quarta-feira, 23 de março de 2022

Arquitetura da solidariedade.

Arquiteto japonês cria espaços privados, em abrigos, para os refugiados ucranianos.


Varsóvia - Shigeru Ban, um renomado arquiteto japonês de nível internacional, está usando a sua genialidade para ajudar os ucranianos que estão refugiados na Polônia. Ele é o criador de uma divisória, feita de papelão e tecido, que cria ambientes privativos em abrigos improvisados.

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Arquiteto japonês cria espaços privados, em abrigos, para os refugiados ucranianos.
Refugiada ucraniana, junto com o seu bebê, são vistos em frente da divisória "Paper Partition System", no centro de evacuação da cidade de Chelm, Polônia. Foto: Rede de Arquiteturas Voluntárias.

"Quero criar espaços onde os refugiados possam ter uma melhor privacidade em ambientes coletivos", afirmou Ban.

Esta não é a primeira vez que o arquiteto ajuda refugiados de guerra. Em 1994, Ban usou tubos de papelão reforçados para criar abrigos para os refugiados do conflito étnico em Ruanda. Mais tarde, ele desenvolveu um novo sistema de divisória de papelão (Paper Partition System) e forneceu a ideia para as áreas afetadas por desastres naturais. O novo sistema foi muito utilizado pelos desabrigados de Tohoku, vítimas do Grande Terremoto do Leste do Japão em 2011.

O sistema usado na Polônia consiste em longos canos de papelão reforçado (usados como pilares e vigas) e cortinas de pano, criando um espaço privativo em locais públicos para uma pessoa ou família descansar. 

Em 2019, Shigeru Ban recebeu o Prêmio Yomiuri de Cooperação Internacional, por suas realizações em causas sociais.

No início deste mês (março de 2022), Ban entrou em contato com um colega arquiteto na Polônia e viajou para o país no dia 11 de março. Chegando lá, ele visitou a cidade de Chelm (25 km de distância da fronteira com a Ucrânia) e instalou dentro de um antigo supermercado, 319 unidades do Paper Partition System. No novo abrigo, as divisórias de Ban ajudaram a acomodar melhor alguns dos refugiados vindos da Ucrânia.

O arquiteto também forneceu 60 unidades das divisórias para um centro de evacuação, na estação ferroviária de Wroclaw (cidade de mesmo nome), no leste da Polônia. Nesse local, um fato que chamou a atenção de Ban: uma mulher refugiada começou a chorar sozinha dentro de uma divisória privativa. Pelo visto, ela esteve segurando as suas emoções o tempo todo em que esteve com outras pessoas por perto.

"Aparentemente, a mulher conseguiu liberar um pouco da tensão enquanto estava sozinha na divisória", disse Ban.

Cerca de 900 unidades do Paper Partition System foram enviados para abrigos na Ucrânia. A partir desta quinta-feira, 24 de março, outras unidades serão instaladas em um centro de evacuação em Paris (França), destinados aos refugiados de guerra.

Varsóvia, outras quatro cidades e mais a Eslovênia também solicitaram ao arquiteto Ban o fornecimento das unidades do Paper Partition System, para ajudar na organização de abrigos. 

Nikkey ON!: Parabéns Ban! As divisórias têm ajudado muitas pessoas que perderam tudo nessa guerra. Um pouco de privacidade acaba sendo um bem precioso, neste momento difícil na vida de um refugiado.


Fonte: The Japan News.


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terça-feira, 22 de março de 2022

Quero voltar para minha casa.

Guerra obriga japonês a abandonar sua vida e sua propriedade na Ucrânia.


Narita - Para escapar da invasão militar russa, o japonês Hidekatsu Furikata (78 anos) foi obrigado a deixar de lado todas as suas coisas na Ucrânia e fugir para o Japão, reencontrando com seus familiares japoneses. Fazia décadas que o ancião japonês vivia em território ucraniano.

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Guerra obriga japonês a abandonar sua vida e sua propriedade na Ucrânia.
Encontro emocionado entre Hidekatsu Furikata (direita) e o seu irmão mais velho no aeroporto de Narita, em 19 de março. Foto: Yomiuri Shimbun.

A maior parte de sua vida, Furikata viveu fora do Japão. Após o seu nascimento na província de Nagano em 1943, ele e toda sua família se mudaram para a ilha de Sacalina (ou Sakhalin), no extremo norte de Hokkaido. No passado, Sacalina era uma área sob o domínio japonês. Mas em agosto de 1945, a região foi invadida pela antiga União Soviética e tornou-se um território soviético. A invasão ocorreu um mês antes da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial.

Com a soberania soviética na ilha, muitos japoneses que viviam em Sacalina foram repatriados ao Japão. Entretanto, o pai de Furikata não teve permissão para sair, sendo obrigado a continuar trabalhando e vivendo com a família na ilha, agora regida pelas leis da União Soviética.

Quando tornou-se "um jovem adulto soviético", Furikata estudou e formou-se na universidade de Leningrado (atual São Petersburgo), na década de 60. No ano de 1971, ele casou-se com uma polonesa e juntos se mudaram para a Ucrânia (país ainda sob o domínio da União Soviética).

Decididos a morar perto da região onde a esposa de Furikata nasceu, o jovem casal escolheu a cidade de Zhytomyr, região oeste da Ucrânia. Os anos se passaram, a família cresceu e, até o início deste mês (março de 2022), Furikata ainda permanecia morando na mesma cidade. No entanto, agora ele vivia sozinho em sua casa desde que sua esposa faleceu, cerca de três anos atrás. 

No dia 5 de março, o município de Zhytomyr começou a ser invadida pelo exército russo. Sentindo que estava em perigo iminente, Furikata abandonou a sua casa e seguiu numa viagem de três dias até a Polônia. Durante a perigosa viagem até a fronteira entre os dois países, o ancião japonês esteve sempre junto com uma parte de sua família ucraniana: a esposa de seu neto (Inna - 27 anos), sua bisneta (Sophia - 2 anos) e sua neta (Vladyslava - 18 anos).

Antes de entrar na Polônia, Furikata precisou de um novo passaporte japonês. No meio da confusão da guerra e sem como pedir um novo passaporte em um consulado japonês na Ucrânia, ele teve a sorte de conseguir um documento autorizando a sua viagem internacional pela Associação Japão-Sacalina. Essa entidade é responsável pelos japoneses que ainda continuaram vivendo na ilha de Sacalina, após o domínio soviético. Através desse documento, ele finalmente conseguiria viajar até o Japão pela Polônia.

No último sábado, 19 de março, Furikata chegou ao aeroporto internacional de Narita, num voo vindo de Varsóvia, capital da Polônia. No aeroporto, ele foi recebido pelo seu irmão mais velho (Nobukatsu Furikata - 80 anos) e sua irmã mais nova (Reiko Hatakeyama - 70 anos). No saguão de desembarque, um encontro com muitos abraços e lágrimas nos olhos entre os irmãos, depois de anos sem se verem.

Após os cumprimentos, Hidekatsu Furitaka agradeceu àqueles que prestaram toda assistência para sua viagem acontecer. No final, ele se expressou em russo dizendo o seguinte: "A Ucrânia é minha casa. Quando a guerra acabar, quero voltar para lá". 


Fonte: The Japan News.


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