domingo, 13 de março de 2022

Muito obrigado vovó. Você é minha mãe!

Perdi os meus pais no tsunami. Agradeço minha avó por tudo que ela fez por mim!


Rikuzentakata - Aos 17 anos, o jovem Haruto Oikawa está passando por uma nova fase em sua vida. Ele acabou de se formar no ensino médio e agora irá estudar em uma universidade. Entretanto, para a realização de seus novos projetos de vida, ele terá que deixar a casa de sua avó, com quem vive há 11 anos. A querida anciã foi a grande responsável por sua educação, da infância até a adolescência, desde que seus pais morreram no Grande Terremoto do Leste do Japão em março de 2011.

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Perdi os meus pais no tsunami. Agradeço minha avó por tudo que ela fez por mim!
Haruto Oikawa (esquerda) mostra o seu certificado de conclusão do ensino médio para a sua avó, Iyoko Murakami, em Rikuzentakata, Iwate. Foto: The Mainichi.

Morador da cidade de Rikuzentakata, província de Iwate, Haruto está se preparando para estudar "prevenção e desenvolvimento comunitário de recuperação de desastres" na universidade de Sendai, província de Miyagi. A distância da cidade onde mora até Sendai é de aproximadamente 144 km. Devido à longitude, o adolescente terá que deixar a casa de sua avó e viver sozinho na cidade grande.

Para sua avó, Iyoko Murakami (78 anos),  é muito preocupante o fato de seu neto estar indo embora e iniciando uma nova vida em Sendai, tendo que estudar e cozinhar por si só.

Com um sorriso no rosto, Haruto disse à ela: "Vovó, vou fazer um omelete com arroz para você, só para praticar e mostrar que estou preparado". Se Iyoko está preocupada com a partida do neto, Haruto também está preocupado com ela. Daqui algumas semanas, a idosa estará vivendo sozinha em Rikenzentakata.

No dia do grande terremoto de março de 2011, Haruto, com 6 anos na época, conseguiu escapar do tsunami junto com os seus colegas da 1ª série, subindo em um morro próximo da escola onde estudava. 

Infelizmente, os pais de Haruto não tiveram a mesma sorte. O seu pai, Norihisa Oikawa, e sua mãe, Shoko Oikawa (ambos com 39 anos na época), foram arrastados pelo tsunami dentro da própria casa em que viviam. Pelo que se sabe após o terremoto, Norihisa saiu do trabalho e foi correndo até a sua casa para ver se sua esposa estava bem. Shoko estava descansando em casa, depois de terminar o seu turno em uma casa de repouso onde trabalhava. Depois da passagem do tsunami, eles não foram mais vistos com vida.

Após a tragédia, Haruto e seu irmão mais velho, Yoshiki Oikawa, foram viver juntos com a sua avó, Iyoko, e o seu avô materno. Sendo tão criança naquela época, Haruto pensou que um dia os seus pais voltariam a revê-lo. Depois de algum tempo, foi só na terceira série do primário que ele conseguiu entender que os seus pais nunca voltariam para casa.  Tendo a sensação da perda e da morte em seu cotidiano, ele só entendeu o sentido dessas palavras quando percebeu que os seus pais não o visitavam na escola e não iam prestigiá-lo nas partidas de futebol.

Embora Haruto tenha algumas pequenas lembranças de seus pais, ele adora ir à praia de Takamatatsubara, lugar onde seu pai e sua mãe costumavam passear com os filhos no passado. Assim como seus pais faziam todos os anos, ele manteve a tradição de participar do festival do Tanabata no dia 7 de agosto, tocando tambor e flauta  nas apresentações. Tornou-se um hábito para Haruto visitar o túmulo dos pais, antes do início do festival, e dizer: "Papai e mamãe, é tempo de Tanabata novamente".

O avô de Haruto faleceu em 2013. Alguns anos depois , o seu irmão mais velho, Yoshiki,  foi viver em outra cidade para continuar os seus estudos. Desde então, a senhora Iyoko tem sido a maior companheira da vida de Haruto, estando ao seu lado e cuidando dele todos os dias. Todas as manhãs, era ela que fazia o seu almoço e o mandava para a escola. 

Demonstrando um grande carinho por sua avó, Haruto disse orgulhoso: "Ela é praticamente a minha mãe, em vez de alguém que só desempenhou o papel de cuidadora".

No dia 1ª de março de 2022, Haruto se formou na Iwate Prefectural Takata High School, em Rikuzentakata, e mostrou o seu certificado de conclusão para sua avó dizendo: "Muito obrigado por cuidar de mim até a minha formatura do ensino médio". 

Para esconder o seu constrangimento, Haruto disse também: "Quando eu começar a ganhar o meu salário, compro o que você quiser vovó". Ao ouvir isso, Iyoko sorriu e respondeu: "O tempo que passamos juntos é o maior tesouro para mim. Obrigada por crescer com tanta firmeza e seriedade Haruto".

Sobre o seu futuro, Haruto afirma que se interessou por planejamento urbano depois de aprender, no ensino médio, assuntos sobre o desenvolvimento de novos produtos, usando especialidades locais para atrair turistas. 

Haruto comentou o seguinte: "É triste ver a cidade em que nasci e cresci, Rikuzentakata, estar desolada assim, desde a passagem do terremoto e tsunami em 2011. Quero fazer algo a respeito disso". Sua avó complementou dizendo: "Haruto e o seu irmão mais velho, Yoshiki, irão abrir novos caminhos e possibilidades para suas vidas no futuro. Não posso dizer que estou triste e só".


Fonte: The Mainichi.


Imagem das Paraolimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - Sábado, dia 12.

Imagem das Paraolimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - Sábado, dia 12.
A esquiadora de cross-country austríaca Carina Edlinger (direita) fala com a imprensa segurando o seu inseparável cão-guia Riley. Ela ganhou a medalha de bronze na prova de deficiência visual de técnica livre de meia distância feminina, nas Paraolimpíadas de Pequim 2022. Foto: Kyodo News. 


Quadro de medalhas das Paraolimpíadas de Inverno de Pequim 2022 (Parcial)
Fonte: Paraolympic.org (12 de março de 2022).

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sábado, 12 de março de 2022

Relembrando o dia 11 de março de 2011.

Onze anos do Grande Terremoto do Leste do Japão que devastou o litoral de Tohoku e provocou a crise nuclear de Fukushima.


Sendai - Nesta sexta-feira, todo o Japão relembrou do trágico dia 11 de março, data do grande terremoto de Tohoku. Onze anos atrás, todo o litoral da região nordeste do Japão foi destruído por um devastador tsunami, provocando a morte de milhares de pessoas. Como se não bastasse, as fortes ondas do tremor danificaram o complexo nuclear de Fukushima, desencadeando um dos piores desastres nucleares da história da humanidade. 

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Onze anos do Grande Terremoto do Leste do Japão que devastou o litoral de Tohoku e provocou a crise nuclear de Fukushima.
Moradores da cidade Rikuzentakata, província de Iwate, rezam, de frente para o mar, durante um minuto de silêncio às 14h46 no dia 11 de março, data do Grande Terremoto de Tohoku. Foto: Kyodo News.

Muitas pessoas no Japão reservaram o seu tempo para homenagear as vítimas da tragédia com um minuto de silêncio às 14h46 (horário do Japão), momento exato em que o terremoto de magnitude 9 ocorreu.

Cerca de 15.900 pessoas morreram na tragédia. Mais de 2.500 pessoas ainda continuam desaparecidas. E, ao longo dos anos, as autoridades japonesas atribuem outras 3.786 mortes com doenças relacionadas a tragédia.

A província de Fukushima ainda continua lutando com as consequências da contaminação nuclear. As ordens de evacuação total, em algumas regiões contaminadas por radiação, estão programadas para serem suspensas nesta primavera. Entretanto, as ordens são apenas para algumas áreas onde a radiação não provoca riscos à saúde. 

Em Futaba, cidade onde abriga as usinas nucleares danificadas, todos os moradores foram obrigados a evacuar o município por causa dos altos níveis de radiação em 2011. Agora, depois de 11 anos, algumas pessoas já puderam voltar para algumas partes da cidade de Futaba. O retorno é só para os moradores passarem as noites em suas antigas casas, após a ordem de evacuação total ser suspensa em junho do ano passado. 

"Estou decepcionado com a situação porque as pessoas não estão voltando para Futaba. Mesmo tendo passado 11 anos da tragédia", disse Yasushi Hosozawa (77 anos), antigo morador da cidade que estava pernoitando em sua velha casa.

Na cidade de Natori, uma das regiões da província de Miyagi mais atingida pelo tsunami, quase 1.000 pessoas morreram e parte da vítimas estão desaparecidas até hoje. Para homenageá-los, os entes das vítimas soltaram balões em forma de pomba perto do mar, levando mensagens de carinho pelo céu para os mortos e desaparecidos.

Na cidade de Rikuzentakata, província de Iwate, famílias enlutadas visitaram um monumento de pedra com os nomes das 1.709 vítimas fatais do tsunami. 

O primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, esteve em uma cerimônia memorial na província de Fukushima e falou aos presentes sobre a necessidade de olhar para o futuro.

"É nosso dever lembrar a preciosa lição que aprendemos com o desastre do terremoto e a grande perda que incorreu. Devemos fazer uso da lição para prevenir e reduzir desastres", disse o primeiro-ministro.

Kishida declarou que o seu governo continuará trabalhando para reconstruir e ajudar os evacuados a voltar para casa.

Nikkey ON!: Continue forte Tohoku! Gambatte!


Fontes: NHK News / Kyodo News.


Imagem das Paraolimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - Sexta-feira, dia 11.

Imagem das Paraolimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - Sexta-feira, dia 11.
A japonesa Momoka Muraoka ficou com a medalha de ouro no slalom gigante feminino, prova realizada no Centro Nacional de Esqui Alpino de Yanqing, China. A atleta conquistou a sua terceira medalha de ouro de esqui alpino nos Jogos Paraolímpicos de Inverno de Pequim 2022. Parabéns! Foto: Kyodo News.


Quadro de medalhas das Paraolimpíadas de Inverno de Pequim 2022 (Parcial)
Fonte: Paralympic.org (11 de março de 2022).

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