quinta-feira, 16 de junho de 2022

Tempos difíceis para a sociedade japonesa.

Aumento de preços atinge famílias de baixa renda no Japão.


Tóquio - "Os efeitos do aumento de preços no cotidiano das pessoas". Esse é o tema de uma pesquisa sobre até que ponto o encarecimento de produtos do dia a dia (principalmente os alimentos) está prejudicando as famílias de baixa renda no Japão. Mais da metade dos entrevistados respondeu que foi forçada a reduzir o número de refeições para seus filhos.

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Aumento de preços atinge famílias de baixa renda no Japão.
Entidade realizou uma pesquisa para saber os efeitos do aumento de preços no cotidiano das pessoas no Japão. Foto: NHK News.

A organização sem fins lucrativos Kidsdoor, com sede em Tóquio, entrevistou cerca de 1.400 famílias de baixa renda com crianças em idade escolar. A pesquisa durou cinco dias e terminou nesta terça-feira, 14 de junho.

A grande maioria dos entrevistados, cerca de 85%, disse que os aumentos de preços estavam tornando a vida "mais difícil" e "muito mais difícil" no Japão. Quase a metade das famílias entrevistadas (48%) afirmou que a vida atual está "muito mais difícil". 

Cerca de 64% dos entrevistados respondeu que não podia mais dar aos filhos refeições nutricionalmente equilibradas. Muitas famílias, cerca de 60%, afirmaram que estavam dando menos refeições aos filhos em geral. Cerca de 37% das famílias disse que não podia comprar mais carne ou peixe para as refeições.

"As pessoas já estavam lutando para viver durante a pior fase da pandemia do coronavírus. Agora, os aumentos de preços estão tornando a vida ainda mais difícil no Japão. Devemos ajudar essas pessoas. Isso está ficando sério", disse Yumiko Watanabe, presidente do conselho da Kidsdoor.

A partir de julho deste ano, a Kidsdoor planeja oferecer ajuda alimentar para famílias, com crianças, que passam por dificuldades financeiras. Na próxima segunda-feira (20 de junho), a entidade lançará uma campanha de financiamento coletivo para a coleta de doações.


Fonte: NHK News.

 
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quarta-feira, 15 de junho de 2022

Dificuldades para os empresários.

Iene fraco e aumento de preços provocam o fechamento de pequenas empresas no Japão.


Tóquio - Com o apoio do governo do Japão, muitas pequenas e médias empresas conseguiram manter suas portas abertas durante a fase mais difícil da pandemia do coronavírus. Mas agora, com o enfraquecimento muito rápido do iene e a inflação crescente no país, muitos negócios não estão suportando a atual situação da economia japonesa.

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Iene fraco e aumento de preços provocam o fechamento de pequenas empresas no Japão.
Hiroasa Seto, ex-gerente de uma casa de banhos públicos em Tóquio, mostra um cartaz dizendo que a Chiyo No Yu (nome da casa de banhos) encerrou suas atividades comerciais. Foto: Hideaki Sato. 

Embora a desvalorização do iene esteja inflando os lucros de grandes empresas japonesas que operam no exterior, empresas familiares, e outros pequenos negócios, não estão suportando os aumentos de suas despesas.

Na segunda-feira, 13 de junho, a cotação da moeda japonesa atingiu o valor de 135,22 iene, para cada dólar americano negociado. É o valor mais baixo da cotação do iene desde outubro de 1998.

Economistas japoneses disseram que, provavelmente, a moeda japonesa fraca e preços mais altos ao consumidor continuarão seguindo esse ritmo por um bom tempo. Isso é uma má notícia para as pequenas empresas do Japão.

Em 8 de junho, uma empresa de pesquisa de mercado, a Teikoku Databank Ltd., informou que 517 empresas faliram no Japão em maio de 2022. Isso representa um aumento de 12,1% de falências em comparação ao mesmo mês de 2021.

A maioria das empresas japonesas, que faliu no mês passado, era de pequeno e médio porte. Os donos dessas empresas falidas citaram dificuldades para se manter abertas com os constantes aumentos dos preços de materiais e combustíveis.

As medidas de apoio do governo contra a COVID-19 durante todo o período da pandemia, ajudaram as pequenas empresas a se manterem à tona. Agora, a luta é contra o aumento de preços e a desvalorização do iene.

"A maré está mudando", disse um funcionário da Teikoku Databank.

Sendo dependentes de grandes empresas, as pequenas empresas acabam comprando seus materiais e combustíveis importados, constantemente, de grandes fornecedores. Desde o início da invasão russa na Ucrânia em fevereiro deste ano, os grandes fornecedores vêm repassando os aumentos dos produtos importados para seus clientes no Japão. Não é fácil, para as pequenas e médias empresas, repassar os custos extras aos consumidores. Muitos consumidores assalariados não têm condições de pagar pelo aumento do produto ou serviço dessas pequenas empresas, pois os reajustes de seus salários são quase inexistentes ou minúsculos no país.

Para lojas de "produtos 100 ienes", aumentar os preços muito acima dos 100 ienes anularia totalmente o propósito do negócio: vender mercadorias baratas. Uma empresa desse ramo, a Prodire Inc., acabou fechando todas suas nove lojas de 100 ienes em Tóquio até o final de maio deste ano.

Uma casa de banhos públicos (conhecida como sento), localizada no distrito de Nakano (Tóquio), fechou definitivamente suas portas em 4 de junho, após 70 anos de atividades. Durante a pandemia, o número de seu movimento foi, aproximadamente, de 50 clientes por dia. Isso representa apenas um terço do movimento normal da casa de banhos em dias normais. Outro problema: o encarecimento das contas de eletricidade e de gás aumentou as dificuldades do negócio.

"Nos últimos dias, estávamos operando a casa de banhos apenas para pagar a conta de gás. Conseguimos segurar as pontas até agora porque éramos uma empresa familiar. Estaríamos endividados se tivéssemos empregando pessoas", disse o gerente Hiroasa Seto (79 anos).

Em uma pesquisa da Keizai Doyukai (Associação Japonesa de Executivos Corporativos) realizada este mês com as empresas associadas, mais de 70% dos entrevistados disseram acreditar que o iene mais fraco está tendo um "impacto negativo" ou um "impacto pouco negativo" na economia. Apenas 3,1% dos associados disseram que o iene fraco está tendo um "impacto positivo" na economia.

"As pequenas e médias empresas têm poder de compra mais fraco do que suas contrapartes maiores. Elas são mais vulneráveis a aumento de preços de produtos importados, causados pelo câmbio desfavorável", disse Shumpei Fujita, vice-pesquisador-chefe da Mitsubishi UFJ Research and Consulting Co.

"A chave para a sobrevivência das pequenas empresas é saber como repassar os aumentos aos consumidores e ter lucro. A demanda fraca ainda pode se recuperar após a redução de casos da COVID-19 no país", explicou Fujita.

Embora muitas empresas estejam sendo prejudicadas com a atual situação da economia japonesa, muitas empresas de grande porte estão se beneficiando com a desvalorização do iene.

De acordo com a SMBC Nikko Securities Inc., 1.321 empresas listadas na antiga Primeira Seção da Bolsa de Valores de Tóquio (excluindo instituições financeiras) tiveram um lucro líquido total recorde de 34,1 trilhões de ienes, para o ano fiscal de 2021-2022 (encerrado em março deste ano). Isso representa um aumento de 37,7% no lucro das mesmas empresas no ano fiscal de 2020-2021.


Fonte: The Asahi Shimbun.

  
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