quinta-feira, 11 de março de 2021

Uma década depois do 11 de março.

Retratos de uma família: mãe e filho reconstroem suas vidas após perderem tudo no tsunami.


Minami-Sanriku, Miyagi -  Numa sexta-feira ainda fria de inverno, um sismo de magnitude 9.1 Mw com epicentro ao largo da costa do Japão foi registrado às 14:46 (horário do Japão) no dia 11 de março de 2011. O epicentro foi a 130 km da costa leste da península de Oshika, região de Tohoku, com o hipocentro situado a uma profundidade de 24,4 km. O sismo atingiu o grau 7 (magnitude máxima da escala  de intensidade sísmica da Agência Meteorológica do Japão) ao norte da província de Miyagi, grau 6 em outras províncias próximas e grau 5 na região de Tóquio.

Retratos de uma família: mãe e filho reconstroem suas vidas após perderem tudo no tsunami.
11 de fevereiro de 2021: Sumi Hatakeyama (mãe) e Kosei Hatakeyama (filho). Foto: Shiro Nishihata.

Naquele dia na cidade de Minami-Sanriku, Sumi Hatakeyama, 36 anos, e o seu filho Kosei, 4 anos, corriam juntos para a região mais alta da cidade. Lá de cima, Sumi viu o tsunami engolindo tudo o que era familiar para ela, destruindo tudo pelo caminho.

"Eu não conseguia pensar em nada. Eu estava simplesmente perdida", lembra Sumi.

Carregando o filho Kosei nas costas, Sumi andou 3 quilômetros por uma estrada montanhosa até chegar à escola de ensino ginasial Utatsu. A escola foi usada como refúgio para uma parte dos desabrigados de Minami-Sanriku.

Passado alguns dias e acomodados no ginásio de esportes da escola, mãe e filho recebiam diariamente as refeições feitas por voluntários que, geralmente, eram bolinhos de arroz (onigiris). Sumi não tinha estômago para pensar em comida naqueles dias difíceis. Por outro lado, o seu filho Kosei enchia a boca com os bolinhos de arroz e permanecia comendo em silêncio ao lado de sua mãe.

Retratos de uma família: mãe e filho reconstroem suas vidas após perderem tudo no tsunami.
17 de março de 2011: Sumi e Kosei abrigados na escola Utatsu, cidade de Minami-Sanriku. Foto: Shiro Nishihata.

"Eu estava com tanto medo que não conseguia comer", disse Sumi.

Três meses após o desastre, a família mudou-se para uma acomodação temporária. Quando entrou na casa, Sumi ficou encantada com a nova cozinha, após alguns meses no abrigo improvisado. Ela ficou determinada em voltar a cozinhar e fazer as comidas favoritas do seu filho Kosei.

A primeira refeição na casa nova foi caril com arroz e Kosei ainda lembra muito bem disso.

"O meu prato estava cheio de carne e vegetais. Fazia muito tempo que não comia uma refeição como aquela desde o terremoto. Estava realmente delicioso", disse Kosei.

Depois de seis meses da tragédia, em setembro, o fotógrafo do jornal Asahi voltou a visitar a família. E, coincidentemente, a refeição daquele dia era novamente caril com arroz. Compartilhar sempre a mesma refeição em casa parecia simbolizar a felicidade da vida diária deles, pensou o fotógrafo.

Retratos de uma família: mãe e filho reconstroem suas vidas após perderem tudo no tsunami.
1º de setembro de 2011: mãe e filho comem caril com arroz e salada de batatas na nova residência temporária. Foto: Shiro Nishihata.

Em setembro de 2016, Sumi e Kosei mudaram-se para uma casa recém construída na parte mais alta da cidade. Levou cerca de cinco anos e meio para que a vida de mãe e filho voltasse ao normal. Embora as suas vidas tenham sido drasticamente alteradas pelo desastre, o relacionamento afetuoso entre os dois nunca mudou. 

Retratos de uma família: mãe e filho reconstroem suas vidas após perderem tudo no tsunami.
3 de março de 2017: família posa para uma foto na frente da sua nova casa. Foto: Shiro Nishihata.

Olhando para os 10 anos após o tsunami, Sumi diz: "Uma década se passou e parece muito tempo, mas para mim passou em apenas um piscar de olhos." 

"O meu filho Kosei era uma criança muito apegada a mim, mas agora ele é capaz de pensar e agir por conta própria", disse Sumi sobre o crescimento de seu filho.

Retratos de uma família: mãe e filho reconstroem suas vidas após perderem tudo no tsunami.
19 de março de 2019: Kosei veste smoking para sua apresentação num recital de piano na cerimônia de formatura de uma escola primária. Ele toca piano desde pequeno. Foto: Shiro Nishihata.

Atualmente, Sumi, com 46 anos, sempre olha afetuosamente o seu filho Kosei, com 14 anos, desejando a ele um crescimento saudável toda vez que se sentam à mesa para comer juntos.


Retratos de uma família: mãe e filho reconstroem suas vidas após perderem tudo no tsunami.
10 de fevereiro de 2021: Mãe e filho durante o jantar em Minami-Sanriku. Foto: Shiro Nishihata.

Em outubro de 2020, Kosei tornou-se presidente do conselho estudantil da escola ginasial Utatsu, o mesmo lugar onde se refugiou com a sua mãe após o tsunami. Kosei disse que sentiu-se inspirado a concorrer ao cargo devido à experiência de ver pessoas ajudando outras em épocas de desastres.

"Pessoas que fazem sacrifícios para ajudar outras pessoas causam uma grande impressão em mim", disse Kosei.


Fontes: The Asahi Shimbun / Wikipédia.


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quarta-feira, 10 de março de 2021

Rigidez nas roupas íntimas dos alunos.

Estudantes de Nagasaki têm que obedecer regras específicas no uso de roupas íntimas dentro da escola.


Nagasaki - As escolas japonesas têm a reputação de serem particularmente exigentes com a aparência dos alunos. Um dos exemplos mais claros é a exigência no uso de roupas íntimas brancas pelos alunos.

Estudantes de Nagasaki têm que obedecer regras específicas no uso de roupas íntimas dentro da escola.
Regras para as roupas íntimas dos estudantes japoneses. Foto: Pakusato.

Este não é um regulamento que todas as escolas do Japão têm. Mesmo entre os japoneses, há quem pense que a regra está indo longe demais. Para verificar as regras das escolas da província, o Conselho de Educação da Prefeitura de Nagasaki conduziu um estudo entre escolas de ensino ginasial e de ensino médio. Através do estudo, descobriu-se que é muito comum as escolas da província de Nagasaki exigirem que os alunos vistam roupas íntimas na cor branca.

De 238 instituições educacionais examinadas, 138 escolas (58%) têm roupas íntimas brancas listadas como parte obrigatória do código de vestimenta. No entanto, o conselho acredita que esses números podem cair num futuro próximo. Se as escolas continuarem mantendo tais políticas, elas podem ser alvo de reclamações por violar os direitos dos alunos. 

Recentemente, um tribunal distrital confirmou que as escolas têm autoridade de proibir os alunos de tingir os cabelos. O propósito desta regra é manter a disciplina dos alunos na escola. Mas pode-se presumir que as instituições educacionais não precisam se preocupar em ditar regras na escolha da cor da roupa íntima dos estudantes. O único porém é em relação ao sutiã das meninas. Esta peça é ostensivamente especificado para que a cor seja branca, evitando que ela apareça através da blusa do uniforme.

Entretanto, o texto específico do código de vestimenta escolar não diz que "a roupa íntima não deve ser visível", mas diz que "a roupa íntima deve ser branca". Com a exigência da cor branca, é necessário a verificação de conformidade, independente da roupa íntima do aluno ser visível ou não através do uniforme. Em algumas escolas, a inspeção é feita por um professor que periodicamente puxa as alças do sutiã das alunas para verificar a cor. Uma aluna de uma escola ginasial de Nagasaki, reportou  que uma professora entrava na sala para verificar as peças íntimas enquanto as meninas trocavam de roupa para as aulas de educação física. No Japão, os estudantes trocam de roupa para a educação física em salas de aula, porque a maioria das escolas não possuem vestiários.

A regra focada na escolha da cor da peça, em vez da visibilidade da peça ou falta dela por baixo do uniforme, está concedendo a autoridade do indivíduo em olhar as roupas íntimas dos estudantes. Isso pode gerar constrangimentos aos alunos, uma vez que professores, funcionários de escola ou até mesmo colegas de classe ficam sabendo o tipo de sutiã e de calcinha  que as garotas estão vestindo em um determinado dia. 

O Conselho de Educação está preocupada com essa situação. No início do mês de março, um aviso foi enviado às escolas para que revisassem não só os seus códigos de vestimentas, mas as suas políticas de conduta com os alunos. É necessário reconsiderar como essas regras rígidas impactam na vida dos estudantes e nos seus valores sociais emergentes.

"As escolas que têm regras para o uso de roupas íntimas brancas, geralmente as aprovam há muito tempo. À medida que as crenças sobre os direitos individuais mudam, é preciso que as escolas reavaliam suas políticas", admite um porta-voz  do Departamento de Educação de Nagasaki.

O edital do Conselho de Educação também pede que as revisões necessárias sejam feitas após discussões e pesquisas com alunos e pais, levando em consideração suas opiniões sobre o assunto.


Fonte: Japan Today. 

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