quarta-feira, 19 de abril de 2023

Moradias para os turcos.

Especialista japonês doa casas instantâneas para os desabrigados da Turquia.


Antakya - Depois que um grande terremoto atingiu o sul da Turquia e destruiu cidades, os sobreviventes do desastre têm vivido, atualmente, um grande problema habitacional. Segundo as autoridades turcas, mais de 2,5 milhões de evacuados ainda vivem em tendas improvisadas.

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Especialista japonês doa casas instantâneas para os desabrigados da Turquia.
Projetadas pelo arquiteto japonês Keisuke Kitagawa, as "casas instantâneas" são fáceis de serem montadas, têm proteção térmica e têm um custo menor de construção, se for comparadas com os contêineres. Foto: NHK News.

Ciente da situação dos sobreviventes, um arquiteto japonês e um grupo de funcionários de uma ONG decidiram visitar uma das regiões atingidas pelo terremoto. A intenção do especialista é construir pequenas moradias nas regiões afetadas.

O nome do arquiteto é Keisuke Kitagawa, professor da Escola de Pós-Graduação do Instituto de Tecnologia de Nagoya. Ele também é um especialista em projetos arquitetônicos. 

Na segunda-feira, 17 de abril, Kitagawa esteve na cidade de Antakya, no sul da Turquia. Juntamente com uma ONG japonesa, o arquiteto doou três unidades habitacionais ao governo municipal, apelidadas de "casas instantâneas". As "casas" serão usadas como instalações da prefeitura de Antakya.

Seguindo as instruções de Kitagawa, os trabalhadores locais não tiveram dificuldades para montar as unidades doadas. A primeira barraca erguida, em forma de cúpula, teve as paredes internas reforçadas com espuma de uretano. O tempo gasto, para fazer uma "casa instantânea", foi cerca de quatro horas.

A barraca tem uma área útil de, aproximadamente, 20 metros quadrados. Ela possui um alto isolamento térmico e custa menos que uma casa improvisada de contêineres.

Kitagawa teve a ideia da "casa instantânea", após ouvir opiniões de sobreviventes do terremoto de Tohoku, ocorrido no Japão em 2011.

"Daqui para frente, quero visitar a Turquia mais vezes. Quero ajudar as pessoas que continuam desabrigadas. Eu desejo que elas realizem o sonho de obter uma moradia confortável, o mais rápido possível", disse Kitagawa.


Fonte: NHK News.


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terça-feira, 18 de abril de 2023

O pescador que salvou Kishida.

Novo herói local conta o que aconteceu no momento do ataque à bomba.


Wakayama - Na manhã do dia 15 de abril, um pescador de arrasto (ele não teve o nome revelado pela reportagem) visitou o porto de pesca de Saikazaki, com a esperança de encontrar o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, em uma região pouco visitada por pessoas famosas. No entanto, ele não esperava que, naquele local, um trágico incidente poderia acontecer a qualquer momento.

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Novo herói local conta o que aconteceu no momento do ataque à bomba.
O pescador herói, do porto de Saikazaki, concede uma entrevista com os repórteres na cidade de Wakayama, no dia 16 de abril. Foto: The Mainichi.

O premiê Fumio Kishida foi para essa região com o intuito de fazer uma campanha eleitoral. Kishida veio para ajudar um candidato do partido, que concorre a uma cadeira na eleição suplementar da Câmara dos Deputados. A comitiva, com os políticos, chegou ao porto por volta das 11h20. Assim que começou a interação com o povo local, Kishida degustou frutos do mar e posou para várias fotos, antes de fazer seu discurso.

"Vai começar logo. Vou tirar algumas fotos", pensou o pescador de 54 anos. Ele foi avançando no meio da grande multidão, com a esperança de ficar mais próximo possível do primeiro-ministro. 

No entanto, chegou um momento que o pescador não conseguia mais se aproximar do local onde Kishida iria discursar. Então, ele decidiu ficar atrás de um rapaz, que usava uma máscara facial e tinha uma mochila nas costas.

Distando cerca de 10 metros do palanque improvisado, o pescador observava à sua frente, no meio da multidão aglomerada e com uma certa dificuldade, o primeiro-ministro que acenava para o público.

De repente, o pescador viu o rapaz mascarado arremessando um objeto preto para frente, em direção do palanque. "Isso é estranho", pensou o pescador.

O pescador ficou com os olhos grudados na atitude estranha do rapaz. O indivíduo continuou a fazer algo com suas mãos. Percebendo que alguma coisa errada estava para acontecer, o pescador colocou uma de suas mãos em volta do pescoço do rapaz. Com a outra mão, o pescador bateu freneticamente naquilo que o suspeito segurava em suas mãos. Os dois caíram no chão.

Foi uma briga de quase um minuto de duração. Enquanto isso, vários homens se jogavam sobre o suspeito, um após o outro. 

Enquanto estava no chão segurando o rapaz, o pescador ouviu uma explosão. Ele ficou apavorado, mas continuou tentando dominar o suspeito, junto com outras pessoas. 

Assim que a polícia chegou e levou o rapaz para a delegacia, o pescador  se deu conta que seu cotovelo estava machucado e suas calças estavam rasgadas. Mais tarde, ele soube que o rapaz mascarado se chama Ryuji Kimura, de 24 anos. Ele também ficou sabendo que Kimura tinha uma faca escondida em sua mochila. 

No momento em que o pescador percebeu a atitude estranha de Kimura, ele lembrou do tiro fatal que tirou a vida do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, durante um discurso eleitoral na cidade de Nara. O incidente de Nara ocorreu nove meses atrás.

"É muito chocante testemunhar um incidente semelhante ao do Shinzo Abe, numa cidade rural como esta. Eu não tinha ideia do que o suspeito tinha em suas mãos. Se aquele objeto em suas mãos tivesse explodido, minha vida estaria em sério perigo", disse o pescador aos repórteres.

Na noite do mesmo dia do ataque à bomba, o pescador recebeu uma ligação em seu telefone celular. "Muito obrigado", disse a pessoa do outro lado da linha telefônica. Essa pessoa no telefone era, nada mais e nada menos, o premiê Fumio Kishida. 

O primeiro-ministro fez questão de telefonar e agradecer o pescador, pela coragem de ter enfrentado o perigo para salvar a vida dele e de outras pessoas no meio daquela multidão. "Estou feliz que você não tenha se machucado", disse o pescador para Kishida.

"Não conseguimos imaginar como você pôde fazer algo assim", disse a família para o pescador. Nunca  imaginaria que salvaria a vida do primeiro-ministro do Japão, numa pacata cidade pesqueira em Wakayama. Ele acabou se tornando o herói do porto de Saikazaki.


Fonte: The Mainichi.


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