sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Reunião entre Kishida e Xi.

Líderes do Japão e China se reúnem pela primeira vez, após quase 3 anos de complicadas relações diplomáticas.


Bangkok - Nesta quinta-feira, 17 de novembro, o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, conversou pessoalmente com o presidente chinês, Xi Jinping, com a intenção de construir relações bilaterais, construtivas e estáveis, entre Japão e China. Eles se reuniram na cúpula do fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), que está sendo realizada em Bangkok, Tailândia.

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Líderes do Japão e China se reúnem pela primeira vez, após quase 3 anos de complicadas relações diplomáticas.
Em Bangkok (Tailândia), o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida (esquerda), cumprimenta o presidente chinês, Xi Jinping (direita), antes da reunião sobre assuntos políticos entre Japão e China. Foto: Kyodo News.  

Essa é o primeiro encontro entre os líderes das duas maiores potências asiáticas, em cerca de três anos. A imprensa acredita que Kishida tenha transmitido sua mensagem a Xi, sobre a preocupação japonesa com as tentativas chinesas de minar o controle das ilhas Senkaku, no mar da China Oriental. As ilhas são disputadas, há anos, pelo Japão, China e Taiwan. 

Além disso, as negociações entre Kishida e Xi ocorrem em meio a preocupação do aumento da pressão militar chinesa sobre Taiwan. A China sempre viu Taiwan, uma ilha democrática autogovernada, como parte de seu território. O líder chinês já disse uma vez que poderá usar a força se necessário, para alcançar a reunificação de Taiwan com a China.  

No início da conversa, Kishida disse ao líder chinês que o Japão e a China enfrentam, atualmente, muitos desafios e preocupações. No entanto, há uma grande possibilidade de cooperação entre os dois países.

Já o presidente Xi disse que a China e o Japão têm muitos interesses em comuns. Ele também afirmou que os dois países têm bastante potencial para cooperação, expressando esperança de que eles possam construir relações com os requisitos da nova era.

A reunião dos dois líderes durou 36 minutos, ocorrendo paralelamente à cúpula de dois dias do fórum da APEC, na Tailândia.

Segundo a imprensa, Kishida pode ter pedido a Xi que a China tenha mais cooperação bilateral em questões como: os problemas da mudança climática no planeta e a flexibilização da rigorosa política do "Zero-COVID" no continente chinês. O combate contra o coronavírus na China tem atrapalhado a circulação de pessoas, em seu território, e o estímulo da atividade econômica, no país e no mundo.

Outro ponto importante do encontro é em relação à Coréia do Norte. Kishida e Xi podem ter discutido sobre os recentes lançamentos dos mísseis balísticos norte-coreanos. Há temores de que a Coréia do Norte realize, em breve, seu primeiro teste nuclear desde setembro de 2017.

Antes da reunião entre os dois líderes, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse, em uma coletiva de imprensa em Pequim, que os dois países (China e Japão) devem tentar administrar e controlar adequadamente suas diferenças políticas.

Em setembro deste ano, o 50ª aniversário da normalização das relações bilaterais, entre japoneses e chineses, foi lembrado pelo Japão e pela China.

Dezembro de 2019 foi a data em que um líder japonês se reuniu, pela última vez, com um líder chinês. Na ocasião, o então primeiro-ministro japonês, o falecido Shinzo Abe, conversou pessoalmente com Xi Jinping em Pequim.


Fontes: Kyodo News / NHK News.


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quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Não receberam suas horas extras.

Grupo de estagiárias vietnamitas denuncia empresa japonesa por não pagar suas horas extras.


Matsuyama - Na capital da província de Ehime, em Matsuyama, um grupo de estagiárias técnicas do Vietnã realizou uma coletiva com a imprensa nesta quarta-feira, 16 de novembro, para expor um sério problema trabalhista contra seu ex-empregador.

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Grupo de estagiárias vietnamitas denuncia empresa japonesa por não pagar suas horas extras.
16 de novembro de 2022: Durante uma coletiva de imprensa, a estagiária vietnamita Doan Thi Thu Nga (esquerda) expõe seus problemas trabalhistas contra seu ex-empregador, que deve as horas extras não pagas (para ela e suas colegas de trabalho). Foto: Kyodo News.

Em 7 de novembro deste ano, a empresa Koshimizu Hifukukogyo, sediado na cidade de Seiyo (também na província de Ehime), decretou falência e deixou um grupo de estagiárias sem receber suas horas extras. No total, a empresa deve cerca de 27 milhões de ienes (US$ 194.000) para as vietnamitas (com idade entre 20 e 40 anos). 

Inicialmente, o ex-empregador disse que pagaria gradualmente, a cada uma delas, entre 2,2 milhões e 2,6 milhões de ienes, incluindo compensações por atrasos de pagamento. Entretanto, até agora, as mulheres não receberam nenhum dinheiro da empresa.

De acordo com os registros de trabalho das estagiárias, era muito comum que elas fizessem mais de 100 horas extras por mês, muito além das 45 horas extras por mês previsto na lei japonesa. Em alguns casos especiais (ou emergencial), a lei permite até 100 horas extras, por um único mês no Japão.

Em agosto, as estagiárias procuraram ajuda de uma organização sem fins lucrativos que apoia os vietnamitas em território japonês, expondo suas duras condições de trabalho na Koshimizu. Depois de algum tempo de negociações, as 11 vietnamitas acabaram deixando a empresa em 4 de novembro. Agora, todas elas já estão aguardando um novo trabalho em uma empresa têxtil na província de Gifu, no centro do Japão.

Durante a coletiva de imprensa, a estagiária vietnamita Doan Thi Thu Nga (32 anos) disse o seguinte: "Nós estamos tristes por sermos tratadas injustamente pela empresa. Aconteça o que acontecer, queremos que o nosso ex-empregador nos pague o que deve".

Jiho Yoshimizu, um apoiador da NPO (Organização sem fins lucrativos), está ajudando as vietnamitas no caso e disse, à imprensa, que continuará trabalhando para proteger seus direitos humanos.

Durante o início da pandemia do coronavírus, a Koshimizu Hifukukogyo foi contratada pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem Estar do Japão para a confecção de aventais médicos. Com a falência, o advogado da empresa informou que a companhia tem passivos totais (resultado do que deve para terceiros, mais o patrimônio líquido) de 60 milhões de ienes, aproximadamente.

No final de junho de 2022, havia cerca de 328.000 estagiários técnicos residindo no Japão, de acordo com a Agência de Serviços de Imigração.


Fontes: The Mainichi / Alternativa.


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