Mais de 100.000 pessoas assinaram uma petição contra Mori após comentário sexista.
Tóquio - Uma petição pedindo ações contra Yoshiro Mori, chefe do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio, alcançou a marca de mais 100 mil assinaturas hoje, 06 de fevereiro, após ativistas japoneses formalizarem o pedido na internet.
Yoshiro Mori pede desculpas durante a coletiva de imprensa no dia 4. Foto: Reuters.
Yoshiro Mori, ex-primeiro-ministro de 83 anos, desencadeou a repulsa de muitas pessoas, nacionalmente e internacionalmente, após fazer um comentário sexista durante uma reunião com o Comitê Olímpico do Japão (JOC). Na reunião realizada na quarta-feira (3 de fevereiro), Mori afirma que muitas mulheres membros do comitê prolongam as reuniões porque falam demais. No mesmo dia, a polêmica provocou uma reação negativa na internet do Japão e foi amplamente divulgado na mídia estrangeira. Na quinta-feira (4 de fevereiro), Mori foi obrigado a realizar uma coletiva de imprensa para formalizar o seu pedido de desculpas pelo comentário inapropriado da reunião do dia anterior.
O Comitê Olímpico Internacional (COI) disse no dia 4 de fevereiro que o pedido de desculpas de Mori tinha resolvido a questão. Mas a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, disse que os Jogos Olímpicos enfrentavam um "grande problema".
A ativista estudantil Momoko Nojo, líder do grupo chamado "No Youth, No Japan", disse que ela e outros ativistas iniciaram uma petição no site "Change.org" para transmitir o descontentamento do público em relação a Mori.
"A Olímpiada é um evento internacional e Yoshiro Mori é a principal pessoa que representa o Japão. Não é certo que ele faça tais comentários deixando a questão por isso mesmo e concluindo que se trata apenas de um senhor idoso. Se há pessoas que pensam e dizem que isso tudo está errado, nós, o povo, temos que dar a voz", disse Nojo.
A petição apela ao JOC para tomar medidas contra Mori ou a sua renúncia do cargo. Nojo disse que o incidente irritou muitas pessoas no Japão e expôs problemas sociais mais amplos.
"Essa situação com Mori não é apenas um problema pessoal dele ou das Olímpiadas. Também é um problema dentro das empresas e estruturas organizacionais "de cima para baixo" da sociedade japonesa. As pessoas de uma empresa não conseguem reagir quando um superior diz algo errado e desatualizado. Queremos aproveitar essa oportunidade para mudar isso por meio de nossa petição, criando uma discussão entre as pessoas para que a nossa sociedade mude para melhor", conclui Nojo.
O Japão persistentemente está atrás de seus pares na promoção da igualdade de gêneros. Atualmente, o país ocupa a 121º posição entre as 153 nações pesquisadas, de acordo com o relatório de disparidade de gênero global 2020 do Fórum Econômico Mundial.
O descontentamento causado pelo comentário polêmico de Mori ficou evidente em algumas mensagens postadas na petição: "Por favor, faça uma mudança geracional", escreveu um signatário. "Não despreze as mulheres" e "O chefe do comitê deveria renunciar", diziam outras mensagens.
Os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados por um ano devido à pandemia do COVID-19. A cerimônia de abertura dos jogos está programada para 23 de julho deste ano.
Fonte: Reuters.
Nenhum comentário:
Postar um comentário