesa como um desempenho político.

"A ajuda com vacinas deve retornar à intenção original de salvar vidas, e não ser reconhecida como um tributo de interesses políticos", disse Wang a repórteres.

Mesmo com a ajuda para Taiwan, o Japão terá vacinas suficientes para todos os seus residentes. As vacinas usadas no Japão são desenvolvidas pelas empresas farmacêuticas norte-americanas Pfizer e Moderna Inc.

O Japão garantiu doses suficientes da AstraZeneca para 60 milhões de pessoas e aprovou o uso da vacina no país no mês passado. Mas ainda não tem intenção de usar as doses imediatamente devido a casos raros de coágulos sanguíneos relatados no exterior , de acordo com o ministério da saúde do Japão.

Taiwan e China são governadas separadamente desde que se dividiram em 1949, resultado de uma guerra civil. O relacionamento entre os dois países piorou desde que Tsai se tornou presidente de Taiwan em 2016.

Acredita-se que a liderança do atual presidente chinês, Xi Jinping, tem como objetivo de reunificar a ilha taiwanesa ao continente chinês pela força, se necessário.

Recentemente, o governo do primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, tem fortalecido seu compromisso com a questão de Taiwan, fragilizando as relações entre Japão e China. 

Numa cúpula em Washington em abril, Suga confirmou com o presidente americano Joe Biden a importância da paz e estabilidade em todo o Estreito de Taiwan. Foi a primeira vez em 52 anos que líderes japoneses e americanos mencionaram Taiwan em uma declaração conjunta.


Fonte: The Mainichi.


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