domingo, 25 de dezembro de 2022

A tradição japonesa de Natal.

Pesquisa mostra que o frango frito continua sendo a principal refeição de Natal no Japão.


Tóquio - Em uma recente pesquisa online, mais de 80% dos entrevistados disseram que planejam comemorar o Natal comendo frango. O resultado mostrou também que a maioria das pessoas preferem comprar "o frango para viagem", invés de passar horas cozinhando pratos natalinos em casa.

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Pesquisa mostra que o frango frito continua sendo a principal refeição de Natal no Japão.
Pesquisa japonesa mostra que a maioria dos japoneses planejam comemorar o Natal comendo frango frito. Esse hábito tornou-se uma tradição natalina no Japão. Foto: Getty Images.

A pesquisa realizada pela Locoguide Inc., uma operadora japonesa de site de informações de compras, coletou respostas de 2.628 usuários em seu site Tokubai, entre so dias 25 e 30 de novembro. 

Através dos dados coletados, descobriu-se que comer frango frito crocante é a forma mais popular de celebrar o Natal no Japão (com 33,3% das respostas). Em seguida, aparece o frango assado, com 32% das respostas. E em terceiro, aparece o frango frito estilo japonês (o karaage), com 22,8% das respostas. Mas por que o frango tornou-se o prato típico de Natal para os japoneses?

A história começa nos anos 70. Desde o lançamento de sua primeira campanha de Natal no Japão, em 1974, a empresa americana Kentucky Fried Chicken (ou mundialmente conhecida como KFC) conseguiu transformar o frango frito de Natal em uma tradição nacional do Japão. O costume de comer frango frito na ceia de Natal (e no dia de Natal) perdura até hoje no país.

Para a KFC Japan Ltd., a véspera de Natal, 24 de dezembro, costuma ser o dia mais movimentado do ano, em todas suas filiais espalhadas pelo território japonês. Esse dia é 10 vezes mais movimentado que a média anual da Kentucky Japan. A rede de fast food começa a anunciar, e a receber os pedidos, dois meses antes do dia de Natal, de acordo com a empresa operadora no Japão.

Ao longo dos anos após o sucesso do KFC, várias outras empresas (no ramo de frango frito) surgiram no país, lucrando com a tradição japonesa de Natal. Um exemplo: a rede de lojas de conveniência Family Mart transformou seu "Famichiki" (filé de frango frito crocante) em uma sensação entre os japoneses.

No verdadeiro espírito natalino da empresa, o Family Mart aguardará até um dia, após o Natal, para aumentar os preços de alguns de seus produtos "fast food". Isso permitirá que os amantes do "Famichiki" desfrutem o frango frito "em promoção por tempo limitado", pelo preço de 198 ienes (US$ 1,50), pela última vez no dia de Natal deste ano.

Até as redes coreanas de frango frito estão em alta no Japão. A rede "bb.q Olive Chicken Cafe", marca que ganhou fama no mercado japonês depois de aparecer em várias K-dramas (novelas sul-coreanas), também oferecem pacotes especiais de frangos fritos de Natal no Japão. 

Entretanto, apesar dos japoneses comerem em abundância frango em pedaços, os pontos de venda de frango assado, por inteiro, são muito escassos no Japão. Talvez essa seja a razão de que os japoneses, apenas 7,5% dos entrevistados, planejam comer frango assado (inteiro) de Natal, da forma tradicional do Ocidente. 

A pesquisa também descobriu que 86,2% das pessoas planejam passar o Natal em suas residências. Dessa porcentagem de quem pretende ficar em casa, quase 60% das pessoas querem comprar "frango frito para viagem". Entre comidas de fast food para o Natal, o frango frito dominou a pesquisa de itens preferidos para viagem, escolhido por 81,4% dos entrevistados. Em segundo veio a pizza, com 33% dos entrevistados. Em terceiro ficou o sushi, com 31,7% dos entrevistados.

Entre os 37,9% das pessoas que disseram que preparam sua própria refeição de Natal, o frango frito ficou em terceiro lugar no cardápio dos entrevistados, com 29,4% das respostas. Em primeiro lugar ficou a salada verde, com 41,2% das respostas. Em segundo lugar ficou a salada de batata (salada com legumes e maionese no caso), com 35,2% das respostas.

Quanto à sobremesa natalina, 72,4% dos entrevistados disseram que comeriam o "bolo de Natal" do Japão. Esse bolo não é um bolo com frutas cristalizadas e passas, mas geralmente um bolo coberto de chantilly e recheado com pedaços de morango. Alguns dos entrevistados, 11,3%, pretende fazer seu próprio bolo de morango para ceia de Natal.

Finalizando a matéria, o blog Nikkey ON! deseja a todos um Feliz Natal. Que todos tenham um dia natalino muito especial! Abraços.


Fonte: Kyodo News.


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sábado, 24 de dezembro de 2022

Volte para seu próprio país.

Brasileira recorre à justiça, após a prefeitura do Japão recusar seu pedido do auxílio assistencial.


Nagoya - No dia 22 de dezembro, o jornal Mainichi entrevistou uma brasileira de 41 anos (sua identidade não foi revelada), após seu drama familiar no Japão vir à tona pela imprensa japonesa.

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Brasileira recorre à justiça, após a prefeitura do Japão recusar seu pedido do auxílio assistencial.
Uma nipo-brasileira sofreu muito para conseguir o auxílio assistencial da prefeitura de Anjo, província de Aichi. Durante o processo, ela obteve informações falsas e abusivas de um funcionário da repartição, tudo para que ela não pudesse ter o direito de receber o benefício. Foto: The Mainichi.

A mulher, uma brasileira descendente de japoneses, recebeu comentários abusivos e informações falsas na prefeitura da cidade de Anjo, província de Aichi, após ter seu pedido de auxílio assistencial negado por um funcionário da repartição pública.

Segundo os relatos da brasileira, ela chegou ao Japão há cerca de 10 anos atrás. Seu marido, de 42 anos, trabalhava em uma fábrica de autopeças na província de Aichi, mas ele acabou sendo demitido durante o período mais grave da pandemia da COVID-19 no Japão. 

Depois disso, o marido da brasileira arranjou um emprego de meio período para poder sobreviver. Mas, num certo dia, o homem acabou sendo preso pela polícia japonesa, por estar dirigindo um veículo sem habilitação válida no Japão e por outras acusações. Conclusão: a família da brasileira ficou sem dinheiro.

Com problemas financeiros para sustenta seus dois filhos (um menino do ensino primário e um bebê de 1 ano de idade), a brasileira visitou a prefeitura de Anjo com um colega. Ela foi ao local para solicitar a  ajuda da assistência social do município, em 1ª de novembro. 

No entanto, um funcionário do balcão de informações da prefeitura indeferiu o pedido da brasileira, dizendo falsamente: "A assistência pública não é oferecida para estrangeiros. Seu visto de entrada no país será revogado se seu marido estiver preso. Não podemos ajudá-la com nada. Você deveria voltar para seu próprio país". Aparentemente, o funcionário pediu à brasileira que ela consultasse a Agência de Serviços de Imigração do Japão e/ou um consulado brasileiro.

Só no final de novembro que a brasileira conseguiu se candidatar ao auxílio assistencial da cidade, com a ajuda de um advogado e de outro apoiadores. Entretanto, tentando complicar a situação, o funcionário da prefeitura exigiu que a mulher usasse o benefício do bem-estar social para cobrir o aluguel não pago da residência onde vive (que é uma moradia pública administrada pela prefeitura). 

Além disso, o mesmo funcionário também exigiu que a brasileira usasse parte do benefício para pagar os empréstimos especiais do governo, dados para famílias com problemas financeiros durante a pandemia da COVID-19. Ela tinha feito os empréstimos, mas ainda não tinha pago nada. Enfim, o funcionário quis colocar terror psicológico na brasileira.

De acordo com o governo do Japão, a Lei de Assistência Pública especifica que "cidadãos que vivem na pobreza no país" são elegíveis para a assistência social, também aplicando aos estrangeiros que são residentes permanentes, ou com visto de longa duração. No caso da brasileira, ela se encaixa perfeitamente nas condições do auxílio assistencial, possuindo visto e cartão de residência obrigatório para viver no Japão.

Durante todo o tempo de espera para receber o benefício da prefeitura, a brasileira criou seus dois filhos com comida e leite que ganhava através de ajudas, como doações de uma conhecida e de outras pessoas sensibilizadas com seu drama. Em lágrimas para a reportagem, ela disse: "Para alimentar meus filhos, precisei fazê-los beber leite diluído com água, sendo duas vezes mais água do que o normal. No final, a mistura era pura água. Não tive escolha. Foi a coisa mais dolorosa que eu fiz para minhas crianças".

Finalmente, no dia 22 de dezembro, a brasileira recebeu seu benefício assistencial. No mesmo dia, o supervisor responsável pelo setor da prefeitura apresentou um pedido formal de desculpas para a mulher.

Depois de todo esse inferno, ela comentou para o repórter do jornal: "Fui encurralada emocionalmente e fiquei com medo de voltar à prefeitura. Quero que os estrangeiros no Japão sejam visto como seres humanos também. Estou preocupada com outros estrangeiros que estejam enfrentando o mesmo problema. Agora, mesmo com o benefício em mãos, eu não consigo nem entrar no clima de Natal com tantos dramas que sofri".

Quando questionado sobre o assunto, o governo municipal de Anjo disse ao repórter do jornal Mainichi o seguinte: "Trata-se de informações pessoais e não podemos fornecer nenhuma resposta sobre isso".


Fonte: The Mainichi.


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