quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Violência em local de trabalho.

Estagiário vietnamita denuncia abusos físicos que sofreu durante 2 anos numa empresa japonesa.


Okayama - Na segunda-feira, 17 de janeiro, um estagiário técnico do Vietnã denunciou o seu ex-empregador de violência física em uma coletiva de imprensa na cidade de Okayama, província de mesmo nome. Segundo o vietnamita, ele foi submetido a vários tipos de abusos físicos durante os dois anos em que trabalhou em uma construtora da cidade.

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Estagiário vietnamita denuncia abusos físicos que sofreu durante 2 anos numa empresa japonesa.
Vítima de abusos no trabalho: o estagiário técnico do Vietnã (ao centro de jaqueta preta) durante uma entrevista coletiva em Okayama. Foto: The Asahi Shimbun.

A denúncia foi abordada por um sindicato sediado em Fukuyama, na província de Hiroshima. Representantes do sindicato estiveram em Okayama para conversar com a vítima. O Fukuyama Union Tampopo (o sindicato) denunciou os maus-tratos sofridos pelo trabalhador vietnamita à Organização para Treinamento Técnico Interno. A organização é um órgão com sede em Tóquio que supervisiona os programas de treinamento para trabalhadores estrangeiros no Japão.

Segundo o sindicato, o vietnamita, de 41 anos, chegou ao Japão em outubro de 2019. Logo em seguida, ele começou a trabalhar na construção civil em Okayama, ajudando a erguer andaimes em canteiros de obras.

Com cerca de três meses de trabalho na construtora, o vietnamita começou a sofrer abusos físicos vindos de três colegas japoneses. Em certas ocasiões, o estagiário levou várias cutucadas violentas nas costas com uma vassoura e um objeto em forma de bastão, informou o sindicato.

O vietnamita também foi chutado com muita violência pelos japoneses. Com três costelas quebradas, o estagiário foi atacado pelos trabalhadores da construtora com calçados de proteção de ferro, machucando o lado esquerdo do tórax da vítima.

Quando o vietnamita relatou o incidente ao empregador, ele foi aconselhado pela empresa a fingir que havia caído da escada.

Em junho de 2021, a vítima entrou em contato com a Associação Cooperativa Técnica Industrial de Okayama para ajudá-lo a acabar com as agressões no local de trabalho. A violência parou temporariamente, mas rapidamente o estagiário voltou a sofrer abusos físicos pelos mesmos empregados.

Um colega vietnamita da vítima o aconselhou a consultar um sindicato. Em outubro de 2021, a vítima entrou em contato com o sindicato e, rapidamente, foi levada para um abrigo seguro pelos funcionários da entidade.

Desde então, o sindicato vem mantendo contato com a empresa e a associação cooperativa em nome do vietnamita que sofreu abusos. A vítima quer um pedido formal de desculpas da construtora e uma indenização pelas humilhações sofridas por ele durante os dois anos de trabalho.

No entanto, a construtora sustenta que não houve violência contra o seu ex-empregado e que as lesões sofridas por ele foram devido a um acidente, relatou o sindicato.

A empresa de construção civil e a associação cooperativa se recusaram a comentar sobre o assunto quando foram contatadas pelo jornal The Asahi Shimbun.

"Eu pensava que o Japão era um país seguro e gentil", disse o vietnamita durante a entrevista coletiva, incapaz de conter as lágrimas.

"Suportei a violência por tanto tempo porque eu ficava pensando em minha esposa e filha que deixei no Vietnã", disse a vítima dos abusos que não teve a identidade revelada pela imprensa.

Segundo o vietnamita, ele ainda está pagando cerca de 1 milhão de ienes (US$ 8.710), devido a uma dívida contraída por uma assessoria que o ajudou arranjar um emprego legalizado no Japão. O homem ainda tem a intenção de continuar no país trabalhando, mas começando tudo de novo numa empresa melhor.

O programa de estágio técnico , patrocinado pelo governo japonês, foi introduzido no país em 1993. O objetivo do programa é transferir habilidades e conhecimentos adquiridos pelos estagiários no arquipélago japonês, para o aperfeiçoamento da mão de obra dos países em desenvolvimento. O programa de estágios tem sido alvo de críticas constantes no Japão. Muitas empresas usam o programa como uma cobertura na importação de mão de obra barata vinda de outros países asiáticos.


Fontes: The Asahi Shimbun / Japan Today.


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