Maquinista vai ao banheiro e deixa o colega sem licença conduzir o trem-bala em alta velocidade.
Nagoya - A empresa Central Japan Railway Co. (JR Central) fez um comunicado ao público na última quinta-feira, 20 de maio, se desculpando do ato irresponsável de um dos seus maquinistas que se ausentou do comando do trem-bala (shinkansen) para ir ao banheiro, durante uma viagem a 150 km/h.
Maquinista se ausentou do comando do trem-bala para ir ao banheiro. Outro condutor ficou no seu lugar, mas não tinha licença para isso. Foto: Wikipédia.
O maquinista de 36 anos saiu da cabine de comando do trem-bala Hikari nº 633. Ele se ausentou por cerca de três minutos e pediu a um colega de trabalho ficar no seu lugar durante a sua ida ao banheiro. O problema dessa história é que o condutor substituto não tem licença para conduzir um trem-bala. O fato aconteceu no último domingo, 16 de maio, por volta das 8h15 da manhã, com a composição do trem-bala viajando entre as estações de Atami e Mishima, na província de Shizuoka. O maquinista colocou em risco os 160 passageiros a bordo no momento da sua ausência.
De acordo com a empresa que opera a linha Tokaido Shinkansen (entre Tóquio e Shin-Osaka), é a primeira vez que um maquinista da sua linha deixa a cabine enquanto viajava com passageiros a bordo. Um caso semelhante aconteceu em 2001, mas, nesse outro incidente, o maquinista estava comandando uma composição do trem-bala sem passageiros, ou seja, fora de serviço.
A JR Central relatou o incidente ao Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão, dizendo que o incidente, mesmo sem vítimas, era uma violação da portaria ministerial.
Após o relato do incidente, Masahiro Hayatsu, um alto funcionário da JR Central, disse em uma coletiva de imprensa: "Foi um ato de extrema irresponsabilidade. Pedimos desculpas".
A empresa JR Central estuda tomar medidas punitivas contra o maquinista e o outro funcionário que conduziu o trem-bala sem autorização.
Um funcionário do Ministério dos Transportes do Japão disse o seguinte: "É lamentável que as regras do governo não tenham sido totalmente observadas. A segurança é prioridade, pois o trem-bala transporta vidas humanas".
Todos os trens-balas japoneses possuem um modo de segurança de condução. No caso de ausência de comando do maquinista, a composição é capaz de reduzir a velocidade gradualmente. Em caso de emergências, como um terremoto, o trem-bala reduz a velocidade com segurança até parar por completo.
A linha Tokaido Shinkansen é a mais movimentada rota do trem-bala no Japão. Os trens-balas dessa linha são capazes de viajar a uma velocidade máxima de até 285 km/h, de acordo com o site oficial da JR Central.
Segundo as informações da empresa sobre o incidente, o maquinista se ausentou da cabine de comando porque estava sentindo dores abdominais, ou seja, dor de barriga. O outro condutor ficou simplesmente vigiando a cabine sem manusear nenhum comando do trem-bala até o retorno do maquinista, que ficou ausente durante 3 minutos aproximadamente.
De acordo com as regras da JR Central, se um maquinista tiver algum problema de saúde durante a condução de um trem-bala, ele deve entrar em contato com o centro de operações e entregar o comando a um outro condutor licenciado. No caso de não haver um outro condutor licenciado dentro do vagão, o maquinista com problemas será obrigado a parar o trem-bala na estação mais próxima.
O caso veio à tona depois que a empresa percebeu um atraso na rota, com o trem-bala com destino a Shin-Osaka passando atrasado, cerca de um minuto de diferença, pela estação Mishima. Na audiência sobre o ocorrido, o maquinista disse inicialmente à JR Central que não se lembrava do que aconteceu devido à dor abdominal. No entanto, uma imagem gravada pelo circuito interno de câmeras do vagão, confirmou a sua ausência de minutos durante a viagem.
"Não queria parar o trem-bala na estação mais próxima para evitar um possível atraso na linha", disse o maquinista.
O sistema ferroviário japonês, incluído os trens-balas, é conhecido por suas operações pontuais. Qualquer atraso, até mesmo de alguns minutos, pode se tornar um grande problema para os operadores que comandam toda a malha ferroviária da JR.
Fonte: Kyodo News.
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