domingo, 25 de julho de 2021

O poder da audiência das Olimpíadas.

A questão da ordem de entrada das delegações olímpicas na cerimônia de abertura.


Tóquio - A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, realizada no último dia 23 de julho, apresentou uma ordem de entrada bastante incomum no desfile das regiões e dos países competidores.

A questão da ordem de entrada das delegações olímpicas na cerimônia de abertura.
Delegação dos Estados Unidos fazendo a sua apresentação na cerimônia de abertura dos Jogos de Tóquio 2020. Foto: Kyodo.

Como manda a tradição, a primeira delegação a entrar no estádio foi a Grécia, nação fundadora dos Jogos Olímpicos. Já a última delegação a desfilar foi o Japão, o atual país anfitrião dos jogos olímpicos. Mas, as delegações que entraram após a Grécia apresentaram uma ordem completamente diferente, não seguindo a ordem do alfabeto romano que todo mundo conhece. A forma utilizada pelo Comitê Olímpico do Japão para ordenar os países durante o desfile foi através do silabário dos ideogramas japoneses.

A Islândia e a Irlanda têm as iniciais com som de "A" em japonês, portanto foram os primeiros países a entrarem no estádio olímpico. A Austrália tem a inicial com som de "O" em japonês e, por isso, ficou posicionado um pouco mais no meio do desfile, após os países com iniciais "A", "I", "U" e "E".

No caso dos Estados Unidos, há duas palavras na língua japonesa: o país pode ser chamado de "Amerika" ou "Beikoku". Assim, a delegação olímpica norte-americana deveria ter entrado no início ("A" de América) ou na metade para o final do desfile ("Be" de Beikoku). Mas, não foi isso que aconteceu durante a cerimônia. O país foi um dos últimos a entrar no estádio, antes das delegações da França e do Japão. Mas por quê?

Em primeiro lugar, desde as Olimpíadas de Londres em 1908, é tradicional que cada país (e região) entre no estádio liderados por um porta-bandeira. As equipes olímpicas também podem vestir as roupas tradicionais de seus países para mostrar uma parte das suas culturas.

Durante as Olimpíadas de Los Angeles em 1984, os jogos olímpicos começaram a se tornar eventos mais comercializados, apoiados por cobranças de direitos de transmissão televisiva e patrocínios em publicidade. Dessa forma, a exuberância nas cerimônias de abertura olímpica começaram a ganhar mais destaque.

Para as emissoras de televisão, as cerimônias de abertura das Olimpíadas são um dos grandes atrativos dos jogos. O Comitê Olímpico Internacional (COI) afirma que, desde as Olímpiadas de Sydney em 2000, as taxas cobradas por transmissão e as horas das competições exibidas na TV, durante os jogos olímpicos, têm aumentado gradativamente.

A receita de direitos de transmissão dos jogos pela TV e por outros meios de comunicação cresceu em US$ 4,157 bilhões nos últimos quatro anos (de 2013-2016). Já o total de tempo dos jogos transmitidos na televisão atingiu 7.100 horas no mesmo período. Desde as Olimpíadas de Sydney 2000, os números de receita e de horas de transmissão mais que dobraram  após quase 16 anos.

Foi prometido que os Jogos de Tóquio teriam uma redução de tempo na transmissão da cerimônia de abertura devido ao adiamento das Olimpíadas em 2020, provocado pela pandemia mundial do coronavírus. Mas o Comitê Olímpico Internacional não permitiu mudanças na cerimônia de abertura. O presidente do COI, Thomas Bach, classificou a cerimônia de abertura como uma vitrine para o país anfitrião, permanecendo sem qualquer alteração. Bach disse que o desfile dos atletas não deve ser alterado, mantendo essa tradição na cerimônia de abertura.

Por trás das declarações de Thomas Bach, há uma grande emissora norte-americana, a NBC Universal Media, que corrobora com o poder de decisão nos jogos. A empresa americana terá pago ao Comitê Olímpico um total de US$ 12,03 bilhões pela transmissão televisiva de 10 jogos olímpicos: iniciada desde as Olimpíadas de Inverno de Sochi em 2014, até as Olimpíadas de Verão de Brisbane em 2032.

Para o desfile das delegações olímpicas na cerimônia de abertura da Tóquio 2020, algumas mudanças foram realizadas. Foi decidido que a delegação dos Estados Unidos seria a antepenúltima a entrar na cerimônia de abertura, devido a escolha do país como sede dos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028. A delegação da França seria a penúltima a entrar, pois o país será sede dos Jogos Olímpicos de Paris em 2024. E, por último o anfitrião deste ano, a delegação do Japão.  

Embora as mudanças na entrada das delegações fossem apenas para chamar a atenção do público com relação aos países que serão sedes das próximas olimpíadas, o motivo foi outro, aparentemente. Havia uma grande preocupação da audiência pelas emissoras de televisão norte-americanas em seu país. Se, durante o desfile, a delegação americana entrasse muito cedo no estádio olímpico, os telespectadores americanos poderiam desistir em assistir à transmissão dos jogos na íntegra, simplesmente mudando de canal ou, até mesmo, desligando a televisão. Por isso, os canais americanos preocuparam-se em segurar a audiência televisiva até o final da cerimônia de abertura.

Nas Olimpíadas de Tóquio, mais de 80% das instalações olímpicas realizarão as competições sem a presença do público. Isso significa que a importância da transmissão dos jogos olímpicos pela televisão se tornou fundamental para este período de pandemia. De acordo com o COI, a Olympic Broadcasting Services (Serviços de Radiodifusão Olímpica) planejam produzir mais de 9.000 horas de filmagem dos jogos olímpicos, distribuindo os vídeos para as redes internacionais de televisão .


Fonte: The Mainichi.



www.nikkeyon.blogspot.com

sábado, 24 de julho de 2021

E começa oficialmente os Jogos de Tóquio!

Aberta a 32º edição das Olimpíadas, o primeiro evento olímpico da era coronavírus.


Tóquio - O ano de 2020 não foi fácil para o Japão. Após o adiamento dos jogos olímpicos no ano passado e de vários problemas que foram surgindo com o passar dos meses, as Olimpíadas de Tokyo começaram finalmente nesta sexta-feira, 23 de julho.

Aberta a 32º edição das Olimpíadas, o primeiro evento olímpico da era coronavírus.
A tenista Naomi Osaka acende a pira olímpica dos Jogos de Tóquio 2020+1. Foto: Getty Images.

Durante a cerimônia de abertura, com o Estádio Nacional quase vazio, o imperador do Japão, Naruhito, formalizou o início dos jogos olímpicos. Estavam presentes apenas um número limitado de pessoas importantes como oficiais do Comitê Olímpico Internacional (COI), oficiais do Comitê Olímpico Japonês e autoridades estrangeiras e do Japão. 

Desde o início de junho, o maior desafio das Olimpíadas de Tóquio é impedir a disseminação da COVID-19 durante as competições. E não vai ser tarefa fácil. O evento está envolvendo  cerca de 11.000 atletas de mais de 200 localidades do mundo. Mas uma atitude drástica já foi tomada antes da abertura dos jogos: a proibição do público nos estádios e ginásios olímpicos. Os Jogos de Tóquio estão sendo a primeira olimpíada sem espectadores da história dos jogos.

Embora os organizadores das olimpíadas esperem que o evento simbolize a solidariedade global e a vitória sobre a COVID-19, aparentemente não é bem assim que está acontecendo. Durante os últimos seis meses, Tóquio tem lutado contra o aumento do número de casos de COVID-19, estando a metrópole no seu quarto estado de emergência.

Na abertura dos jogos, durante o desfile das delegações, todos os atletas usavam máscaras faciais e acenavam para todos os lados, demonstrando entusiasmados diante de um estádio com poucas pessoas presentes.

Os atletas foram aparecendo no estádio conforme a ordem dos países determinada pelo alfabeto da língua japonesa. A maioria das delegações foi liderada por um porta-bandeira masculino e um feminino. É a primeira vez que isso acontece, depois que o Comitê Internacional Olímpico (COI) mudou as suas regras no ano passado para impulsionar a representação igualitária de gênero.

As apresentações artísticas da cerimônia tiveram como destaque a cultura japonesa, mostrando o artesanato, a comédia japonesa, os festivais de verão (matsuri), o teatro japonês (kabuki) e a diversidade da população do Japão. 

Os arcos olímpicos que foram aparecendo durante a cerimônia, são feitos com madeira  de árvores plantadas em 1964, ano em que Tóquio sediou a sua primeira olimpíada.

Um momento de silêncio foi adicionado na cerimônia, lembrando daqueles que morreram vítimas do coronavírus. Também teve homenagem aos atletas israelenses mortos no atentado terrorista dos Jogos Olímpicos de Munique em 1972.

Uma parte da apresentação destacou os atletas que treinaram para as olimpíadas durante a crise global de saúde, com destaque para uma boxeadora que trabalhou como enfermeira.

Outro destaque da festa foi a apresentação de um grupo de atores e mímicos que representaram com humor os pictogramas, os símbolos dos 50 esportes olímpicos dos Jogos de Tóquio.

Um dos momentos mais marcantes da noite foi a apresentação de 1.824 drones que iluminaram o céu sobre o estádio e formaram o símbolo dos jogos. Durante o show dos drones, artistas como Angelique Kidjo, John Legend, Keith Urban e Alejandro Sanz cantaram, num vídeo mostrado num telão, uma versão da famosa canção "Imagine" de John Lennon. Logo em seguida, os drones que estavam no céu se juntaram e se transformaram no planeta Terra sobre o estádio. Um show impressionante.

E a tenista japonesa/americana Naomi Osaka teve um papel importante na abertura dos jogos. Carregando a tocha olímpica, a tenista subiu as escadas de uma alegoria que lembra o Monte Fuji e, no topo da "montanha", acendeu a pira olímpica, com o formato de um sol. Este foi o momento final da cerimônia de abertura.

Os Jogos de Tóquio terão um recorde de 33 modalidades esportivas, compostas por 339 eventos. O caratê fará a sua estréia olímpica junto com o surfe, o skate e a escalada esportiva.

O custo de sediar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos no Japão aumentou drasticamente por causa da pandemia do coronavírus. Tendo inicialmente um custo total de 734 bilhões de ienes (US$ 6,67 bilhões), a conta foi para 1,64 trilhões de ienes, valores baseados no relatório do comitê olímpico mais recente de dezembro de 2020.


Fontes: Kyodo News / UOL.



www.nikkeyon.blogspot.com