terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Marcas de um passado americano.

Prisão de nipo-americanos, na época da Segunda Guerra Mundial, é lembrada em eventos nos Estados Unidos.


Washington - Durante a Segunda Guerra Mundial, o dia 7 de dezembro de 1941 ficou marcado pelo ataque militar japonês contra os Estados Unidos na base naval de Pearl Harbor, em Honolulu, Havaí. O ataque surpresa, feito pelo serviço aéreo imperial da marinha japonesa, levou os Estados Unidos a entrar formalmente na guerra no dia seguinte.

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Prisão de nipo-americanos, na época da Segunda Guerra Mundial, é lembrada em eventos nos Estados Unidos.
O dia do aniversário da lei que obrigou o encarceramento dos nipo-americanos em campos de concentração nos Estados Unidos, na época da Segunda Guerra, é lembrado durante os eventos de debate, em alguns estados americanos. Foto: NHK News.

Cerca de dois meses após o ataque, o governo norte-americano decidiu privar todos os descendentes de japoneses, residentes nos Estados Unidos, de seus direitos civis dentro do território americano.

Em 19 de fevereiro de 1942, o então presidente norte-americano, Franklin Roosevelt, assinou uma ordem executiva que levou ao encarceramento de vários nipo-americanos, desde imigrantes japoneses até os seus filhos nascidos na América. 

Cerca de 120.000 americanos de ascendência japonesa e outros japoneses foram enviados como estrangeiros hostis para os campos de concentração construídos nos Estados Unidos. Os campos, situados em 7 estados norte-americanos, ficaram ocupados por prisioneiros entre os anos de 1942 e 1948.

Para lembrar os 80 anos da ordem de encarceramento dos nipo-americanos, eventos foram realizados nos Estados Unidos no último sábado, 19 de fevereiro, com a intenção de aumentar a conscientização sobre a discriminação racial no país.

Um painel de discussão foi realizado no estado americano de Idaho, lugar onde abrigou um dos campos de concentração para asiáticos.

Um palestrante nipo-americano, Jon Osaki, cujos pais foram enviados para um campo de concentração, disse que as pessoas dos Estados Unidos deram as costas ao encarceramento dos descendentes de japoneses durante a guerra. Ele ainda afirmou que problemas semelhantes existem até hoje no país.

Outro membro do painel de discussão, Ronald Bush (um ex-juiz americano), disse que está havendo um rápido e grave aumento dos crimes de ódio no país, com alguns dados sugerindo que um, em cada cinco asiáticos, foi vítima de racismo. Ele complementou dizendo que isso mostra que a discriminação racial continua sendo um sério problema na sociedade atual.

Na última sexta-feira, o atual presidente norte-americano, Joe Biden, divulgou uma declaração sobre uma ordem executiva na imprensa americana. Ele disse que os Estados Unidos nunca mais se envolverão em um ato tão anti-americano que foi a prisão dos nipo-americanos na década de 40.


Fontes: NHK News / Wikipédia.


Imagem das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022

Imagem das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022.
Cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022 - mensagem no topo do Estádio Nacional de Pequim: "Um Mundo": Estamos todos em um único mundo! Foto: Getty Images.


Tabela de Medalhas de Pequim 2022
Tabela de Medalhas de Pequim 2022.
Quadro final de medalhas das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - 20 de fevereiro de 2022. Fonte: Olympics.com


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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Vítimas de Hiroshima em quadrinhos.

História em quadrinhos, feita no Brasil, relata o drama dos sobreviventes da bomba atômica.


São Paulo - Após o fim da segunda guerra mundial, alguns dos sobreviventes da bomba atômica de Hiroshima decidiram tentar uma nova vida no Brasil. Mais de 75 anos depois da explosão da bomba e vivendo em terras brasileiras, os depoimentos e as experiências dos "Hibakusha" (termo japonês que significa aqueles que foram afetados por bombas) foram transformados em história em quadrinhos. O responsável pelo projeto foi um professor brasileiro da Universidade de Sorocaba, engajado em escrever um livro sobre o assunto.

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História em quadrinhos, feita no Brasil, relata o drama dos sobreviventes da bomba atômica.
Takashi Morita (direita), sobrevivente da explosão da bomba atômica de Hiroshima, encontra-se com o professor de jornalismo Guilherme Profeta (esquerda) em São Paulo (Brasil), no dia 16 de novembro de 2018. Foto: Guilherme Profeta.

Entitulado como "Projeto Hibakusha", o livro de 157 páginas foi escrito, ilustrado e desenhado só por brasileiros. O autor, Guilherme Profeta, professor de jornalismo da Universidade de Sorocaba, engajou-se no projeto na esperança de utilizar a obra como material de aprendizagem. Segundo o autor, é uma forma de transmitir as memórias dos sobreviventes da bomba atômica para as gerações mais jovem.

Em uma parte da história em quadrinhos, o professor Guilherme entrevista Takashi Morita (97 anos) e Junko Watanabe (79 anos), ambos sobreviventes da bomba atômica de Hiroshima e que vivem no Brasil.

De acordo com o relato de Morita, no dia da explosão da bomba atômica, ele tinha 21 anos e estava de plantão como policial militar em uma rua, localizada a uma distância de 1,5 km do centro da cidade de Hiroshima. Com o fim da segunda guerra mundial, ele emigrou do Japão para o Brasil, em fevereiro de 1956. 

No Brasil, Morita trouxe a família consigo, conseguindo criar os dois filhos, nascidos em Hiroshima, no novo país. Em 1984, ele fundou a Associação das Vítimas da Bomba Atômica no Brasil, desempenhando um papel central no apoio aos sobreviventes da bomba de Hiroshima que residem em terras brasileiras.

A outra sobrevivente da bomba atômica, Junko Watanabe, descobriu, aos 38 anos de idade, que foi exposta à chuva negra radioativa de Hiroshima quando era criança, após uma conversa séria com os seus pais.  Na entrevista com o professor Guilherme, ela se esforçou para falar abertamente sobre suas experiências, sentindo a necessidade de expressar os seus pensamentos como uma "Hibakusha".

Depois de entrevistar os dois japoneses Hibakushas, o professor brasileiro viajou para o Japão, com o intuito de conhecer a cidade de Hiroshima. Pelo o que viu por lá, Guilherme teve a necessidade de retratar o "Ceifador" em sua obra, para expressar a imagem de morte que o professor sentiu em sua visita a Hiroshima. Em uma cena da história em quadrinhos, o Ceifador é ilustrado dizendo o seguinte no dia 6 de agosto de 1945 (dia da explosão da bomba atômica): "Hoje será um dia muito agitado".

Através da sua versão sobre a explosão da bomba de Hiroshima, o professor Guilherme espera que as pessoas sejam estimuladas a conhecer a historia das vítimas. Compreendendo o assunto, as pessoas estarão conscientes de como evitar uma nova guerra nuclear. Elas também pensarão em suas próprias formas de recontar a história de Hiroshima, garantindo que mais pessoas fiquem sabendo sobre os terrores da guerra.

Colaboradora do projeto, Priscila Nakajima, designer gráfica e nipo-brasileira de quarta geração, disse que quando participou da produção dos quadrinhos, ela percebeu com emoção que havia pessoas ao seu redor que vivenciaram o bombardeio atômico de Hiroshima. Priscila disse: "Não podemos apagar o que aconteceu no passado. Entretanto, podemos continuar recontando essa história para que não aconteça novamente no futuro".

Em março de 2020, um total em dinheiro de R$ 13.365 (cerca de US$ 2.600) foi arrecadado pelo autor, por meio de um financiamento coletivo, para a publicação da obra, só no Brasil. A história em quadrinhos sobre Hiroshima foi publicado em 600 exemplares e lançado para a venda em julho de 2020.

Um exemplar do "Projeto Hibakusha" está guardado na biblioteca da Universidade de Sorocaba. Aparentemente, a obra de Guilherme já foi usada durante as aulas de jornalismo da universidade. Uma outra cópia da obra foi doada ao Museu Memorial da Paz de Hiroshima, podendo ser vista no primeiro andar do subsolo da biblioteca da instituição japonesa. Guilherme expressa esperanças de uma versão em japonês de sua história em quadrinhos.

No final de 2021, havia apenas 72 hibakushas ainda vivos e vivendo no Brasil. No passado, o número de sobreviventes da bomba de Hiroshima que viviam no Brasil chegou a ter cerca de 240 hibakushas. A Associação das Vítimas da Bomba Atômica no Brasil (fundada por Morita) cresceu e tornou-se uma organização certificada pelo governo brasileiro, formando a Associação da Paz dos Sobreviventes da Bomba Atômica no Brasil. No entanto, as atividades da "APSBAB" se cessaram no final de 2020. Atualmente, Takashi Morita e outros hibakushas, baseados no Brasil, continuam dando palestras e apresentando esquetes, em pequenos grupos pelo território brasileiro.

Em março de 2021, de acordo com o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, havia cerca de 2.800 sobreviventes de bombas atômicas que viviam fora do Japão (todos registrados como sobreviventes de bombas atômicas pelo governo japonês). Em 2015, o número era, aproximadamente, 3.400 sobreviventes registrados ainda vivos, segundo uma pesquisa da época.


Fonte: The Mainichi. 


Imagem das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - Domingo, dia 20.

Imagem das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - Domingo, dia 20.
Final da cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022: fogos de artifício iluminam o céu sobre o Estádio Nacional de Pequim, em 20 de fevereiro. A próxima Olimpíadas de Inverno será em 2026, nas cidades de Milano e Cortina d'Ampezzo, na Itália. Até breve! Foto: Kyodo News.


Quadro parcial de medalhas das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - 20 de fevereiro de 2022. Fonte: Olympics.com


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