sábado, 2 de outubro de 2021

Princesa estressada quer casar.

Anunciado para este mês o casamento da princesa Mako do Japão.


Tóquio - A agência da Casa Imperial do Japão anunciou nesta sexta-feira, 1 de outubro, o casamento da princesa Mako com o seu namorado Kei Komuro para o dia 26 de outubro.

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Anunciado para este mês o casamento da princesa Mako do Japão.
Princesa Mako e o seu namorado Kei Komuro durante uma coletiva de imprensa em 2017. Foto: NHK.

O oficial encarregado pela família do príncipe herdeiro Akishino, Kachi Takaharu, revelou a data do casamento em uma coletiva de imprensa. "Gostaria de manifestar os meus sinceros votos de uma vida longa e feliz para a princesa Mako e desejar a prosperidade da família imperial", disse Takaharu.

A data escolhida para o casamento da princesa é considerada o dia mais feliz do calendário japonês. Takaharu disse que o futuro casal fará uma entrevista com a imprensa após o casamento no dia 26.

O namorado da princesa, Komuro, está atualmente isolamento em sua casa na cidade de Yokohama, província de Kanagawa. Como parte das regras de controle do coronavírus nos aeroportos do Japão, Komuro foi obrigado a fazer a quarentena obrigatória após retornar dos Estados Unidos na última segunda-feira, 27 de setembro.

Depois que o período da quarentena terminar em 11 de outubro, Komuro deve se encontrar com a princesa Mako pela primeira vez após uma separação forçada de três anos. Em agosto de 2018, Komuro foi estudar direito na universidade de Fordham, em Nova York. Desde então, ele não tinha retornado ao Japão ainda. Em maio deste ano, ele se formou em direito com o título de "Juris Doctor".

Espera-se que o futuro casal vá morar nos Estados Unidos após o casamento. Como os membros da família imperial japonesa não têm passaportes, a princesa Mako precisará primeiro registrar o seu matrimônio com Komuro, tornando-se uma cidadã comum. Só depois disso, ela dará entrada no seu passaporte e no visto americano.

Na coletiva de imprensa, a agência da Casa Imperial divulgou que não haverá cerimônias tradicionais de casamento para a princesa Mako e Komuro. Também foi divulgado que a princesa Mako renunciou o seu dote de casamento, na qual os membros femininos da família imperial têm o direito a receber quando se casam com um plebeu. A princesa recusou o seu dote devido às duras críticas feitas a ela e à família do seu namorado, após um escândalo envolvendo uma dívida da mãe de Komuro vir à tona na grande mídia.

A agência da Casa Imperial acrescentou ainda que a princesa Mako foi diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático complexo (PTSD), após ser repetidamente criticada nos meios de comunicação desde que foi revelada a sua intenção de casar com Komuro.


Fontes: NHK News / The Mainichi.



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sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Voltar a estudar na terceira idade.

Japonês supera o analfabetismo e aprende a escrever uma carta de amor.


Nara - Passar uma boa parte da vida sem saber ler e nem escrever no Japão. Se para um estrangeiro já é difícil, imagina essa situação para um japonês que vive no seu próprio país.

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Japonês supera o analfabetismo e aprende a escrever uma carta de amor.
Tamotsu Nishihata (esquerda) e sua esposa Kyoko (direita). A história do casal virou tema de rakugo no Japão. Foto: Tamotsu Nishihata.

Isso foi o que aconteceu com um homem que passou a maior parte da sua vida incapaz de ler e escrever nenhuma palavra da língua japonesa. Tamotsu Nishihata, 85 anos, morador da cidade de Nara, abandonou a escola quando era criança. Sofrendo bullying dentro da escola, ele desistiu de estudar ainda na segunda série do primário. Quando tinha 12 anos ele começou a trabalhar, ajudando a sua família no comércio de carvão.

Já na idade adulta, Nishihata foi trabalhar em um restaurante. Seu maior medo nesse trabalho era atender o telefone do estabelecimento. Como não sabia escrever, ele não anotava os pedidos dos clientes que telefonavam no restaurante, deixando toda a equipe do local de trabalho com muita raiva dele. "Alguns funcionários do restaurante me ajudavam, escrevendo os pedidos dos clientes para mim. Mas, nem sempre todos os colegas me ajudavam. Comecei a ficar infeliz com o trabalho e acabei pedindo demissão do restaurante", disse ele.
 
Por causa do seu analfabetismo, Nishihata frequentemente mudava de emprego. Só depois dos 30 anos que ele conseguiu um emprego permanente num restaurante de sushi. O novo local de trabalho o simpatizava e entendia os seus desafios.

Quando tinha 35 anos, Nishihata conheceu a sua esposa, Kyoko. Ele se apaixonou por ela à primeira vista durante um encontro de "omiai" (encontro arranjado entre um homem e uma mulher para fins matrimoniais).

Mesmo depois de casado, Nishihata tentou manter o seu analfabetismo em segredo. Um exemplo: durante a viagem de lua de mel do casal, na hora de fazer o check-in em um hotel, Nishihata disfarçou a sua incapacidade de escrever e foi ao banheiro, deixando a sua esposa sozinha na recepção preenchendo os formulários da reserva do quarto.

A verdade veio à tona seis meses depois do casamento. Nishihata achava que Kyoko iria pedir o divórcio por ele ser analfabeto. Entretanto, a esposa simplesmente disse o seguinte a ele: "Deve ser muito difícil para você viver dessa forma. Vou te ajudar".

A reação positiva da esposa foi tão inesperada que Nishihata começou a chorar de alegria. Desde então, Kyoko o acompanhava para resolver assuntos complicados em repartições públicas, bancos e hospitais. Ela também escrevia documentos para ele quando necessário.

"Não conseguiria imaginar a minha vida sem ela. Kyoko era uma ótima esposa", disse Nishihata.

Em 2000, quando Nishihata estava com 64 anos, ele decidiu se aposentar do seu emprego no restaurante de sushi. No mesmo ano, ele se matriculou na escola ginasial de Kasuga para ter aulas noturnas de alfabetização. As aulas eram cinco dias por semana, para estudar japonês desde o básico. Assim que iniciou a leitura dos artigos de jornais, Nishihata começou a sentir a alegria de aprender.

Quando tinha 71 anos, Nishihata decidiu escrever uma carta de amor para Kyoko. Com a ajuda de um dicionário, ele escreveu uma carta de sete páginas onde demonstrava toda a sua gratidão pela esposa maravilhosa que era. 

No dia de Natal de 2007, Nishihata entregou o "seu presente" para Kyoko. No início da carta, estava escrito o seguinte: "Estou aqui por causa do seu apoio". Com lágrimas nos olhos, Kyoko disse: "Você fez um ótimo trabalho".

Infelizmente, Kyoko veio a falecer em 2014. Mesmo com a morte da esposa, Nishihata continuou a frequentar as aulas noturnas e se formou na escola durante a primavera do ano passado. Atualmente, ele adora escrever e trabalhar com ensaios poéticos.

Shofukutei Teppei, um famoso contador de Rakugo (um monólogo humorístico muito tradicional na cultura japonesa), soube da história de Nishihata e ficou muito comovido com o vínculo profundo de vida entre o casal. Teppei conheceu pessoalmente Nishihata e transformou a história dele, de amor e superação, numa obra de não ficção de rakugo.

"Nem nos meus sonhos mais loucos imaginei que a minha vida se tornaria um tema de rakugo. Espero que a minha história contada no rakugo ajude o público a entender as dificuldades daqueles que não sabem ler ou escrever e escondem isso por vários motivos", disse Nishihata.

Teppei irá apresentar a história de Nishihata, em forma de rakugo, no teatro Mokubatei de Tóquio, no dia 21 de outubro. No dia 7 de novembro, a apresentação de Teppei será no Asahi Seimei Hall em Osaka. Nishihata disse que está planejando ver a peça sobre a sua vida.


Fonte: The Asahi Shimbun.



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