Grupo de médicos alerta que as Olimpíadas de Tóquio podem causar uma crise de saúde.
Tóquio - Durante uma entrevista coletiva nesta quinta-feira, 27 de maio, o chefe do sindicato de médicos do Japão, o doutor Naoto Ueyama, alertou as autoridades japonesas para o cancelamento das Olimpíadas de Tóquio . Presente no Clube de Correspondentes Estrangeiros do Japão, ele afirmou que organizar os jogos seria "extremamente perigoso", já que o país enfrenta uma quarta onda de infecções por coronavírus.
O médico Naoto Ueyama fez um alerta sobre os riscos da disseminação do coronavírus nas Olimpíadas de Tóquio. Foto: AP Photo / Eugene Hoshiko.
Com uma quantidade de quase 100.000 pessoas (entre atletas, funcionários e oficiais para as Olimpíadas e Paraolimpíadas), Ueyama fez um alerta: "Todos os diferentes tipos de cepas mutantes do COVID-19, de várias partes do mundo, estarão concentrados e recolhidos aqui em Tóquio".
Ueyama acrescenta: "Não podemos negar a possibilidade de até mesmo uma cepa completamente nova do vírus surgir e se espalhar pelo mundo a partir da realização dos jogos na capital japonesa".
O sindicato que Ueyama lidera é um dos muitos pequenos grupos representados por médicos no Japão. A sua oposição ferrenha reflete a visão geral do público japonês em relação às Olimpíadas.
A insistência dos organizadores dos Jogos Olímpicos em seguir em frente, apesar da pandemia, alimentou o sentimento negativo sobre o evento. Tóquio e algumas outras áreas do país estão em estado de emergência desde o final de abril, devido a um aumento de contágios causado pela disseminação de variantes do coronavírus.
Um comentário do vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), John Coates, durante uma coletiva de imprensa feita online na semana passada, causou uma polêmica entre o público das mídias sociais. Ele disse que os jogos serão abertos em 23 de julho, mesmo que Tóquio esteja em estado de emergência contra a COVID-19. Para muitas pessoas no Japão, um absurdo.
Descrevendo o sistema de saúde na província de Osaka em um "estado de colapso", Ueyama explicou que os recursos médicos são escassos em todo o Japão, deixando médicos e enfermeiras exaustos com a rotina dos hospitais.
Dado que o Japão está muito atrás de outros países desenvolvidos no que se refere às vacinações do coronavírus e dos testes de reação em cadeia da polimerase, Ueyama finaliza dizendo que sediar as Olimpíadas seria uma "grande irresponsabilidade em relação aos atletas".
Fonte: Kyodo News.
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