quarta-feira, 15 de junho de 2022

Dificuldades para os empresários.

Iene fraco e aumento de preços provocam o fechamento de pequenas empresas no Japão.


Tóquio - Com o apoio do governo do Japão, muitas pequenas e médias empresas conseguiram manter suas portas abertas durante a fase mais difícil da pandemia do coronavírus. Mas agora, com o enfraquecimento muito rápido do iene e a inflação crescente no país, muitos negócios não estão suportando a atual situação da economia japonesa.

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Iene fraco e aumento de preços provocam o fechamento de pequenas empresas no Japão.
Hiroasa Seto, ex-gerente de uma casa de banhos públicos em Tóquio, mostra um cartaz dizendo que a Chiyo No Yu (nome da casa de banhos) encerrou suas atividades comerciais. Foto: Hideaki Sato. 

Embora a desvalorização do iene esteja inflando os lucros de grandes empresas japonesas que operam no exterior, empresas familiares, e outros pequenos negócios, não estão suportando os aumentos de suas despesas.

Na segunda-feira, 13 de junho, a cotação da moeda japonesa atingiu o valor de 135,22 iene, para cada dólar americano negociado. É o valor mais baixo da cotação do iene desde outubro de 1998.

Economistas japoneses disseram que, provavelmente, a moeda japonesa fraca e preços mais altos ao consumidor continuarão seguindo esse ritmo por um bom tempo. Isso é uma má notícia para as pequenas empresas do Japão.

Em 8 de junho, uma empresa de pesquisa de mercado, a Teikoku Databank Ltd., informou que 517 empresas faliram no Japão em maio de 2022. Isso representa um aumento de 12,1% de falências em comparação ao mesmo mês de 2021.

A maioria das empresas japonesas, que faliu no mês passado, era de pequeno e médio porte. Os donos dessas empresas falidas citaram dificuldades para se manter abertas com os constantes aumentos dos preços de materiais e combustíveis.

As medidas de apoio do governo contra a COVID-19 durante todo o período da pandemia, ajudaram as pequenas empresas a se manterem à tona. Agora, a luta é contra o aumento de preços e a desvalorização do iene.

"A maré está mudando", disse um funcionário da Teikoku Databank.

Sendo dependentes de grandes empresas, as pequenas empresas acabam comprando seus materiais e combustíveis importados, constantemente, de grandes fornecedores. Desde o início da invasão russa na Ucrânia em fevereiro deste ano, os grandes fornecedores vêm repassando os aumentos dos produtos importados para seus clientes no Japão. Não é fácil, para as pequenas e médias empresas, repassar os custos extras aos consumidores. Muitos consumidores assalariados não têm condições de pagar pelo aumento do produto ou serviço dessas pequenas empresas, pois os reajustes de seus salários são quase inexistentes ou minúsculos no país.

Para lojas de "produtos 100 ienes", aumentar os preços muito acima dos 100 ienes anularia totalmente o propósito do negócio: vender mercadorias baratas. Uma empresa desse ramo, a Prodire Inc., acabou fechando todas suas nove lojas de 100 ienes em Tóquio até o final de maio deste ano.

Uma casa de banhos públicos (conhecida como sento), localizada no distrito de Nakano (Tóquio), fechou definitivamente suas portas em 4 de junho, após 70 anos de atividades. Durante a pandemia, o número de seu movimento foi, aproximadamente, de 50 clientes por dia. Isso representa apenas um terço do movimento normal da casa de banhos em dias normais. Outro problema: o encarecimento das contas de eletricidade e de gás aumentou as dificuldades do negócio.

"Nos últimos dias, estávamos operando a casa de banhos apenas para pagar a conta de gás. Conseguimos segurar as pontas até agora porque éramos uma empresa familiar. Estaríamos endividados se tivéssemos empregando pessoas", disse o gerente Hiroasa Seto (79 anos).

Em uma pesquisa da Keizai Doyukai (Associação Japonesa de Executivos Corporativos) realizada este mês com as empresas associadas, mais de 70% dos entrevistados disseram acreditar que o iene mais fraco está tendo um "impacto negativo" ou um "impacto pouco negativo" na economia. Apenas 3,1% dos associados disseram que o iene fraco está tendo um "impacto positivo" na economia.

"As pequenas e médias empresas têm poder de compra mais fraco do que suas contrapartes maiores. Elas são mais vulneráveis a aumento de preços de produtos importados, causados pelo câmbio desfavorável", disse Shumpei Fujita, vice-pesquisador-chefe da Mitsubishi UFJ Research and Consulting Co.

"A chave para a sobrevivência das pequenas empresas é saber como repassar os aumentos aos consumidores e ter lucro. A demanda fraca ainda pode se recuperar após a redução de casos da COVID-19 no país", explicou Fujita.

Embora muitas empresas estejam sendo prejudicadas com a atual situação da economia japonesa, muitas empresas de grande porte estão se beneficiando com a desvalorização do iene.

De acordo com a SMBC Nikko Securities Inc., 1.321 empresas listadas na antiga Primeira Seção da Bolsa de Valores de Tóquio (excluindo instituições financeiras) tiveram um lucro líquido total recorde de 34,1 trilhões de ienes, para o ano fiscal de 2021-2022 (encerrado em março deste ano). Isso representa um aumento de 37,7% no lucro das mesmas empresas no ano fiscal de 2020-2021.


Fonte: The Asahi Shimbun.

  
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