quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Cerimônia de abertura das Paraolimpíadas.

Jogos Paraolímpicos de Tóquio: início dos jogos e preocupações com o aumento de casos de COVID-19 no Japão.


Tóquio - A abertura das Paraolimpíadas de Tóquio teve início nesta noite de terça-feira às 20h00 (horário do Japão), com acrobatas, palhaços, música, fogos de artifícios e sem a presença do público no Estádio Olímpico.

Jogos Paraolímpicos de Tóquio: início dos jogos e preocupações com o aumento de casos de COVID-19 no Japão.
O símbolo dos "Três Agitos" é visto durante a cerimônia de abertura dos Jogos Paraolímpicos de Tóquio. Foto: Mainichi.

A cidade de Tóquio está sediando as Paraolimpíadas pela segunda vez, sendo a primeira edição realizada em 1964. Desta vez, os Jogos Paraolímpicos serão realizados em condições que ninguém imaginava antes: pandemia de coronavírus no mundo todo e protocolos de segurança a serem respeitados durante os jogos para evitar contágios.

Nesta edição das Paraolimpíadas, um recorde de 4.403 atletas de 161 lugares do mundo (países + regiões) e mais a participação de uma pequena equipe de refugiados.

Os Jogos Paralímpicos terão no cronograma 22 esportes com 539 competições por medalhas. Taekwondo e badminton estão fazendo suas estréias em Tóquio. 

"Declaro aberto os Jogos Paraolímpicos de Tóquio 2020", disse o imperador japonês Naruhito no Estádio Nacional. Entre as autoridades presentes estavam Douglas Emhoff (marido da vice-presidente dos Estados Unidos Kamala Harris), o brasileiro Andrew Parsons (presidente do Comitê Paraolímpico Internacional) e Thomas Bach (presidente do Comitê Olímpico Internacional).

Realizada em um palco que lembra um aeroporto (Será?),  a cerimônia de abertura contou com os atletas paraolímpicos entrando no estádio com suas máscaras faciais e acenando para as câmeras de TV. A entrada das 162 delegações foi por ordem do alfabeto japonês, com a equipe de refugiados iniciando o desfile.

Com o tema "We have wings" (Nós temos asas), a cerimônia contou a história de um pequeno avião com uma asa só que sonhava em voar. "A pequena Monoasa" foi representada pela japonesa, cadeirante de 13 anos, Yui Wago.

A chama paraolímpica apareceu na parte final da cerimônia, sendo a unificação das chamas acesas em todo o Japão e da chama de Stoke Mandeville (na Grã-Bretanha, berço dos Jogos Paralímpicos). Todas as chamas foram utilizadas para acender o caldeirão paraolímpico no Estádio Nacional de Tóquio.

Os organizadores do evento esperam que os Jogos Paraolímpicos de Tóquio contribuam para a construção de uma sociedade mais inclusiva que abrace as diferenças do ser humano.

"Obrigado pelo seu trabalho árduo, dedicação e perseverança diante dos muitos desafios da pandemia para se reunir aqui em Tóquio. Os atletas paraolímpicos demonstram o nosso potencial infinito como seres humanos e o nosso poder de ir além dos nossos limites. Por favor, tenhamos esperança e força para nos mantermos firmes enquanto testemunhamos tudo o que você superou para chegar a este estágio", disse a presidente do comitê organizador dos jogos, Seiko Hashimoto, aos atletas paraolímpicos durante a cerimônia.

Mas do lado de fora do estádio olímpico, durante a cerimônia de abertura, vários manifestantes se reuniram com cartazes e gritavam o slogan: "Pare os Jogos Paraolímpicos".  Especialistas em saúde e autoridades japonesas começaram a rotular a atual situação da COVID-19 no Japão como algo quase "a nível de desastre".

Andrew Parsons e Seiko Hashimoto dizem que as Paraolimpíadas podem ser realizadas com segurança. Ambos tentaram distanciar os Jogos Paraolímpicos e os Jogos Olímpicos com a crescente onda de casos de coronavírus em Tóquio.

Alguns especialistas na área de saúde afirmam que, mesmo que não haja uma ligação direta, a presença das Olimpíadas e das Paraolimpíadas promoveu uma falsa sensação de segurança. Isso fez com que as pessoas baixassem a guarda, ajudando a espalhar a infecção de COVID-19 por todos os lugares no Japão.

Nikkey ON!: vamos assistir aos jogos até o dia 5 de setembro e iremos tirar as nossas conclusões a respeito da relação das Paraolimpíadas com os casos de coronavírus no Japão.


Fontes: The Mainichi / Japan Today.


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terça-feira, 24 de agosto de 2021

Consideração pelos atletas afegãos.

Sem os atletas, só a bandeira do Afeganistão representará o país na cerimônia de abertura dos Jogos Paraolímpicos.


Tóquio - Um alto funcionário do comitê paraolímpico japonês confirmou nesta segunda-feira que, durante a cerimônia de abertura das Paraolimpíadas de Tóquio, incluirá a bandeira do Afeganistão na entrada das delegações no Estádio Olímpico. O gesto de solidariedade será uma homenagem aos atletas afegãos que não puderam comparecer ao Japão por causa da retomada do poder pelo Talibã no Afeganistão.

Sem os atletas, só a bandeira do Afeganistão representará o país na cerimônia de abertura dos Jogos Paraolímpicos.
Zakia Khudadadi (esquerda) e Hossain Rasouli (direita) não poderão participar da primeira Paraolimpíada de suas vidas. Foto: First Sportz. 

O presidente do Comitê Paraolímpico Internacional, Andrew Parsons, disse em uma coletiva de imprensa que é importante destacar a bandeira do Afeganistão na noite da cerimônia de abertura dos jogos. O gesto solidário é a forma encontrada pelo comitê de espalhar uma mensagem de esperança e paz para o Afeganistão e para o mundo durante à cerimônia.

Os atletas afegãos não puderam vir ao Japão depois que o grupo fundamentalista e nacionalista islâmico, o Talibã, assumiu o total controle político do Afeganistão em 15 de agosto.

Parsons disse que um representante do escritório do alto comissariado da ONU para refugiados carregará a bandeira do Afeganistão durante a cerimônia de abertura no Estádio Olímpico.

Os atletas, Zakia Khudadadi (lutadora paralímpica de taekwondo) e Hossain Rasouli (atleta paralímpico do atletismo), eram os dois únicos representantes do Afeganistão nos Jogos Paraolímpicos de Tóquio. Khudadadi, 23 anos, que nasceu com uma deficiência em um dos braços, seria a primeira mulher afegã a participar de uma edição das Paraolimpíadas. Rasouli, 24 anos, que perdeu uma parte do braço esquerdo em uma explosão de uma mina terrestre, também faria a sua estréia nos Jogos de Tóquio.

A lutadora Khudadadi fez um vídeo para as redes sociais na semana passada, pedindo ajuda para conseguir viajar da capital afegã Cabul até Tóquio e poder participar dos jogos. Entretanto, devido ao encarecimento dos preços das passagens aéreas no Afeganistão quando o Talibã estava retomando o seu poder e o caos generalizado no aeroporto de Cabul após o domínio da capital pelo grupo extremista, tornou-se impossível qualquer civil afegão sair do país.

"Infelizmente, devido à turbulência atual no Afeganistão, a equipe paraolímpica não pôde deixar Cabul a tempo", disse Arian Sadiqi, chefe do Comitê Paraolímpico do Afeganistão, em Londres.

"É de partir o coração. Esta edição das Paraolimpíadas teria a participação da primeira mulher afegã nos jogos. Isso seria a história dos esportes no Afeganistão se formando. Khudadadi estava animada para participar das competições. Ela é muito apaixonada por competir e poderia ter sido um grande exemplo para as mulheres do Afeganistão", afirmou Sadiqi.

Nikkey ON!: Torcer para que os sonhos do povo no Afeganistão não sejam destruídos para sempre com a retomada do poder do país pelo Talibã.


Fontes: Kyodo News / Reuters.
 

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