quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Vai um iPhone de segunda mão?

Com a desvalorização do iene, muitos japoneses estão apelando para a compra de celulares usados.


Tóquio - Durante anos, os consumidores japoneses sempre desembolsaram, avidamente, suas economias para os últimos lançamentos da gigante Apple. No entanto, com o forte enfraquecimento da moeda japonesa, muitas pessoas foram ficando sem condições de comprar novos gadgets da maçã americana. Com isso, o foco atual de consumo das pessoas mudou, fomentando a nova tendência da compra de celulares de segunda mão no Japão.

www.nikkeyon.blogspot.com
Com a desvalorização do iene, muitos japoneses estão apelando para a compra de celulares usados.
Um cliente olha para uma vitrine de smartphones usados, em uma loja de eletrônicos em Akihabara, Tóquio. Nos últimos tempos, a venda de smartphones de segunda mão aumentou muito no Japão, devido ao encarecimento dos modelos novos nas lojas autorizadas e à desvalorização da moeda japonesa. Foto: Reuters.  

Durante os últimos meses de 2022, a acentuada queda do iene no mercado de câmbio, frente ao dólar americano, atingiu a maior mínima histórica dos últimos 32 anos. Com o aumento da inflação na economia japonesa, os consumidores do Japão passaram a mudar seus hábitos de consumo, driblando a redução de seu poder de compra. Os sites de produtos usados, e de leilões online, passaram a ser a nova alternativa de compra por produtos tecnológicos, atraindo pessoas com pouco dinheiro para gastar.

Em junho deste ano, a Apple do Japão aumentou o preço de seu smartphone iPhone 13 (básico) em quase 20%. Depois de alguns meses, o iPhone 14 (básico) estreou no território japonês com, aproximadamente, 20% de acréscimo no preço (equivalendo a 20% sobre o valor do já encarecido iPhone 13), custando a partir de US$ 818. 

Nos EUA, os preços dos smartphones da Apple permaneceram estáveis, com o iPhone 14 valendo entre US$ 799 e US$ 1.599. O dólar americano tem valorizado muito em relação às outras moedas globais, mas o iene foi, particularmente, o mais atingido pela taxa de câmbio desfavorável, desvalorizando a moeda japonesa em 22% este ano (em comparação ao dólar). 

O assalariado Kaoru Nagase queria um smartphone novo de última geração, mas não poderia desembolsar o salgado preço do iPhone 14, que custa a partir de 119.800 ienes no Japão. A alternativa foi comprar um iPhone SE 2 de segunda mão, no distrito de lojas de eletrônicos em Akihabara (Tóquio), pagando-o por menos de 1/3 do valor de um novo iPhone 14 (básico). Só por curiosidade, um iPhone SE 2, de segunda mão no Japão, pode ser comprado no mercado de usados com preços entre 15.000 ienes e 45.000 ienes. 

"Por mais de 100.000 ienes, o iPhone 14 está muito caro e eu, simplesmente, não posso comprá-lo. Seria bom se a bateria do iPhone durasse 10 anos. O iPhone SE 2 (lançado em 2020), sem a câmera traseira com duas lentes, foi uma boa aquisição que visa entre baixo custo e bons recursos tecnológicos", disse Nagase.

Procurada pela reportagem, a Apple recusou a comentar essa história. Entretanto, em um documento regulatório anual da empresa, as vendas da Apple no Japão caíram 9% (compreendendo os últimos 12 meses, que terminou em 24 de setembro de 2022) devido à desvalorização do iene.

As vendas de smartphones usados cresceram quase 15% no Japão, atingindo o recorde de 2,1 milhões de unidades comercializadas no último ano fiscal (entre abril de 2021 e março de 2022). Até 2026, o comércio de celulares de segunda mão deve atingir 3,4 milhões de unidades vendidas no Japão, segundo a empresa de pesquisa sobre mercado tecnológico MM Research Institute.

O jovem Taishin Chonan (23 anos) comprou um iPhone 13 usado, depois que a tela de seu velho smartphone quebrou. O celular substituto tem resolução maior, bateria com ótima recarga e melhor câmera de fotos do que seu antigo iPhone 7.

"Até então, eu só tinha comprado smartphones novos. Esta é a primeira vez que compro um modelo usado. Ultimamente, os smartphones novos estão muito caros", disse Chonan.

Mesmos após os aumentos de preços no Japão, o iPhone 14 (vendido no mercado japonês) é um dos mais baratos a venda no mundo, se comparado com os preços do mesmo modelo em outros 37 países (com impostos inclusos). Isso é de acordo com a pesquisa, feita em setembro, da MM Research Institute. Se o iene enfraquecer mais ainda, o novo câmbio pode levar a Apple do Japão a aumentar os preços de seus produtos novamente. Atualmente, a Apple Inc. detém 50% de participação no mercado de smartphones do Japão.

"Os últimos iPhones estão com preços acima de 100.000 ienes, o que é uma grande barreira psicológica para muitos compradores", disse Daisuke Inoue, presidente executivo da Belong Inc., que vende smartphones e tablets usados no Japão pela internet.

As vendas médias, no site de comércio eletrônico Nicosuma (da Belong), triplicaram desde que a Apple aumentou os preços de seus produtos em julho (isso se comparados com a média de vendas da Nicosuma, nos últimos três meses anteriores do aumento da Apple), de acordo com Inoue.

Um outro site japonês de vendas, a Mercari Inc., tem visto um forte crescimento nas vendas de smartphones usados. As vendas de eletrodomésticos usados, e outros eletrônicos, também cresceram nos últimos tempos, segundo um porta-voz da Mercari.

Com o Japão aberto novamente para os turistas estrangeiros, o mercado de iPhones de segunda mão está recebendo um outro impulso.

A cadeia de varejo do Japão, a Iosys Co. Ltd., viu um aumento no número de turistas estrangeiros, durante os últimos dois meses, comprando Iphones usados.

"O iene continua enfraquecendo. Essa tendência de comprar um iPhone, visitando o Japão, está voltando ao país", disse Takashi Okuno, executivo da Iosys. 


Fonte: Reuters.


Nikkey ON! Blog de notícias sobre o Japão e o Mundo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

As famílias estão gastando mais.

Em setembro, gastos domésticos aumentaram 2,3% no Japão.


Tóquio - O governo japonês informou nesta terça-feira, 8 de novembro, que as famílias do Japão tiveram um aumento de 2,3% em seus gastos domésticos, comparando dados do mês de setembro com o mesmo período de 2021. Segundo o governo, esse é o quarto mês consecutivo de aumento nos gastos, sufocando o orçamento familiar.

www.nikkeyon.blogspot.com
Em setembro, gastos domésticos aumentaram 2,3% no Japão.
Gastos domésticos no Japão aumentaram 2,3% em setembro, comparando o mesmo período do ano anterior, informou o governo japonês nesta terça-feira, 8 de novembro. Foto: Bloomberg.

O Ministério de Assuntos Internos e Comunicações constatou que as famílias (de duas ou mais pessoas) gastaram em média 280.999 ienes (cerca de US$ 1.900) no Japão. Com base em ajustes sazonais, os gastos domésticos aumentaram 1,8% em relação ao mês de agosto.

Por outro lado, os salários reais da população diminuíram 1,3% em setembro, comparando ao mesmo mês de 2021. Essa contração marca o sexto mês consecutivo de queda, de acordo com dados separados do Ministério do Trabalho.

Os baixos salários podem indicar um esfriamento do poder de compra dos consumidores para os próximos meses. A possível perspectiva sombria, no consumo, é um mau presságio para os esforços do primeiro-ministro Fumio Kishida. Ele tenta manter sustentável a economia do Japão, onde o consumo corresponde por mais da metade do produto interno bruto do país, diante do aumento acelerado da inflação.

Os gastos com lazer e viagem aumentaram 12,6% pelo sexto mês consecutivo. O item que liderou nessa categoria foi o aumento nos gastos em reservas de hotéis, outros tipos de acomodações e pacotes turísticos. Com a remoção das restrições ao coronavírus no Japão, mais pessoas decidiram viajar.

Já os gastos com transportes e comunicação, incluindo gastos com peças automotivas e tarifas de trem, houve um aumento de 8,8% em setembro.

Na parte de alimentação, os gastos com comidas e bebidas subiram 1,2% em setembro. Nesse período, mais pessoas fizeram suas refeições fora de casa e muitos consumidores de bebidas alcoólicas anteciparam suas compras (antes do aumento de preços de bebidas em outubro), segundo dados do governo.

Seguindo o lado oposto dos aumentos, os gastos com serviços públicos (como energia e água encanada) caíram 1,6%. A maior queda foi nos gastos com gás de cozinha (GLP), diminuindo 13,1% no consumo. A redução do uso de GLP foi devido ao maior tempo das pessoas fora de casa, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os principais preços ao consumidor do Japão saltaram 3% em setembro, marcando o aumento mais acentuado nos últimos 31 anos. No final do mês passado, o primeiro-ministro japonês compilou um pacote econômico de 29,1 trilhões de ienes, ajudando a população a mitigar o impacto dos aumentos de preços e incentivando o crescimento salarial no país.

O pacote de estímulos ocorre quando Kishida pediu às empresas, repetidamente, que aumentem os salários de seus funcionários. A decisão de aumento será feita na temporada de negociações salariais, que ocorre na primavera do próximo ano.

Para 2023, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) disse em setembro, que a previsão de crescimento econômico do Japão foi reduzido para 1,4%. Em relação à previsão anterior, a OCDE estimava um crescimento de 1,8% na economia japonesa.


Fonte: Kyodo News.


Nikkey ON! Blog de notícias sobre o Japão e o Mundo.