quinta-feira, 31 de março de 2022

Desvalorização do iene frente ao dólar.

Chefe do Banco do Japão não vê impacto direto entre as operações de mercado e a cotação do iene.


Tóquio - Desde segunda-feira, 28 de março, o Banco do Japão (BOJ -  equivalente ao Banco Central do Brasil) tem realizado compras de quantidades ilimitadas de títulos do governo, com uma taxa de juros fixa. A intenção é estabilizar as taxas de juros dos títulos de longo prazo. A ação do BOJ, no primeiro dia de intervenção, fez com que o iene, a moeda do Japão, desvaloriza-se frente ao dólar.

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Chefe do Banco do Japão não vê impacto direto entre as operações de mercado e a cotação do iene.
Na quarta-feira, 30 de março, o chefe do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, se reune com a imprensa, depois de conversar com o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida. Foto: Kyodo.

O BOJ tem comprado os títulos (JGB) de longo prazo (10 anos) com uma taxa fixa de 0,25%. Até terça-feira, o BOJ efetuou a compra de aproximadamente 528 bilhões de ienes (US$ 4,3 bilhões) em títulos do governo japonês. A intervenção do banco, na compra dos títulos, vai continuar até quinta-feira, 31 de março.

É a primeira vez que o Banco do Japão efetua uma intervenção como essa, em 4 dias consecutivos.

"As operações do Banco do Japão na compra de quantidades ilimitadas de títulos do governo japonês servem para conter o aumento das taxa de juros de longo prazo dos mesmos títulos. Isso não tem um impacto "grande e direto" na desvalorização do iene", disse o chefe do BOJ, Haruhiko Kuroda, nesta quarta-feira.

As ações do BOJ enfraqueceram fortemente o iene na segunda-feira. A moeda japonesa chegou a ser cotado a 125 ienes por dólar. Essa foi a maior desvalorização, frente ao dólar, em mais de 6 anos e meio.

A recente desvalorização do iene ocorre num período em que a demanda dos importadores japoneses continua forte (alimentos importados, remédios, insumos, etc.) mesmo com a alta dos preços de energia (combustíveis, gás natural, carvão), inflacionando mais os preços dos produtos no varejo. Por outro lado, o iene desvalorizado tem aumentado os lucros dos exportadores japoneses (carros, maquinários, etc). O valor ideal da cotação do iene, em relação ao dólar, tem sido uma dor de cabeça para o Japão manter o seu controle.

"Eu disse ao primeiro-ministro que é desejável que as taxas de câmbio se movam de maneira estável e reflitam os fundamentos econômicos. Também foi discutido o impacto da invasão russa na Ucrânia na economia global", informou Kuroda após se encontrar com o Fumio Kishida.

Depois da reunião entre Kuroda e Kishida ser noticiada pela imprensa japonesa, o dólar ficou cotado abaixo dos 121,50 ienes. 

O BOJ tem lutado para impedir qualquer aumento nos juros dos títulos do governo. Vendo que a taxa de juros dos títulos de 10 anos estava aumentando gradualmente, o BOJ começou a intervir no mercado financeiro. A compra ilimitada de títulos a uma taxa fixa de 0,25% foi estabelecido pelo BOJ como parte do seu programa de controle da curva de rendimento projetado. Assim, controlando as taxas de juros dos títulos, o BOJ consegue manter baixo os valores dos empréstimos destinados para famílias e empresas.

Kuroda afirma que um iene desvalorizado é positivo para a economia. Já a inflação de commodities (matérias-primas e produtos não industrializados importados pelo Japão) não levará o BOJ a mudar a sua política monetária.

Em outros lugares, a medida do Japão é oposta do FED (Banco Central Americano) e do Banco Central da Europa. Tanto os Estados Unidos quanto os países da Europa, têm tentado controlar a alta da inflação, agravada pela pandemia do coronavírus e pela guerra Rússia-Ucrânia.


Fontes: NHK News / The Mainichi / Reuters.


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quarta-feira, 30 de março de 2022

Novas sanções contra a guerra na Ucrânia.

Japão proíbe a exportação de artigos de luxo para a Rússia.


Tóquio - Como parte das sanções econômicas pela guerra na Ucrânia, o governo japonês aprovou nesta terça-feira, 29 de março, a proibição de exportações de carros de luxo (e outros itens de luxo) para a Rússia.

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Japão proíbe a exportação de artigos de luxo para a Rússia.
O governo do Japão aprovou novas sanções contra a Rússia nesta terça-feira, 29 de março. Agora fica proibido a exportação de carros de luxo e outros artigos de grande valor para o território russo. Foto: Kyodo News.

O gabinete do primeiro-ministro Fumio Kishida revisou uma portaria para implementar o embargo contra a Rússia em 5 de abril, também abrangendo jóias valiosas e obras de arte.

A medida visa aumentar a pressão sobre os empresários que apoiam financeiramente o presidente russo, Vladimir Putin. Os Estados Unidos e os países da União Européia já adotaram medidas semelhantes contra a Rússia.

"Trabalharemos com a comunidade internacional, incluindo o Grupo dos Sete (G7), para implementar sanções mais duras", disse em uma entrevista coletiva Koichi Hagiuda, Ministro da Economia, do Comércio e da Indústria do Japão.

Em 2006, o Japão também impôs uma proibição semelhante às exportações de bens de luxo para a Coréia do Norte.  Naquela época, a capital Pyongyang havia anunciado a realização de um teste nuclear. Por esse motivo, o governo japonês proibiu totalmente as importações e exportações entre Japão e Coréia do Norte.

A invasão russa na Ucrânia já foi recebida com uma série de sanções internacionais. Uma dessas sanções foi o congelamento de ativos do banco central russo. Isso provocou a proibição de transações financeiras entre importantes instituições bancárias russas e um importante sistema internacional de pagamento.

Junto com os Estados Unidos e os países europeus, o Japão também decidiu retirar a Rússia do status de "nação mais favorecida". Com esse antigo status, Moscou tinha as melhores condições comerciais em produtos-chaves, sob as regras da Organização Mundial do Comércio.


Fonte: Kyodo News.


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