quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Aumento das restrições no Japão.

No combate ao coronavírus, mais treze províncias japonesas entrarão em estado de quase-emergência.


Tóquio - Na quarta-feira, 19 de janeiro, um painel formado por especialistas do governo do Japão aprovou a expansão do estado de quase-emergência para mais 13 províncias japonesas, incluindo Tóquio. Devido ao grande aumento de casos de COVID-19 no país, o novo plano de restrições entrará em vigor a partir desta sexta-feira, 21 de janeiro, e está programado para terminar no dia 13 de fevereiro.

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No combate ao coronavírus, mais treze províncias japonesas entrarão em estado de quase-emergência.
Expansão do estado de quase-emergência para mais 13 províncias japonesas (em amarelo), a partir desta sexta feira, 21 de janeiro. Foto: NHK.

O ministro responsável pelas medidas no combate ao coronavírus, Daishiro Yamagiwa, participou de uma reunião na manhã desta quarta-feira, onde as províncias, com muitos casos de infecções, pediram que a declaração de novas medidas de controle fossem implementadas pelo governo. Segundo a reportagem, os governadores das províncias têm o poder de reforçar as medidas anti-infecções sob a declaração do governo central.

As 13 províncias que entrarão no estado de quase-emergência são: Tóquio, Saitama, Chiba, Kanagawa, Gunma, Niigata, Aichi, Gifu, Mie, Kagawa, Nagasaki, Kumamoto e Miyazaki.

Yamagiwa informou que as infecções estão aumentando rapidamente nas províncias citadas na lista. Ele acrescentou que a situação de infecção em cada uma das áreas, subiu para o nível 2, em uma escala de 0 a 4. A escala analisa as infecções em termos de pressão sobre os serviços médicos, no caso de aumento de pacientes. O ministro alertou que a situação precisa ser abordada adequadamente o mais breve possível, senão os sistemas locais de saúde poderão ficar sobrecarregados em um futuro próximo. Medidas para evitar a propagação de novas infecções precisam ser tomadas agora.

Na reunião, Yamagiwa também citou o programa que usa registros de vacinação da COVID-19 e provas de resultados negativos de testes para o vírus. Os dois casos citados pelo ministro acabam relaxando as restrições sociais no país. Ele informou ao painel que o governo planeja suspender o programa nas províncias em princípio, enquanto permite que cada governador decida o contrário. Isso ocorre porque existe a preocupação de que pessoas totalmente vacinadas ainda possam ser infectadas pelo coronavírus.

Depois que o painel aprovou o plano de restrições para as províncias, o governo o relatou à dieta para uma sessão de perguntas e respostas. Yamagiwa disse à dieta que é importante tomar medidas antivírus agora enquanto mantém as atividades sociais e econômicas funcionando no país. Segundo o ministro, o governo continuará permanecendo em alerta enquanto trabalha rapidamente para resolver as situações, em cooperação com governos locais e especialistas no assunto.

A partir desta sexta-feira, a expansão do estado de quase-emergência irá cobrir um total de 16 províncias do Japão. As medidas já estão em vigor nas províncias de Okinawa, Yamaguchi e Hiroshima, com o término da restrições programado para 31 de janeiro destas 3 regiões.


Fonte: NHK News.


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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Violência em local de trabalho.

Estagiário vietnamita denuncia abusos físicos que sofreu durante 2 anos numa empresa japonesa.


Okayama - Na segunda-feira, 17 de janeiro, um estagiário técnico do Vietnã denunciou o seu ex-empregador de violência física em uma coletiva de imprensa na cidade de Okayama, província de mesmo nome. Segundo o vietnamita, ele foi submetido a vários tipos de abusos físicos durante os dois anos em que trabalhou em uma construtora da cidade.

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Estagiário vietnamita denuncia abusos físicos que sofreu durante 2 anos numa empresa japonesa.
Vítima de abusos no trabalho: o estagiário técnico do Vietnã (ao centro de jaqueta preta) durante uma entrevista coletiva em Okayama. Foto: The Asahi Shimbun.

A denúncia foi abordada por um sindicato sediado em Fukuyama, na província de Hiroshima. Representantes do sindicato estiveram em Okayama para conversar com a vítima. O Fukuyama Union Tampopo (o sindicato) denunciou os maus-tratos sofridos pelo trabalhador vietnamita à Organização para Treinamento Técnico Interno. A organização é um órgão com sede em Tóquio que supervisiona os programas de treinamento para trabalhadores estrangeiros no Japão.

Segundo o sindicato, o vietnamita, de 41 anos, chegou ao Japão em outubro de 2019. Logo em seguida, ele começou a trabalhar na construção civil em Okayama, ajudando a erguer andaimes em canteiros de obras.

Com cerca de três meses de trabalho na construtora, o vietnamita começou a sofrer abusos físicos vindos de três colegas japoneses. Em certas ocasiões, o estagiário levou várias cutucadas violentas nas costas com uma vassoura e um objeto em forma de bastão, informou o sindicato.

O vietnamita também foi chutado com muita violência pelos japoneses. Com três costelas quebradas, o estagiário foi atacado pelos trabalhadores da construtora com calçados de proteção de ferro, machucando o lado esquerdo do tórax da vítima.

Quando o vietnamita relatou o incidente ao empregador, ele foi aconselhado pela empresa a fingir que havia caído da escada.

Em junho de 2021, a vítima entrou em contato com a Associação Cooperativa Técnica Industrial de Okayama para ajudá-lo a acabar com as agressões no local de trabalho. A violência parou temporariamente, mas rapidamente o estagiário voltou a sofrer abusos físicos pelos mesmos empregados.

Um colega vietnamita da vítima o aconselhou a consultar um sindicato. Em outubro de 2021, a vítima entrou em contato com o sindicato e, rapidamente, foi levada para um abrigo seguro pelos funcionários da entidade.

Desde então, o sindicato vem mantendo contato com a empresa e a associação cooperativa em nome do vietnamita que sofreu abusos. A vítima quer um pedido formal de desculpas da construtora e uma indenização pelas humilhações sofridas por ele durante os dois anos de trabalho.

No entanto, a construtora sustenta que não houve violência contra o seu ex-empregado e que as lesões sofridas por ele foram devido a um acidente, relatou o sindicato.

A empresa de construção civil e a associação cooperativa se recusaram a comentar sobre o assunto quando foram contatadas pelo jornal The Asahi Shimbun.

"Eu pensava que o Japão era um país seguro e gentil", disse o vietnamita durante a entrevista coletiva, incapaz de conter as lágrimas.

"Suportei a violência por tanto tempo porque eu ficava pensando em minha esposa e filha que deixei no Vietnã", disse a vítima dos abusos que não teve a identidade revelada pela imprensa.

Segundo o vietnamita, ele ainda está pagando cerca de 1 milhão de ienes (US$ 8.710), devido a uma dívida contraída por uma assessoria que o ajudou arranjar um emprego legalizado no Japão. O homem ainda tem a intenção de continuar no país trabalhando, mas começando tudo de novo numa empresa melhor.

O programa de estágio técnico , patrocinado pelo governo japonês, foi introduzido no país em 1993. O objetivo do programa é transferir habilidades e conhecimentos adquiridos pelos estagiários no arquipélago japonês, para o aperfeiçoamento da mão de obra dos países em desenvolvimento. O programa de estágios tem sido alvo de críticas constantes no Japão. Muitas empresas usam o programa como uma cobertura na importação de mão de obra barata vinda de outros países asiáticos.


Fontes: The Asahi Shimbun / Japan Today.


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