terça-feira, 21 de setembro de 2021

Abraços e lágrimas.

Documentário mostra o reencontro de duas irmãs japonesas na Coréia do Norte, após 58 anos de separação.


Tóquio - Quando Aiko Nakamoto decidiu fazer parte do programa de repatriação para a Coréia do Norte em 1960, nunca passou pela sua cabeça que levaria quase 60 anos para ela voltar a ver a sua irmã mais nova que ficou no Japão.

Documentário mostra o reencontro de duas irmãs japonesas na Coréia do Norte, após 58 anos de separação.
Keiko Hayashi (direita) e Aiko Nakamoto (esquerda) se reencontram na cidade de Hamhung, Coréia do Norte, em junho de 2018. Cena do documentário japonês "Chotto Kita-Chosen made itte-kuruken". Foto: Nihon Dempa News.

O reencontro das duas irmãs aconteceu em 2018, quando a irmã mais nova, Keiko Hayashi de 70 anos, embarcou em sua primeira viagem ao exterior, rumo à Coréia do Norte.

A comovente história, captada pelo cineasta japonês Yoma Shimada, 45 anos, forma o enredo de seu documentário chamado "Chotto Kita-Chosen made itte-kuruken". No português seria algo parecido como "Vou estar de volta para Coréia do Norte".

O programa de repatriação em que Nakamoto se submeteu, levou embora para a Coréia do Norte cerca de 93.000 pessoas, entre coreanos e seus cônjuges, que viviam no Japão. Quase 1.800 mulheres japonesas acompanharam os seus maridos coreanos para a Coréia do Norte, entre os anos de 1959 e 1984.

Quatro anos atrás, o cineasta Shimada soube das mulheres japonesas que ainda viviam na Coréia do Norte através do trabalho do jornalista Takashi Ito, 69 anos. 

Shimada trabalha na Nihon Dempa News Co., agência de notícias de TV que produz documentários sobre o Sudeste Asiático, Oriente Médio e outras regiões da Ásia.

A história de Akio Nakamoto, hoje com 89 anos, começa quando o seu marido, de etnia coreana, e ela decidem partir do Japão para a Coréia do Norte em 1960. A irmã mais nova, Hayashi, costumava admirar muito a sua irmã mais velha, Nakamoto. Após a mudança, as duas continuavam mandando notícias através de cartas, mas com o passar do tempo, elas acabaram perdendo o contato entre si. Hayashi lembra muito bem quando Nakamoto escrevia cartas para ela pedindo o envio de ajuda em dinheiro ou em outros bens, com a intenção de aliviar a sua situação de pobreza na Coréia do Norte.

Em três ocasiões, entre os anos de 1997 e 2000, um total de 43 cônjuges japoneses receberam a permissão do governo norte-coreano para retornar temporariamente ao Japão. O retorno temporário teve como base em um acordo entre a Cruz Vermelha do Japão e da Coréia do Norte.

Nakamoto estava prestes a fazer a sua visita temporária ao Japão em 2002. Entretanto, a sua viagem foi cancelada devido ao agravamento do sentimento público no Japão sobre a questão dos japoneses sequestrados por agentes norte-coreanos, durante as décadas de 1970 e 1980. Devido a isso, a Coréia do Norte acabou dificultando as relações diplomáticas com o Japão. Nakamoto ficou arrasada com a situação e acabou perdendo contato com a sua irmã.

Alguns anos depois, através do trabalho do cineasta Shimada na Coréia do Norte, ele acabou conhecendo Nakamoto por lá. Das dezenas de cartas da irmã que Nakamoto guardou durante 30 anos, Shimada foi em busca do paradeiro de Hayashi no Japão. Naquela época, Hayashi estava morando na cidade de Ozu, província de Kumamoto.

Documentário mostra o reencontro de duas irmãs japonesas na Coréia do Norte, após 58 anos de separação.
O diretor Yoma Shimada, ao lado do pôster do seu documentário. Ajuda dele foi fundamental para o reencontro das irmãs na Coréia do Norte. Foto: Ryuichi Kitano.

Quando Shimada encontrou Hayashi no Japão, ele mostrou a ela a filmagem feita na Coréia do Norte da sua irmã mais velha, isso já em março de 2018. A partir daquele momento, Hayashi sentiu um forte desejo de ver a irmã novamente e decidiu visitá-la na Coréia do Norte.

Em junho de 2018, Hayashi e o seu filho foram para China e obtiveram vistos em Pequim para entrar na Coréia do Norte. Com a ajuda de Shimada, as duas irmãs finalmente se reencontraram em solo norte-coreano. A emoção daquele momento foi enorme, com abraços fortes, lágrimas e desculpas pela longa e dolorosa separação.

Hayashi retornou à Coréia do Norte em julho de 2019, para participar de uma festa de casamento do neto de Nakamoto. Naquele momento, Hayashi também conheceu e conversou com outras cinco mulheres japonesas que queriam voltar ao Japão temporariamente para visitar os túmulos de seus pais e encontrar com seus parentes.

Tocada pela situação das japonesas na Coréia do Norte, Hayashi criou no Japão, junto com o seu filho, um grupo de ajuda chamado Nihon-Chosen Rainbow. O grupo tem o intuito de ajudar os japoneses na Coréia do Norte enquanto ainda estão vivos, na reconquista dos seus laços com seus parentes e com as raízes da cidade natal de cada um.

Primeiramente, os esforços de Hayashi envolveram na coleta de informações de parentes das cinco japonesas na Coréia do Norte. Depois disso, tentou encontrar os parentes no Japão e informá-los sobre a situação delas, depois de décadas sem notícias. O objetivo do trabalho é tentar encorajar as famílias no Japão a retomar o contato com os parentes na Coréia do Norte.

Para continuar com a causa, Hayashi decidiu se mudar para a cidade de Zama, província de Kanagawa. Agora vivendo próximo de Tóquio, ela pôde visitar os membros políticos da Dieta e do Ministério das Relações Exteriores do Japão. Através das reuniões com os políticos, Hayashi enviou pedidos por escrito da retomada da visita temporária das mulheres japonesas que vivem na Coréia do Norte.

O cineasta Yoma Shimada acompanhou Hayashi e o filho dela o tempo todo na Coréia do Norte, filmando todos os momentos do reencontro com Nakamoto. O cineasta também documentou as atividades de Hayashi no Japão, durante o seu trabalho na Nihon-Chosen Rainbow. No total, o documentário tem duração de 1 hora e 55 minutos e está atualmente sendo exibido nas salas de cinema de Tóquio.

"Achava que a Coréia do Norte era uma nação aterrorizante e rigidamente controlada. Porém, quando fui para lá, vi muitas pessoas reais vivendo o seu dia a dia normalmente", disse Shimada.


Fonte: The Asahi Shimbun.



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segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Mochila que salva vidas.

Japonês desenvolve uma mochila escolar capaz de flutuar na água em caso de inundação e tsunami.


Hamamatsu - Uma colaboração incomum entre uma empresa de entrega de jornais e uma loja de acessórios para óculos levou ao desenvolvimento de mochilas escolares que bóiam na água. Os novos "randoseru" (nome em japonês das mochilas escolares) podem ser usados em casos de desastres naturais, como um tsunami ou uma inundação.

Japonês desenvolve uma mochila escolar capaz de flutuar na água em caso de inundação e tsunami.
Estudantes do ensino fundamental participam da demonstração da mochila salva-vidas numa piscina da cidade de Hamamatsu. Foto: Sakae Shokai.

A mochila salva-vidas é uma ideia do trabalhador de uma empresa de jornais Joji Shimizu, 73 anos.  Em 11 de março de 2011, um grande terremoto seguido de um poderoso tsunami provocaram a morte de várias pessoas na região de Tohoku, norte do Japão.

Em 2012, Shimizu visitou os escombros da escola primária Okawa em Ishinomaki, província de Miyagi. Nesta escola, cerca de 80 pessoas, entre crianças e professores, perderam as suas vidas durante a passagem do forte tsunami. Vendo com os próprios olhos a destruição da escola, Shimizu não conseguia parar de pensar em uma maneira de salvar a vida de crianças em caso de desastres naturais. 

Demorou seis anos para que as duas empresas conseguissem desenvolver o produto. O lançamento da mochila salva-vidas está prevista para o final deste ano.

A empresa Sakae Shokai, fundada há 73 anos na cidade de Hamamatsu, província de Shizuoka, é uma fabricante e vendedora de acessórios para óculos, como estojos e panos de limpeza de lentes. Instalada com equipamentos de corte e costura, a empresa faz questão de ajudar outras empresas a desenvolver novas ideias de produtos. Esse foi o caso da mochila salva-vidas de Shimizu.

No início do desenvolvimento de um produto salva-vidas, Shimizu criou um argola de natação com material de uretano. Ele acabou desistindo da ideia, depois que um amigo lhe disse que nenhuma criança iria para a escola com uma argola.

Três anos depois, Shimizu teve a ideia de uma mochila flutuante, depois que viu o seu neto da primeira série carregando um randoseru.

Os randoseru convencionais são naturalmente flutuante. Entretanto, a mochila escolar deve ficar posicionada na região do peito e da barriga da criança, para que seu rosto possa ficar submerso na água.

Takashi Yoshizawa, presidente de 62 anos da Sakae Shokai, trabalhou com Shimizu no desenvolvimento de vários protótipos.

O protótipo escolhido por eles é feito de náilon. Uma placa de uretano de 10cm de espessura é inserida dentro da aba que serve de tampa da mochila. A aba é usada como dispositivo de flutuação, que pode ser colocada no peito da criança.

Uma outra fina placa de uretano também é inserida na parte de trás da mochila, garantindo que a criança permaneça flutuando na água com segurança.

Japonês desenvolve uma mochila escolar capaz de flutuar na água em caso de inundação e tsunami.
Os desenvolvedores da mochila salva-vidas: Joji Shimizu (direita) e Takashi Yoshizawa (esquerda). Foto: Etsuko Akuzawa.

Alguns testes de demonstração, com a presença de alunos do primário de Hamamatsu, foram realizados numa piscina, em maio, e depois no mar, em junho. As demonstrações foram realizadas com a presença de salva-vidas.

"No início fiquei nervoso quando não conseguia tocar os pés no fundo da piscina. Mas consegui flutuar facilmente assim que peguei o jeito", disse o estudante Yuhi Ohara, de 9 anos.

"Engoli um pouco de água no início, mas me acalmei depois que tirei o rosto da água", disse a estudante Miku Masuda, de 9 anos.

Yoshizawa disse que foi difícil ajustar o equilíbrio perfeito da mochila na água. Estudantes do primeiro ano ao sexto ano do primário têm muitas diferenças na estatura e, também, nos atributos físicos. Isso complicou, no início, o uso e a flutuação dos primeiros protótipos da mochila dentro da água.

O randoseru salva-vidas é do mesmo tamanho de outras mochilas escolares, embora seja um pouco mais pesado, com 1,4kg.  

A nova mochila vai ser vendida por 49.500 ienes (US$ 450), incluso impostos. Os inventores solicitaram o registro da mochila salva-vidas com o nome de "Ukuran".


Fonte: The Asahi Shimbun.


  
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