sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Trinta anos para esvaziar os tanques.

Deu início a liberação da água radioativa tratada no mar da região de Fukushima.


Tóquio - Na tarde desta quinta-feira, 24 de agosto, a Tokyo Electric Power Company (TEPCO) iniciou o polêmico processo de lançamento da água radioativa tratada no mar, problema causada pela usina nuclear de Fukushima Daiichi.

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Deu início a liberação da água radioativa tratada no mar da região de Fukushima.
Depois de muita polêmica, a TEPCO iniciou o processo de liberação da água radioativa no mar da região de Fukushima, em 24 de agosto. Foto: NHK News.

O governo japonês tem afirmado que o lançamento da água tratada, no Oceano Pacífico, é um passo necessário para desmantelar a central nuclear de Fukushima. Já faz mais de 12 anos que um devastador terremoto, seguido por um tsunami, danificaram seriamente a usina nuclear, eclodindo, desde então, um grave problema de radioatividade no local do incidente.

Antes da divulgação da liberação da água pelo governo, a TEPCO já tinha informado  que estava preparada para seguir em frente com o plano. A operadora da usina confirmou que a diluição de água tratada, com água comum, havia sido realizada conforme o planejado para a primeira etapa da liberação no mar.

De acordo com a TEPCO, ela analisou a concentração de trítio (um isótopo radioativo de hidrogênio) em becquerel, para cada litro de água radioativa tratada e diluída em água comum. Nas amostras coletadas, descobriu-se que a água diluída continha entre 43 e 63 becquerels por litro. Esse resultado está muito abaixo dos padrões seguras de liberação ambiental do Japão, que corresponde a 60 mil becquerels por litro.

Desde 2011, a água usada para resfriar o combustível derretido, da usina nuclear Fukushima Daiichi, está se misturando com a chuva e as águas subterrâneas do local. Com isso, o volume da água radioativa só vem se acumulando nos enormes tanques externos da central, criando problemas de espaço para a enorme quantidade de água radioativa estocada. 

Para o descarte no oceano, a água diluída da usina é bombada para uma tubulação que fica sob o fundo do mar. A liberação da água é feita a 1 km da costa litorânea da província de Fukushima. A primeira etapa do processo levará cerca de 17 dias para ser concluída. Nesse espaço de tempo, será lançado cerca de 7,8 mil toneladas de água tratada no Oceano Pacífico. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o plano da TEPCO segue corretamente as diretrizes seguras da entidade, com níveis de trítios (por litro d'água) bem abaixo do recomendado.

O processo completo, de  liberação da água tratada no oceano, deverá levar pelo menos 30 anos. Membros da indústria e comércio, que vivem próximos da usina nuclear, expressaram preocupações sobre um futuro impacto negativo em seus negócios. Entretanto, o governo japonês está prometendo trabalhar duro, para evitar qualquer dano aos moradores que vivem na costa de Fukushima. 
 

Fonte: NHK News.


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quinta-feira, 24 de agosto de 2023

A logística do onigiri.

Para enfrentar problemas de entrega, rede de lojas de conveniência do Japão recorre a bolinhos de arroz congelados.


Tóquio - A rede Lawson do Japão anunciou na terça-feira, 22 de agosto, que começou a vender versões congeladas de bolinhos de arroz (onigiri, em japonês) em suas lojas de conveniência. A novidade é por tempo limitado, com o intuito de testar o grau de aceitação dos clientes. Pergunta: por que está ocorrendo essa mudança?

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Para enfrentar problemas de entrega, rede de lojas de conveniência do Japão recorre a bolinhos de arroz congelados.
Bolinhos de arroz congelados em uma das lojas da rede Lawson do Japão. Por enquanto, sua venda é experimental mas a empresa pretende expandir seu comércio em 2025. Foto: Lawson Inc.

Segundo a empresa, ela pretende diminuir o número de entregas de "onigiri" em suas lojas, devido a falta de mão-de-obra (relacionada com logística do Japão) e ao desperdício de alimentos (redução de alimentos com prazos de validade vencidos e não vendidos nas lojas). Em caráter experimental, os bolinhos de arroz congelados estão disponíveis em 21 lojas Lawson de Tóquio, e também nas lojas da província de Fukushima, até 20 de novembro deste ano.

Mas qual é o problema da logística no Japão? A partir de abril de 2024, os serviços de entrega do país passarão a ter regulamentações mais rígidas sobre o limite de horas extras. Atualmente, os caminhoneiros japoneses vão além do limite tolerável de horas trabalhadas por dia, devido a falta de profissionais na área e ao encarecimento do frete. Além disso, existe a preocupação de que a mão-de obra de entregas diminua ainda mais com o endurecimento da lei japonesa, pois as horas-extras complementam o salário dos profissionais.

No atual sistema de entregas para a rede Lawson, os bolinhos de arroz "em temperatura ambiente" são entregues três vezes ao dia em cada loja nas áreas urbanas. Com os bolinhos de arroz congelados, as entregas poderão ser feitas só uma vez por dia, ou até mesmo em dias intercalados. Uma redução no número de entregas bastante significativa para a empresa.

Okay, está entendido o problema da logística, mas como é o produto? Os bolinhos de arroz congelados da rede Lawson vêm em seis variedades: recheio de salmão grelhado; arroz com feijão vermelho (sekihan); arroz com "gomoku" e frango; arroz com "gomoku" sem frango; e arroz misturado com algas "wakame". Como os bolinhos são congelados, o prazo de validade é maior do que os não congelados, evitando assim os desperdícios de alimentos em suas lojas.

Os preços de cada bolinho congelado variam entre 138 ienes e 268 ienes (cerca de US$ 0,95 e US$ 1,80), incluindo impostos. O produto congelado pode ser aquecido no forno de microondas da loja Lawson, a 1.500 watts por 35 a 45 segundos. Nas lojas onde os congelados estão sendo vendidos, os bolinhos de arroz normais também continuam sendo vendidos normalmente.

Com base nos resultados de venda da fase experimental, a rede Lawson está considerando expandir a venda de bolinhos de arroz congelados para suas lojas em todo o país, já no ano fiscal de 2025.


Fonte: The Mainichi.


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