domingo, 30 de outubro de 2022

O lado sombrio da Copa do Mundo.

Antes do início da Copa 2022, milhares de trabalhadores estão sendo despejados da capital do Catar.


Doha - O Catar é um pequeno país peninsular árabe, onde a maioria de sua população é composta por trabalhadores braçais de outros países. Com o início da Copa do Mundo do Catar, previsto para o fim de novembro, autoridades do país decidiram desalojar milhares de trabalhadores estrangeiros de suas moradias, no centro da capital Doha. E aí começa a maior polêmica do país anfitrião.

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Antes do início da Copa 2022, milhares de trabalhadores estão sendo despejados da capital do Catar.
Trabalhadores estrangeiros, vindos do Paquistão e Bangladesh, em frente às obras do estádio Lusail, no Catar. Foto: Tiago Leme.

As residências, desocupadas pelos trabalhadores, serão usadas para hospedar os turistas, que estarão visitando o país para o famoso campeonato mundial de futebol. 

Os desalojados disseram que mais de uma dúzia de prédios foram evacuadas e fechadas pelas autoridades. Muitos desses estrangeiros, compostos principalmente por asiáticos e africanos, foram forçados a procurar um novo abrigo. Os que não conseguiram arranjar outro lugar, acabaram dormindo na rua, próximo do prédio onde moravam.

A medida, usada pelas autoridades de Doha, ocorreu menos de quatro semanas antes do início do Mundial da Copa do Mundo, marcado para 20 de novembro. Isso atraiu uma grande indignação internacional, sobre o tratamento desumano do Catar aos trabalhadores estrangeiros e suas leis sociais restritivas.

No distrito de Al Mansoura, em Doha, autoridades comunicaram os moradores de um prédio, por volta das 20h da quarta-feira, que eles teriam apenas duas horas para desocupar os apartamentos com seus pertences. Segundo os moradores, o prédio abrigava cerca de 1.200 pessoas.

Depois de duas horas do comunicado, os agentes voltaram ao prédio. Os trabalhadores estrangeiros que ainda estavam nos apartamentos, foram forçados a sair, com tudo aquilo que eles puderam levar. Após a desocupação, as portas do prédio foram trancadas pelos agentes. Aqueles que não conseguiram chegar a tempo para retirar seus pertences nos apartamentos desocupados, ficaram na rua só com a roupa do corpo.

"Não temos para onde ir", disse um homem à reportagem da Reuters, no dia seguinte da desocupação do prédio. Esse homem e outros dez trabalhadores se preparavam para passar a segunda noite na rua, no calor e na umidade do outono do país. Todos eles se recusaram a falar seus nomes ou dar detalhes pessoais para o repórter, com medo de represálias das autoridades ou dos empregadores.

Perto dali, cinco homens estavam carregando um colchão e uma pequena geladeira, na carroceria de uma caminhonete. Eles disseram à reportagem que encontraram um quarto em Sumaysimah, cerca de 40 km ao norte de Doha.

Um trabalhador estrangeiro disse que os despejos visavam homens solteiros, enquanto trabalhadores com famílias não foram afetados.

Um funcionário do governo do Catar informou que as remoções, de trabalhadores estrangeiros, não estão relacionadas à Copa do Mundo. "Tudo foi preparado com os planos abrangentes do município, e de longo prazo, para reorganizar as áreas de Doha", disse ele.

"Desde então, todos foram realojados em acomodações seguras e apropriadas", informou o funcionário. Ele também acrescentou que os pedidos de desocupação teriam sido conduzidos com o devido aviso prévio".

A Federação Internacional de Futebol (FIFA) não respondeu as perguntas da Reuters sobre o caso. Já para os organizadores da Copa do Mundo do Catar, eles encaminharam as mensagens da reportagem para o escritório do governo do país.

Cerca de 85% da população, dos 3 milhões de habitantes do Catar, é composta por trabalhadores estrangeiros. Muitos dos despejados trabalham como motoristas, diaristas ou com contratos de empresas. Nesse caso, eles são responsáveis por suas próprias acomodações. No caso dos trabalhadores de obras, de grandes empresas de construção civil, eles vivem em acampamentos que abrigam dezenas de milhares de pessoas.

Segundo as autoridades municipais, os despejos de trabalhadores estrangeiros estão de acordo com uma lei do Catar, de 2010, que proíbe a formação de acampamento de trabalhadores em áreas residenciais destinadas para famílias. 

"Os despejos se tornam possíveis, mantendo a fachada luxuosa e rica do Catar, sem reconhecer publicamente a mão de obra barata do país", disse Vani Saraswathi, diretora de projetos da Migrant-Rights.org, uma organização que faz campanha para trabalhadores estrangeiros no Oriente Médio.

"Isso é guetização deliberada, na melhor das hipóteses. Mas despejos, sem aviso prévio, são desumanos e fora da compreensão social", disse Saraswathi.

O motorista Mohammed, originário de Bangladesh, disse que morava no mesmo bairro há 14 anos até quarta-feira, quando foi despejado. O município lhe intimou que ele tinha 48 horas para deixar o prédio, onde morava com outras dezenas de pessoas.

Inconformado, Mohammed disse que os trabalhadores estrangeiros construíram toda a infraestrutura para o Catar sediar a Copa do Mundo. Agora, eles estão sendo deixados de lado, a medida que o campeonato se aproxima.

"Quem fez os estádios? Quem fez as estradas? Quem fez tudo? Foram os bengalis, os paquistaneses... Pessoas como nós. Agora, as autoridades estão nos obrigando a sair", disse Mohammed.


Fonte: Reuters.


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sábado, 29 de outubro de 2022

Halloween 2022 em Shibuya.

Autoridades locais ficam em alerta máximo, com o retorno das multidões para o Halloween de Shibuya.


Tóquio - O distrito de Shibuya, em Tóquio, está se preparando para o retorno dos foliões do Halloween, previsto para este último fim de semana de outubro. Com a remoção das restrições da COVID-19 e o retorno dos turistas estrangeiros no Japão, espera-se uma grande concentração de pessoas, durante as noites de sábado e domingo, na badalada região de Shibuya.

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Autoridades locais ficam em alerta máximo, com o retorno das multidões para o Halloween de Shibuya.
Placas afixadas próximas da estação de Shibuya, em Tóquio. Os informativos pedem que as pessoas tenham cuidado com seus modos e atitudes, durante a temporada de Halloween no distrito. Foto: Kyodo News.

Autoridades locais estão em alerta máximo para um possível retorno do vandalismo e de pessoas embriagadas, problemas que foram vistos nos anos anteriores. Ao redor da estação JR Shibuya, houve a instalação de placas explicativas, orientando os foliões sobre a proibição do consumo de bebidas alcoólicas e o respeito das regras, para a segurança de todos durante os festejos de Halloween no distrito.

"Sem dúvida, haverá um aumento de pessoas este ano. Os jovens, entediados com a rotina, vão se soltar durante o Halloween", disse Yoshiyuki Ono (81 anos), diretor de uma associação de lojistas de Shibuya.

Embora o governo local e a associação de lojistas tenham pedido boas maneiras aos foliões nos últimos anos de Halloween, os casos de roubo e violência continuaram em Shibuya. Em 2019, várias pessoas foram presas por certos crimes, como roubo e molestamento.

"Tais pedidos de bom comportamento, durante o Halloween, têm pouco efeito na prática", disse Ono.

Entretanto, para alguns empresários locais, como Hideyuki Fukuda (42 anos), o aumento de pessoas durante o Halloween de Shibuya é até tolerável.

"Eu tenho muitos clientes regulares, então os meus negócios serão normais para mim no Halloween. Todo ano fica barulhento lá fora, mas acho que está tudo bem porque aqui é Shibuya", disse Fukuda, dono de um izakaya (bar japonês) no distrito.

Por outro lado, uma estudante universitária (21 anos) disse que estava hesitante em sair de casa, durante as noites de Halloween em Shibuya. Receosa, ela citou o incidente que ocorreu no Halloween do ano passado, quando um homem, fantasiado de Coringa e com uma faca, atacou alguns passageiros dentro de um trem em Tóquio, ferindo 17 pessoas.

"Estou com medo porque não sei o que vai acontecer este ano. Prefiro passar meu tempo, tranquilamente, em minha casa", disse ela.

Com a popularização do Halloween em Shibuya, casos de vandalismo aumentaram nos últimos anos. Em 2018, um grupo de pessoas foi preso por tombar um pequeno caminhão na rua do distrito de Shibuya, na noite de Halloween. No ano seguinte, autoridades locais promulgaram uma lei proibindo o consumo de bebidas alcoólicas, em certas áreas, durante qualquer evento em Shibuya.

De acordo com dados da prefeitura local, Shibuya recebeu mais de 40.000 visitantes, na noite de Halloween de 2019. Em 2020, cerca de 10.000 pessoas estiveram no Halloween do distrito e, em 2021, aproximadamente 17.000 pessoas marcaram presença no evento. Nos dois últimos anos, o coronavírus afugentou muitos foliões, mas este ano, pós-pandemia, está prometendo ter um grande número de pessoas na região.

O Departamento da Polícia Metropolitana de Tóquio ficará responsável pela a segurança do entorno da estação JR Shibuya. Será imposta medidas de controle de tráfego e multidão, com um grande número de agentes uniformizados para evitar qualquer atividade ilegal nas redondezas.

"O distrito de Shibuya não está oficializando um evento de Halloween", disse o prefeito local, Ken Hasebe, em uma entrevista na semana passada. No entanto, o prefeito acrescentou que era difícil dizer para as pessoas não virem a Shibuya, depois de dois anos de restrições para o controle da pandemia da COVID-19.

A polícia local está pedindo, para que as lojas próximas da estação de Shibuya, se abstenham na venda de bebidas alcoólicas entre sábado e segunda-feira (de 29 de outubro até 31 de outubro). Todos estão torcendo para que nenhuma confusão aconteça no meio das celebrações de Halloween no Japão.


Fonte: Kyodo News.


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