quarta-feira, 6 de abril de 2022

Ajuda humanitária do governo japonês.

Ministro das Relações Exteriores retorna ao Japão com um grupo de refugiados ucranianos.


Tóquio - Yoshimasa Hayashi, Ministro das Relações Exteriores, e sua comitiva retornaram ao Japão nesta terça-feira, 5 de abril, após passar cinco dias visitando a Polônia. Como parte da visita, a comitiva japonesa trouxe para o país um grupo de 20 refugiados ucranianos que estava na Polônia. Todos desembarcaram no aeroporto de Haneda, em Tóquio. 

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Ministro das Relações Exteriores retorna ao Japão com um grupo de refugiados ucranianos.
Grupo de refugiados ucranianos desembarcam no aeroporto de Haneda, em Tóquio, nesta terça-feira (5 de abril). Foto: The Mainichi.

A visita da comitiva japonesa no Leste Europeu teve como objetivo mostrar o compromisso do Japão em ajudar a Ucrânia e a Polônia. O país polonês viu um fluxo imenso de ucranianos entrando em seu território, após a Rússia invadir a Ucrânia. Diante desse problema, o ministro Hayashi foi escolhido para trazer alguns refugiados ao Japão, como um enviado especial na Polônia, pelo primeiro-ministro japonês Fumio Kishida.

O grupo de ucranianos que veio junto com o ministro já tinha a pretensão de se refugiar no território japonês. Mas devido à guerra, os vinte refugiados ficaram impossibilitados de garantir o próprio transporte da Polônia até o Japão. Hayashi não divulgou mais detalhes dos ucranianos, citando preocupações com a privacidade de cada um.

A ação do Japão, de usar o próprio avião do governo para transportar refugiados estrangeiros, ocorre num momento em que muitas pessoas enfrentam caríssimas tarifas aéreas para sair de países vizinhos da Ucrânia. Desde 24 de fevereiro, quando os militares russos invadiram a Ucrânia, os preços das passagens aéreas do Leste Europeu dispararam.

As autoridades japonesas têm demonstrado o total apoio à Ucrânia e ao seu povo, por causa da guerra. O governo do Japão promete ajudar os 20 refugiados por aproximadamente seis meses. De acordo com o Vice-Ministro da Justiça, Jun Tsushima, os refugiados terão apoio à moradia, emprego e aulas de idiomas. Tsushima também acompanhou o ministro Hayashi na viagem à Polônia.

De acordo com a Agência de Serviços de Imigração do Japão, todos os 20 refugiados terão direito a residência durante um curto prazo de 90 dias. Os refugiados ucranianos poderão, posteriormente, alterar os seus vistos para um status de "atividades designadas", com um prazo de duração de 1 ano. Dessa forma, o refugiado, com esse status em seu visto, terá o direito de trabalhar no Japão.

Os ucranianos que não têm fiadores no Japão, como parentes e  conhecidos, devem ficar, inicialmente, em hotéis organizados pelo governo japonês. Depois disso, o município onde eles irão viver ou a empresa onde eles irão trabalhar, fornecerá um novo lar para cada refugiado morar.

Uma ajuda financeira será disponibilizada para despesas de subsistência dos ucranianos no Japão. Além disso, os refugiados também terão assistência médica, treinamento vocacional e  assistência linguística (através da contratação de um intérprete).

Antes de retornar da Polônia para o Japão, o ministro Hayashi prometeu trazer "o maior número possível de ucranianos" com ele. Durante as negociações humanitárias entre a comitiva japonesa e o governo polonês, Hayashi conversou, primeiramente, com o Ministro das Relações Exteriores da Polônia, Zbigniew Rau. Depois o ministro japonês se encontrou com o presidente polonês Andrzej Duda e com o primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki.

Em uma outra ação humanitária, o Japão enviou de uma equipe de quatro funcionários do governo para Moldávia, nação que também faz fronteira com a Ucrânia. Os funcionários japoneses permanecerão nesse país por uma semana, a partir de 5 de abril. A equipe japonesa irá analisar uma possível contribuição de recursos humanos para o país, ajudando no setor de serviços médicos e de saúde para os refugiados.

Desde o início da guerra até o último domingo (3 de abril), cerca de 4,21 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia. Na Polônia, o número de refugiados é de, aproximadamente, 2,45 milhões de pessoas. Na Moldávia, o número aproximado de refugiados é de 395 mil pessoas. Os números são do Escritório do Alto Comissariado da ONU para Refugiados.

O Japão aceitou, até agora, a entrada de 404 ucranianos no país, segundo dados do governo japonês. 


Fonte: The Mainichi.


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terça-feira, 5 de abril de 2022

Transplante com células iPS.

Universidade japonesa prova mundialmente que é seguro o transplante de córnea com células-tronco.


Osaka - Um grupo de estudiosos da Universidade de Osaka informou nesta segunda-feira, 4 de abril, a conclusão bem-sucedida do primeiro transplante de córnea usando células iPS (Célula-tronco pluripotente induzida). O procedimento cirúrgico foi realizado em quatro voluntários que estavam quase cegos e precisavam do transplante de córnea.

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Universidade japonesa prova mundialmente que é seguro o transplante de córnea com células-tronco.
Laboratório clínico de cultura celular para a geração de células iPS. Foto: Nanocell News.

Segundo a equipe de pesquisa da escola de medicina de Osaka, liderada pelo professor Koji Nishida, os voluntários não tiveram nenhuma rejeição ao tecido transplantado e não demonstraram nenhuma tumorigenicidade das células transplantadas. Todos voluntários tiveram redução dos sintomas da cegueira, sendo que três deles tiveram boas melhorias na visão.

As células iPS (do inglês Induced Pluripotent Stem Cell) têm a capacidade de se transformar em qualquer tipo de tecido corporal. Elas foram geradas, pela primeira vez no mundo, pelo cientista japonês Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto. Os esforços de Yamanaka, nos estudos das células iPS, levaram o cientista a conquistar o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 2012.

O próximo passo dos pesquisadores japoneses será um ensaio clínico em 2023. O objetivo é colocar o tratamento com células iPS em prática nos próximos três ou quatro anos.

Há esperanças de que o novo tratamento resolva problemas de rejeição de transplantes e de escassez crônica de doadores de córnea. Até março de 2021, cerca de 1.700 pacientes aguardavam doações de córnea no Japão.

O procedimento para os ensaios clínicos envolveu a cultura de células da córnea, utilizando células adultas diferenciadas com capacidade de retornar ao estado de célula embrionária pluripotente. Graças a engenharia genética, as células iPS de um indivíduo adulto, armazenadas na Universidade de Kyoto, serviram para criar, em laboratório, mais tecidos da córnea (em forma de folha de 0,05 milímetros de espessura).

"Esperamos que este procedimento clínico das células iPS seja realizado futuramente em todo o mundo", disse o professor Nishida, em uma entrevista coletiva. 

Os transplantes com células-tronco foram realizados entre julho de 2019 e dezembro de 2020 no Japão. Os quatro voluntários, com idades de 30 a 70 anos, sofriam de deficiência de células-tronco epiteliais da córnea. Não há tratamento eficaz para a doença, podendo levar à piora ou à perda da visão. Só o transplante de córnea pode devolver a visão do doente.

Depois de monitorar os voluntários por um ano, a equipe de pesquisa confirmou que os tecidos transplantados não foram rejeitados e que a turvação da córnea havia melhorado.

A córnea, uma membrana transparente de aproximadamente 11 mm de diâmetro e 0,5 mm de espessura, é a camada protetora mais externa do olho. Ela serve de barreira contra ameaças externas e funciona como uma lente por onde a luz entra e é focalizada.


Fonte: Kyodo News.


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