sábado, 8 de maio de 2021

Tecnologia obrigatória na escola.

Nova política de educação em Kyoto força os estudantes do ensino médio a comprar tablets.


Kyoto - A partir do ano letivo de 2022, o conselho de educação da província de Kyoto exigirá que os estudantes que ingressarem no ensino médio comprem tablets usando as suas próprias economias. Como o ensino médio não faz parte da educação pública obrigatória do Japão, sendo cobrado uma mensalidade para todos os alunos secundaristas, muitas famílias expressaram frustração com o aumento das despesas com educação dos filhos.

Nova política de educação em Kyoto força os estudantes do ensino médio a comprar tablets.
Novas exigências no ensino do Japão fazem com que famílias tenham uma despesa maior com a educação dos filhos. Foto: Sora News 24.

"Estamos inconformados com a situação. Quem tem dinheiro para isso depois do impacto econômico causado pelo coronavírus?", observou um pai de aluno ao jornal Kyoto Shimbun. 

Uma mãe de aluno comentou o seguinte: "O salário mensal do meu marido é de cerca de 300.000 ienes (US$ 2.760) e o meu emprego de meio período me paga outros 50.000 ienes mensais (US$ 460)". 

Um outro pai detalhou o seguinte: "Temos dois filhos e estamos pagando para eles um cursinho com aulas de reforço. Essa nova despesa adicional está causando um grande estresse em mim. O simples fato dos meus filhos entrarem no ensino médio já custou para mim aproximadamente 200.000 ienes a 300.000 ienes (US$ 1.840 a US$ 2.760) apenas com uniformes, livros, bolsas e passes de transporte. Por que os meus filhos não podem usar tablets que já temos em casa ou escolher outros tablets que não custam mais do que 20.000 ienes (US$ 184)?"

Em março, uma reunião de um comitê entre pais de alunos expressou preocupações com as novas medidas de ensino, destacando o seguinte: famílias pobres que não possuem uma rede Wi-Fi em suas residências e o aumento da disparidade econômica/social entre os alunos das escolas.

Na verdade, existe uma diretiva nacional em andamento para que cada aluno do ensino médio de cada província japonesa seja equipado com um dispositivo eletrônico (tablet). Ao contrário dos alunos do ensino fundamental 1 e 2, não há provisão orçamentária nacional para tais dispositivos eletrônicos (no caso os tablets) destinados aos alunos do ensino médio. Portanto, cabe a cada província usar recursos públicos disponíveis para aquisição dos aparelhos ou a despesa recairá nas mãos das famílias dos alunos. De acordo com uma pesquisa distribuída em janeiro e fevereiro pelo Ministério da Educação, Esportes, Ciências e Tecnologia do Japão (MEXT), 12 províncias indicaram planos para pagar pelos tablets com fundos públicos, enquanto 15 províncias vão exigir que as famílias paguem pelos gadgets por conta própria.

No ano letivo de 2021, cinco escolas do segundo grau da província de Kyoto já implementaram a exigência de tablets no ensino, como parte da primeira leva de escolas. Com uma lista do material eletrônico padronizado e estrito, as famílias deveriam comprar especificamente para os seus filhos um iPad geração 8, trazendo uma despesa total para cada estudante matriculado (dispositivo + acessórios + taxas + garantia + manutenção) de 68.090 ienes (US$ 627).

Seguindo um caminho mais justo, o conselho de educação da província de Hiroshima também promulgou a exigência do uso dos tablets para todas as escolas secundárias neste ano letivo. Só que, com disposições claras de opções gratuitas para famílias de baixa renda. A província de Hiroshima orçou um apoio financeiro para inscrições de 2.700 famílias de alunos.

 Já o conselho de educação do governo metropolitano de Tóquio, começará a exigir os tablets para alunos do ensino médio da metrópole a partir do ano letivo de 2022. Nesse caso, as famílias terão que bancar a compra do aparelho, mas o conselho de educação apresentará uma lista de modelos de tablets onde deixará que cada escola escolha o seu gadget.

Até agora, o conselho de educação da província de Kyoto respondeu às preocupações generalizadas declarando que eles estão atualmente desenvolvendo o seu próprio sistema para famílias de baixa renda alugarem tablets ou pagarem por eles usando empréstimos sem juros. A justificativa do conselho de educação para exigir que os alunos tenham seus próprios tablets é que agora há mais oportunidades para os jovens do ensino médio estudarem em casa usando a tecnologia. Alguns exemplos: os estudantes podem acumular as suas notas de estudo em um único dispositivo durante os três anos de curso e continuar a acessá-los depois da graduação. Aplicativos gratuitos podem substituir compras separadas (por exemplo, usando um software de idiomas gratuito para download em vez de comprar um dicionário eletrônico separado). 

Esperançosamente, a província de Kyoto pode chegar a soluções equitativas para esses problemas potenciais em um futuro próximo, sem adotar uma abordagem única de como foi feito inicialmente, irritando várias famílias dos estudantes do ensino médio.


Fontes: Sora News 24 / Kyoto Shimbun.


www.nikkeyon.blogspot.com

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