segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Vítimas de Hiroshima em quadrinhos.

História em quadrinhos, feita no Brasil, relata o drama dos sobreviventes da bomba atômica.


São Paulo - Após o fim da segunda guerra mundial, alguns dos sobreviventes da bomba atômica de Hiroshima decidiram tentar uma nova vida no Brasil. Mais de 75 anos depois da explosão da bomba e vivendo em terras brasileiras, os depoimentos e as experiências dos "Hibakusha" (termo japonês que significa aqueles que foram afetados por bombas) foram transformados em história em quadrinhos. O responsável pelo projeto foi um professor brasileiro da Universidade de Sorocaba, engajado em escrever um livro sobre o assunto.

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História em quadrinhos, feita no Brasil, relata o drama dos sobreviventes da bomba atômica.
Takashi Morita (direita), sobrevivente da explosão da bomba atômica de Hiroshima, encontra-se com o professor de jornalismo Guilherme Profeta (esquerda) em São Paulo (Brasil), no dia 16 de novembro de 2018. Foto: Guilherme Profeta.

Entitulado como "Projeto Hibakusha", o livro de 157 páginas foi escrito, ilustrado e desenhado só por brasileiros. O autor, Guilherme Profeta, professor de jornalismo da Universidade de Sorocaba, engajou-se no projeto na esperança de utilizar a obra como material de aprendizagem. Segundo o autor, é uma forma de transmitir as memórias dos sobreviventes da bomba atômica para as gerações mais jovem.

Em uma parte da história em quadrinhos, o professor Guilherme entrevista Takashi Morita (97 anos) e Junko Watanabe (79 anos), ambos sobreviventes da bomba atômica de Hiroshima e que vivem no Brasil.

De acordo com o relato de Morita, no dia da explosão da bomba atômica, ele tinha 21 anos e estava de plantão como policial militar em uma rua, localizada a uma distância de 1,5 km do centro da cidade de Hiroshima. Com o fim da segunda guerra mundial, ele emigrou do Japão para o Brasil, em fevereiro de 1956. 

No Brasil, Morita trouxe a família consigo, conseguindo criar os dois filhos, nascidos em Hiroshima, no novo país. Em 1984, ele fundou a Associação das Vítimas da Bomba Atômica no Brasil, desempenhando um papel central no apoio aos sobreviventes da bomba de Hiroshima que residem em terras brasileiras.

A outra sobrevivente da bomba atômica, Junko Watanabe, descobriu, aos 38 anos de idade, que foi exposta à chuva negra radioativa de Hiroshima quando era criança, após uma conversa séria com os seus pais.  Na entrevista com o professor Guilherme, ela se esforçou para falar abertamente sobre suas experiências, sentindo a necessidade de expressar os seus pensamentos como uma "Hibakusha".

Depois de entrevistar os dois japoneses Hibakushas, o professor brasileiro viajou para o Japão, com o intuito de conhecer a cidade de Hiroshima. Pelo o que viu por lá, Guilherme teve a necessidade de retratar o "Ceifador" em sua obra, para expressar a imagem de morte que o professor sentiu em sua visita a Hiroshima. Em uma cena da história em quadrinhos, o Ceifador é ilustrado dizendo o seguinte no dia 6 de agosto de 1945 (dia da explosão da bomba atômica): "Hoje será um dia muito agitado".

Através da sua versão sobre a explosão da bomba de Hiroshima, o professor Guilherme espera que as pessoas sejam estimuladas a conhecer a historia das vítimas. Compreendendo o assunto, as pessoas estarão conscientes de como evitar uma nova guerra nuclear. Elas também pensarão em suas próprias formas de recontar a história de Hiroshima, garantindo que mais pessoas fiquem sabendo sobre os terrores da guerra.

Colaboradora do projeto, Priscila Nakajima, designer gráfica e nipo-brasileira de quarta geração, disse que quando participou da produção dos quadrinhos, ela percebeu com emoção que havia pessoas ao seu redor que vivenciaram o bombardeio atômico de Hiroshima. Priscila disse: "Não podemos apagar o que aconteceu no passado. Entretanto, podemos continuar recontando essa história para que não aconteça novamente no futuro".

Em março de 2020, um total em dinheiro de R$ 13.365 (cerca de US$ 2.600) foi arrecadado pelo autor, por meio de um financiamento coletivo, para a publicação da obra, só no Brasil. A história em quadrinhos sobre Hiroshima foi publicado em 600 exemplares e lançado para a venda em julho de 2020.

Um exemplar do "Projeto Hibakusha" está guardado na biblioteca da Universidade de Sorocaba. Aparentemente, a obra de Guilherme já foi usada durante as aulas de jornalismo da universidade. Uma outra cópia da obra foi doada ao Museu Memorial da Paz de Hiroshima, podendo ser vista no primeiro andar do subsolo da biblioteca da instituição japonesa. Guilherme expressa esperanças de uma versão em japonês de sua história em quadrinhos.

No final de 2021, havia apenas 72 hibakushas ainda vivos e vivendo no Brasil. No passado, o número de sobreviventes da bomba de Hiroshima que viviam no Brasil chegou a ter cerca de 240 hibakushas. A Associação das Vítimas da Bomba Atômica no Brasil (fundada por Morita) cresceu e tornou-se uma organização certificada pelo governo brasileiro, formando a Associação da Paz dos Sobreviventes da Bomba Atômica no Brasil. No entanto, as atividades da "APSBAB" se cessaram no final de 2020. Atualmente, Takashi Morita e outros hibakushas, baseados no Brasil, continuam dando palestras e apresentando esquetes, em pequenos grupos pelo território brasileiro.

Em março de 2021, de acordo com o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, havia cerca de 2.800 sobreviventes de bombas atômicas que viviam fora do Japão (todos registrados como sobreviventes de bombas atômicas pelo governo japonês). Em 2015, o número era, aproximadamente, 3.400 sobreviventes registrados ainda vivos, segundo uma pesquisa da época.


Fonte: The Mainichi. 


Imagem das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - Domingo, dia 20.

Imagem das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - Domingo, dia 20.
Final da cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022: fogos de artifício iluminam o céu sobre o Estádio Nacional de Pequim, em 20 de fevereiro. A próxima Olimpíadas de Inverno será em 2026, nas cidades de Milano e Cortina d'Ampezzo, na Itália. Até breve! Foto: Kyodo News.


Quadro parcial de medalhas das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - 20 de fevereiro de 2022. Fonte: Olympics.com


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domingo, 20 de fevereiro de 2022

Gestantes em perigo.

Hospital luta com o aumento de grávidas infectadas com COVID-19.


Tóquio - Desde o início do ano, um hospital na capital do Japão informou um aumento acentuado de mulheres grávidas infectadas com o coronavírus, em seu quadro de pacientes.

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Hospital luta com o aumento de grávidas infectadas com COVID-19.
Hospital de Tóquio enfrenta um aumento de grávidas infectadas com coronavírus no início deste ano. Foto: NHK News.

A Associação Japonesa de Obstetras e Ginecologistas anunciaram recentemente que os números, preliminares de casos em Tóquio, é de 1.141 grávidas infectadas com COVID-19 em janeiro.

No ano passado, o hospital Ebara, localizado na região de Ota, em Tóquio, registrou a internação de 47 gestantes infectadas com coronavírus. Entretanto, de janeiro até o dia 18 de fevereiro deste ano, o mesmo hospital relatou 36 casos de gestantes com COVID-19. Um aumento de casos muito grande num curto espaço de tempo.

Apresentando apenas sintomas leves ou inexistentes, as gestantes infectadas pelo vírus precisam de atenção especial pela equipe hospitalar de Ebara. Dependendo das condições de cada mulher, há a possibilidade da gestante doente entrar em trabalho de parto a qualquer momento. O hospital está planejando a realização de cesarianas nas gestantes, para reduzir riscos mais sérios de saúde.

No quadro de funcionários do hospital Ebara, há obstetras e ginecologistas em tempo integral, além de médicos trabalhando em meio período. Entre tantos casos de infecção pelo atual vírus, a instituição de saúde continua tratando mulheres grávidas e outros pacientes que não estão infectados com a COVID-19. Mas, o hospital informa que agora existe limite no número de pacientes ambulatoriais e cirurgias não emergenciais foram adiadas.

Shin Ikebukuro, médico do hospital Ebara, disse para a reportagem que a instituição deveria internar seis pacientes grávidas na última quinta-feira, 17 de fevereiro. No entanto, o hospital só pode aceitar a internação de três gestantes, para que as suas instalações de saúde mantenham um alto padrão de segurança contra infecções.

O doutor Ikebukuro expressou preocupação de que a situação possa se tornar mais séria, pois as infecções por COVID-19 ainda não diminuíram no Japão.


Fonte: NHK News.


Imagem das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - Sábado, dia 19.

Imagem das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - Sábado, dia 19.
Neste sábado, os chineses Sui Wenjing e Han Cong conquistaram a medalha de ouro na patinação artística de pares nas Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022. A dupla conseguiu desbancar os fortes patinadores em pares do Comitê Olímpico Russo, que ficaram com a 2ª e a 3ª colocação. Parabéns! Foto: Getty Images.


Quadro parcial de medalhas das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022 - 19 de fevereiro de 2022. Fonte: Olympics.com



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