quarta-feira, 16 de junho de 2021

Tratamento rígido durante as Olímpiadas.

Expulsão do Japão caso algum atleta olímpico desrespeite as regras do combate à COVID-19.


Tóquio - Os atletas estrangeiros que competirão durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio poderão ser expulsos do Japão se alguns deles violarem os regulamentos de prevenção de infecções do coronavírus. As regras do combate a doença estão num livro lançado nesta terça-feira, 15 de junho.

Expulsão do Japão caso algum atleta olímpico desrespeite as regras do combate à COVID-19.
Atletas devem obedecer às regras do manual olímpico no combate ao coronavírus no Japão. Foto: Reuters.

A terceira e mais nova versão do manual (o playbook), com várias medidas para combater à COVID-19, afirma que os atletas podem enfrentar outras penalidades no caso de não cumprimento das regras: retirada do credenciamento e do direito de participar dos jogos olímpicos, assim como uma multa.

"Pode haver consequências impostas a você no caso de violação de medidas ou instruções, assim como estar sujeito a medidas administrativas estritas. Isso também inclui medidas para os procedimentos na revogação da autorização de estadia no Japão", de acordo com o documento. Também é observado que algumas das etapas estão sob a jurisdição das autoridades japonesas.

O manual, ou livro de regras que foi criado pelos organizadores das Olímpiadas com assessoria da Organização Mundial da Saúde, especifica como e quando os atletas serão testados para o vírus durante os jogos. Também explica o que acontecerá se um teste do atleta der positivo.

Os atletas, que serão rastreados diariamente, terão a responsabilidade de enviar suas amostras de saliva às 9 horas da manhã  ou às 18 horas, por meio de oficiais ligados ao combate à COVID-19 e também de seus respectivos comitês olímpicos de seus países.

Se o resultado do atleta der positivo, eles precisarão fazer um teste de reação em cadeia da polimerase, usando um cotonete nasal.

Um centro de controle de infecções foi estabelecido pelo comitê organizador dos Jogos de Tóquio. O centro é responsável por confirmar um teste de COVID-19 positivo e identificar os indivíduos que estiveram próximos da pessoa cujo teste foi positivado. O lugar também será coordenado com uma unidade de apoio, operada por oficiais do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do Comitê Paraolímpico Internacional.

De acordo com os organizadores, as regras do playbook entrarão em vigor a partir de 1º de julho. Os manuais para funcionários e trabalhadores, incluindo afiliados de patrocinadores corporativos e a mídia, serão lançados numa data posterior.

Os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio terão cerca de 15.000 atletas de todo o mundo. Haverá cerca de 78.000 funcionários e trabalhadores estrangeiros, menos da metade dos 180.000 pessoas inicialmente planejado.

Faltando um pouco mais de um mês para a abertura das Olimpíadas, o presidente do COI, Thomas Bach, disse na semana passada que os organizadores dos jogos estão em uma "fase de entrega total".

Os organizadores, incluindo o governo japonês e metropolitano de Tóquio, já tinham decididos não realizar os Jogos Olímpicos com a presença de espectadores vindos do exterior.

Haverá uma decisão no final deste mês sobre a política a ser adotada para os espectadores que vivem no Japão. O governo japonês está estudando a permissão de até 10.000 pessoas nos locais dos jogos.

Tóquio e algumas províncias do país estão atualmente em estado de emergência, que está programado para terminar no dia 20 de junho. 

No entanto, o governo está considerando colocar Tóquio no estado de quase-emergência durante as Olimpíadas. A ideia é baseada nas opiniões de vários especialistas em saúde do Japão que expressaram preocupação com o potencial aumento nos casos de COVID-19 na capital durante os jogos.


Fonte: Kyodo News.


     
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terça-feira, 15 de junho de 2021

Vivendo com uma refeição por dia.

O drama de um estudante estrangeiro na sua luta para sobreviver no Japão.


Tóquio - Um estudante da Mongólia, que faz universidade no Japão, está fazendo o maior esforço para sobreviver na cidade de Tóquio, depois de perder seu emprego em meio à pandemia do coronavírus.

O drama de um estudante estrangeiro na sua luta para sobreviver no Japão.
O universitário entrando em contato com os seus pais na Mongólia pelo seu smartphone. Foto: Mainichi.

O jovem de 21 anos (que prefere não se identificar) relata que só pode fazer uma refeição por dia e tem recebido ligações diárias da empresa fiadora que cobra dele o aluguel atrasado do apartamento onde vive. Sobre as atuais circunstâncias, ele desabafa abaixando a cabeça: "Fiz todo o caminho para o Japão, mas é extremamente lamentável."

O estudante ansiava por viver no Japão depois de ter residido no país por três anos. Naquela época, ele era só um estudante do ensino fundamental enquanto vivia com o seu pai que trabalhava numa empresa japonesa. Já crescido, ele estudou japonês no seu país e fez o teste de proficiência em língua japonesa, passando no nível 2 (o segundo mais alto). Após o teste, ele se mudou para o Japão há três anos e começou a estudar administração numa universidade japonesa. Quando estava no segundo ano da universidade, ele fez novamente o teste de proficiência da língua japonesa e passou no teste de nível 1 (o mais alto). Ele fala o japonês fluentemente.

De acordo com as leis japonesas,  os alunos estrangeiros podem trabalhar até 28 horas por semana no Japão. O rapaz teve empregos de meio período desde que entrou na universidade japonesa, trabalhando principalmente em lojas de conveniência. Ele ganhava em média 80.000 ienes por mês (cerca de US$ 729). Com o dinheiro que recebia, ele pagava o aluguel, contas de serviços públicos, telefone e alimentação. Seus pais tomam emprestado dinheiro para conseguir pagar as mensalidades da universidade em que estuda, que é cerca de 800.000 ienes por ano (US$ 7.300). Dessa forma, o estudante não pode esperar que seus pais lhe ajudem a pagar as suas outras despesas mensais no Japão.

O universitário estava apenas conseguindo sobreviver no país quando a pandemia do coronavírus chegou. O número de clientes na loja de conveniência onde trabalhava despencou durante o primeiro estado de emergência imposta no Japão. Antes da pandemia, ele trabalhava 4 vezes por semana. Durante a pandemia, o seu turno de trabalho foi reduzido para uma vez por semana. Percebendo que não conseguiria sobreviver com os horários de trabalho tão reduzidos, ele não teve escolha: largou o emprego da loja de conveniência.

Depois disso, o estudante conseguiu arranjar um outro emprego numa loja de preço único (100 ienes). Ele foi designado para atender os clientes no caixa, mas precisava ficar o dia todo trabalhando. O rapaz ficava muito mais tempo no trabalho do que o seus colegas japoneses. Ele chegou a conversar com o gerente da loja para solicitar melhorias nas suas condições de trabalho, mas nenhuma mudança foi feita para poder ajudá-lo. 

Incapaz de suportar as condições de trabalho da loja, o universitário deixou o emprego em meados de março deste ano. Desempregado novamente, ele se candidatou a outros empregos de meio período, mas muitos empregadores o rejeitaram. O motivo disso é que as empresas estavam reduzindo o custo de pessoal devido ao coronavírus.

Sem dinheiro,  o estudante não conseguiu pagar o aluguel do mês de maio. Apesar de ser a primeira vez que atrasa o aluguel, a empresa fiadora responsável pelo apartamento passou a ligá-lo todos os dias cobrando o pagamento atrasado, criando uma pressão de despejo na sua mente. 

"Estou sempre pedindo que a empresa espere pois eu vou pagar o aluguel atrasado. Mas tudo que eles querem saber é quando eu vou poder pagar. Agora, eu estou com muito medo de atender o telefone", disse o estudante mongol ao jornal Mainichi.

O universitário não tem muita interação com outros alunos, uma vez que suas aulas estão sendo online desde o ano passado. Ele não se juntou a nenhum clube escolar da universidade, pois a maior parte do seu tempo é para estudar e trabalhar. A sua intensão é arranjar um trabalho na indústria de tecnologia da informação, procurando um emprego de período integral. Mas sem dinheiro em mãos, o rapaz não consegue nem pagar o transporte público para se locomover dentro de Tóquio.

Um outro problema é a alimentação. O estudante mal consegue fazer uma refeição por dia. Às vezes, come arroz com curry comprado pronto ou adquire carne barata no mercado e cozinha em casa.

"Estou pagando as contas de alimentação e de serviços públicos com o cartão de crédito por enquanto. A fatura do cartão está quase para vencer, mas não tenho dinheiro na minha conta de banco", disse o rapaz com uma expressão inquieta.

No final de maio, o estudante finalmente conseguiu um emprego numa loja de conveniência. Agora, ele está trabalhando três vezes por semana, incluindo um turno noturno entre 22h e 7h. Ele não receberá o pagamento integral até 10 de julho.

"Falo com os meus pais na Mongólia pelo aplicativo Line e eles estão preocupados comigo. Sempre perguntam se estou bem e eles dizem para eu aguentar firme. Estou ansioso para começar a procura de um emprego em tempo integral", disse o estudante.

De acordo com a Organização de Serviços ao Estudante do Japão, um total de 279.597 estudantes estrangeiros estavam no país. Isso representa uma queda de 10,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Na pesquisa realizada pela organização, em fevereiro e março de 2020, sobre as condições de vida dos estudantes internacionais com financiamento privado, cerca de 70% dos entrevistados disseram que trabalhavam por meio período.

Segundo uma fonte relacionada a uma escola de língua japonesa, os estudantes estrangeiros têm perdido os seus empregos de meio período em restaurantes e em empresas de logísticas devido aos efeitos da pandemia do coronavírus. Como há poucas ofertas de contratação, esses estudantes estão tendo dificuldades em encontrar um novo emprego no mercado de trabalho japonês.


Fonte: Mainichi Shimbun.



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