segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

O drama dos estagiários estrangeiros.

Sem trabalho e sem dinheiro: os sérios problemas dos estagiários estrangeiros no Japão.


Tóquio - Vários estagiários técnicos que vivem no Japão perderam seus empregos devido à baixa produtividade das empresas durante a crise do coronavírus. Para um estrangeiro com pouca experiência, encontrar um novo emprego num país que ainda não é familiar acaba sendo um desafio. Voltar para o país de origem se torna um outro problema, pois a pandemia provocou uma escassez de voos internacionais que impede muitos estrangeiros na decisão de retorno para casa.

Sem trabalho e sem dinheiro: os sérios problemas dos estagiários estrangeiros no Japão.
Muitos estagiários vietnamitas trabalhavam na construção antes da pandemia. Foto: Webp.net-resizeimage.

Um estagiário técnico vietnamita de 34 anos que não quis ser identificado pela reportagem, deixou o emprego numa empresa de construção, na província de Niigata, em dezembro do ano passado. Embora ele tivesse planejado ficar no serviço por três anos, ele demitiu-se depois de 1 ano e meio. O motivo de sua desistência foi o salário muito baixo e a falta de perspectiva de trabalho dentro da empresa.

"Minha família já está com problemas porque parei de enviar dinheiro", lamentou o vietnamita.

Na empresa em que trabalhava, ele fazia andaimes em canteiros de obras. Com um salário mensal de aproximadamente 130.000 ienes (cerca de US$ 1.240), ele cortava gastos comendo macarrão instantâneo todos os dias e enviava quase 100.000 ienes de remessa internacional todos os meses para seus pais idosos, sua esposa e seus dois filhos. Como o trabalho diminuiu na primavera do ano passado, o seu salário diminuiu para 90.000 / 100.000 ienes (US$ 860 / US$ 950), forçando-o a cortar as suas remessas mensais para a família no Vietnã.

Desde que largou o emprego e deixou o dormitório da empresa, o vietnamita está vivendo num prédio administrado pela Associação de Apoio Mútuo do Japão e Vietnã, uma organização sem fins lucrativos com sede no bairro de Minato, Tóquio. Ao receber a ajuda da associação, ele logo procurou uma empresa onde pudesse trabalhar como estagiário, mas os empregos estão muito escassos por causa da crise do coronavírus. 

"É muito difícil para mim porque não falo japonês muito bem", disse o vietnamita já sem esperanças.

Enquanto isso, outros jovens não conseguem voltar para os seus países de origem devido ao alto preço das passagens aéreas. Para esses jovens, o período de estágio já foi concluído e agora eles só pensam em retornar.

Um rapaz de 24 anos vindo de uma região agrícola do Vietnã (também não quis ser identificado pela reportagem), concluiu o seu período de treinamento de três anos numa empresa de construção, na província de Saitama, em outubro passado. Embora ele queira voltar para o seu país imediatamente, os voos para o seu país estão reduzidos por causa da pandemia. Além disso, o preço da passagem só de ida para o Vietnã que costumava ser entre 30.000 ienes e 40.000 ienes (cerca de US$ 290 e US$ 380), saltou para 200.000 ienes / 300.000 ienes  (cerca de US$ 1.900 / US$ 2.860). O rapaz não tem como pagar esse valor tão alto.

A solução provisória foi morar na casa de um amigo por um tempo, após deixar o dormitório da empresa. Como suas economias foram diminuindo, ficou impossível morar pagando parte do aluguel do imóvel. Foi quando ele decidiu ir ao grupo da associação de apoio.

Sua família no Vietnã, com quem ele fala por videochamada quase todos os dias, se preocupa com sua vida no Japão, onde as infecções de coronavírus continuam se espalhando pelo território japonês.

De acordo com a Agência de Serviços de Imigração do Japão, no início de dezembro do ano passado, os programas de estágios (para cerca de 51.000 estrangeiros) foram interrompidos devido às demissões em massa e falências de empresas provocadas pela pandemia. Alguns estagiários conseguiram encontrar um novo trabalho e outros voltaram para o país de origem. Mas até o dia 25 de janeiro, cerca de 80 estrangeiros ainda estavam  procurando emprego.

Muitos dos trabalhadores do programa de treinamento são cidadãos vietnamitas, representando metade de todos os estagiários estrangeiros no Japão. De acordo com o grupo da associação de apoio, muitos deles são originários de vilas agrícolas pobres do Vietnã. Muitos estagiários, sem dinheiro para bancar os custos do programa de estágio, adquirem dívidas de financiamento de 700.000 ienes  a 1 milhão de ienes (cerca de US$ 6.660 a US$ 9.520) para vir ao Japão. Quando eles estão empregados nas empresas japonesas, quase todo o salário mensal é usado para pagar a dívida de viagem e mandar remessas em dinheiro para a família no país de origem. 

A Associação de Apoio Mútuo do Japão e Vietnã  recebeu cerca de 400 vietnamitas desde o início do ano passado, fornecendo abrigo e outros tipos de apoio para todos.

Yoshihisa Saito, professor associado do Curso de Pós-Gradução da Universidade de Kobe e especialista no Programa de Treinamento Técnico de Estagiários, observou o seguinte: "O Japão precisa apoiar ativamente os estagiários estrangeiros, começando com o reemprego."

Jiho Yoshimizu, chefe da Associação de Apoio Mútuo, disse ao jornal Mainichi Shimbun: "Quero que o governo impulsione a criação de um sistema que conecte estagiários motivados com empresas."


Fonte: Mainichi Shimbun.  

 
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domingo, 7 de fevereiro de 2021

Petição contra o chefe das Olimpíadas.

Mais de 100.000 pessoas assinaram uma petição contra Mori após comentário sexista.



Tóquio - Uma petição pedindo ações contra Yoshiro Mori, chefe do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio, alcançou a marca de mais 100 mil assinaturas hoje, 06 de fevereiro, após ativistas japoneses formalizarem o pedido na internet.

Mais de 100.000 pessoas assinaram uma petição contra Mori após comentário sexista.
Yoshiro Mori pede desculpas durante a coletiva de imprensa no dia 4. Foto: Reuters.

Yoshiro Mori, ex-primeiro-ministro de 83 anos, desencadeou a repulsa de muitas pessoas, nacionalmente e internacionalmente, após fazer um comentário sexista durante uma reunião com o Comitê Olímpico do Japão (JOC). Na reunião realizada na quarta-feira (3 de fevereiro), Mori afirma que muitas mulheres membros do comitê prolongam as reuniões porque falam demais. No mesmo dia, a polêmica provocou uma reação negativa na internet do Japão e foi amplamente divulgado na mídia estrangeira. Na quinta-feira (4 de fevereiro), Mori foi obrigado a realizar uma coletiva de imprensa para formalizar o seu pedido de desculpas pelo comentário inapropriado da reunião do dia anterior. 

O Comitê Olímpico Internacional (COI) disse no dia 4 de fevereiro que o pedido de desculpas de Mori tinha resolvido a questão. Mas a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, disse que os Jogos Olímpicos enfrentavam um "grande problema". 

A ativista estudantil Momoko Nojo, líder do grupo chamado "No Youth, No Japan", disse que ela e outros ativistas iniciaram uma petição no site "Change.org" para transmitir o descontentamento do público em relação a Mori.

"A Olímpiada é um evento internacional e Yoshiro Mori é a principal pessoa que representa o Japão. Não é certo que ele faça tais comentários deixando a questão por isso mesmo e concluindo que se trata apenas de um senhor idoso. Se há pessoas que pensam e dizem  que isso tudo está errado, nós, o povo, temos que dar a voz", disse Nojo.

A petição apela ao JOC para tomar medidas contra Mori ou a sua renúncia do cargo. Nojo disse que o incidente irritou muitas pessoas no Japão e expôs problemas sociais mais amplos.

"Essa situação com Mori não é apenas um problema pessoal dele ou das Olímpiadas. Também é um problema dentro das empresas e estruturas organizacionais "de cima para baixo" da sociedade japonesa. As pessoas de uma empresa não conseguem reagir quando um superior diz algo errado e desatualizado. Queremos aproveitar essa oportunidade para mudar isso por meio de nossa petição, criando uma discussão entre as pessoas para que a nossa sociedade mude para melhor", conclui Nojo.

O Japão persistentemente está atrás de seus pares na promoção da igualdade de gêneros. Atualmente, o país ocupa a 121º posição entre as 153 nações pesquisadas, de acordo com o relatório de disparidade de gênero global 2020 do Fórum Econômico Mundial.  

O descontentamento causado pelo comentário polêmico de Mori ficou evidente em algumas mensagens postadas na petição: "Por favor, faça uma mudança geracional", escreveu um signatário. "Não despreze as mulheres" e "O chefe do comitê deveria renunciar", diziam outras mensagens.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados por um ano devido à pandemia do COVID-19. A cerimônia de abertura dos jogos está programada para 23 de julho deste ano.


Fonte: Reuters.

    
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