sábado, 29 de junho de 2024

Justiça de reféns.

Magnata processa o governo japonês, protestando contra o sistema de detenção do país.


Tóquio - Um ex-presidente de uma grande editora japonesa entrou com um processo contra o governo do Japão na quinta-feira, 27 de junho. Ele alega que foi vítima do sistema de detenção do país, chamado de "Justiça de reféns".

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Magnata processa o governo japonês, protestando contra o sistema de detenção do país.
Foto do dia em que o magnata Tsuguhiko Kadokawa foi libertado sob fiança pela justiça japonesa, em abril de 2023. Foto: AFP.

"Justiça de reféns", referindo-se aos suspeitos de um crime mantidos presos por um longo período, tornou-se um termo amplamente usado na época da prisão e fuga do poderoso ex-chefe da Nissan Motor, Carlos Ghosn.

Tsuguhiko Kadokawa, um ex-presidente da Kadokawa Corporation, foi preso e indiciado em 2022 por acusações de suborno.

Os promotores de justiça acusam Kadokawa de pagar cerca de 69 milhões de ienes a Haruyuki Takahashi, ex-membro do conselho das Olimpíadas de Tóquio. Takahashi foi responsável por selecionar patrocinadores para os Jogos de Tóquio de 2020-21.

No Japão, os suspeitos de um crime podem ficar detidos por até 23 dias, de acordo com a acusação criminal. As detenções são comuns e os pedidos de fiança são frequentemente negados no sistema japonês. A organização dos direitos humanos, Human Rights Watch, já criticou o Japão num relatório do ano passado.

Kadokawa, que atualmente tem 80 anos, foi libertado sob fiança em abril do ano passado, após mais de 7 meses de detenção. O magnata disse à imprensa que seus outros três pedidos de fiança foram negados durante o período que esteve preso. Quando foi dado a entrada no quarto, o Tribunal Distrital de Tóquio acabou concedendo seu pedido, estabelecendo uma fiança de 200 milhões de ienes.

A ação civil de Kadokawa, contra o governo japonês por detenção e interrogatórios ilegais, não está relacionado com seu caso de suborno nas Olimpíadas de Tóquio. Seu processo está relacionado ao tratamento desumano que ele sofreu no centro de detenção.

Durante o período de 23 dias detido, o suspeito pode ser interrogado pelos promotores japoneses sem a presença de um advogado para ele. Kadokawa comparou seu caso com o famoso escândalo do ex-intérprete do astro do beisebol Shohei Ohtani, Ippei Mizuhara. O ex-intérprete foi declarado culpado nos Estados Unidos, por roubar quase 17 milhões de dólares do jogador Ohtani.

"O japonês Mizuhara levou uma vida normal enquanto enfrentava o julgamento nos Estados Unidos. Se Mizuhara estivesse enfrentando o mesmo julgamento no Japão, ele estaria preso no sistema judiciário japonês. A justiça japonesa é intocável, parecida com a justiça européia da Idade Média", disse Kadokawa.

O magnata também alegou que durante a sua detenção, os procuradores de justiça disseram-lhe repetidamente que não seria libertado até que admitisse sua culpa. Segundo Kadokawa, ele foi tratado de forma rude e dura, para pressioná-lo a fazer uma confissão. 

Agora, Kadokawa planeja registrar uma queixa no Comitê de Direitos Humanos da ONU (CDHNU).

"Argumentaremos que esta situação judicial de reféns viola vários direitos humanos e viola as leis internacionais de direitos humanos", disse o advogado de Kadokawa, Hiroaki Murayama.


Fonte: AFP.


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sexta-feira, 28 de junho de 2024

Tragédia no topo do Fuji-san.

Alpinistas morrem ao tentarem escalar o Monte Fuji antes da temporada.


Shizuoka - Autoridades japonesas estão alertando as pessoas a não escalarem o Monte Fuji antes da temporada de abertura. Esta semana, quatro alpinistas foram encontrados mortos no topo do vulcão, gerando preocupações do governo das províncias de Shizuoka e Yamanashi.

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Alpinistas morrem ao tentarem escalar o Monte Fuji antes da temporada.
Quatro alpinistas foram encontrados mortos no topo do Monte Fuji nesta semana. As autoridades das províncias de Shizuoka e Yamanashi estão alertando os aventureiros sobre os riscos de escalarem o pico fora da temporada de visitação, que começa em julho e termina em setembro. Foto: NHK News.

Na manhã de domingo, 23 de junho, a polícia recebeu a ligação de uma mulher de Tóquio, relatando para as autoridades que não conseguia entrar em contato com seu marido de 53 anos. Ele provavelmente estaria perdido em alguma trilha do Monte Fuji.

Ao tentar encontrar o homem desaparecido no vulcão, os agentes da polícia tiveram ingrata surpresa: três alpinistas foram encontrados sem vida próximos da cratera, no lado sul do pico. Segundo a polícia, as três vítimas não estavam juntas, sendo encontradas em locais diferentes. Agora resta saber o que aconteceu com essas pessoas para que a aventura terminasse em uma triste tragédia.

Além dos três alpinistas, mais uma outra pessoa, um homem de 38 anos, também foi encontrada inconsciente no lado norte do vulcão. O homem foi encontrado na quarta-feira, 26 de junho, e encaminhado para um hospital onde foi confirmado sua morte.

As quatro trilhas do Monte Fuji, sendo três na província de Shizuoka e uma na província de Yamanashi, não abrem para o público em geral antes do mês de julho. Entretanto, isso não impede que alguns aventureiros possam escalar o vulcão antes da temporada de visitação. 

Shunji Takekawa, um experiente guia de montanhas japonesas e de montanhas no exterior, explicou para a imprensa os desafios de escalar o Monte Fuji.

"O Monte Fuji é classificado como uma das montanhas mais difíceis para a escalada de inverno no Japão. As condições climáticas são tão severas que as pessoas inexperientes com montanhas comuns no período do inverno, não conseguem lidar com as baixas temperaturas e a neve. Ainda é possível encontrar neve no mês de junho no Fuji-san. Então, os alpinistas devem estar conscientes de que as condições climáticas não serão tão diferentes das encontradas no inverno", disse Takekawa.

As temperaturas noturnas do pico podem chegar a menos zero graus Celsius nesta época no ano (junho). Por causa da baixa temperatura, ainda pode-se ver neve em algumas partes do Monte Fuji.

Os funcionários do pico, do lado de Shizuoka, verificam e reparam as trilhas todos os anos, antes do início da temporada de visitação do Fuji-san. Mas o trabalho de manutenção não pode ser feito quando as trilhas estão fechadas. Muitas pousadas do vulcão ainda não estão funcionando nesta época, assim como os postos de socorro. 

Autoridades locais ressaltam que subir as trilhas do Monte Fuji, fora da temporada, é perigoso. Eles procuram desestimular os aventureiros a não tentarem escalar fora do período seguro.


Fonte: NHK News.


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