domingo, 6 de junho de 2021

Pedir dinheiro emprestado a um estranho.

Armadilhas dos empréstimos oferecidos nas redes sociais do Japão aumentaram durante a pandemia.


Saitama - Devido à crise provocada pela pandemia do coronavírus, as autoridades do Japão vêm alertando as pessoas para um novo esquema de empréstimo pessoal oferecido por meio das redes sociais e em avisos na internet do país.

Armadilhas dos empréstimos oferecidos nas redes sociais do Japão aumentaram durante a pandemia.
Esquema de empréstimos pessoais oferecidos por agiotas no Japão: violação da lei de negócios no país. Foto: Freepik.

De acordo com o Centro Nacional de Assuntos do Consumidor do Japão (NCAC), muitas pessoas se envolveram em esquema de empréstimos por causa das dificuldades financeiras causadas pelo desemprego e pela redução de horas trabalhadas durante a pandemia. O NCAC está pedindo cautela, avisando a população para que não faça empréstimos com estranhos.

Embora existe alguns casos onde as pessoas que oferecem empréstimos e afirmem ser pessoas físicas, há casos de agiotas agindo nos esquemas. 

Em 12 de maio, a polícia da prefeitura de Saitama deteve Mitsuhiro Kimura, 66 anos, um homem desempregado do distrito de Tsuzuki, Yokohama. Ele foi preso sob suspeita de violar o Money Lending Business Act, ao emprestar dinheiro para várias mulheres entre fevereiro e julho de 2020. A polícia entregou a Kimura um mandato de prisão em 1 de julho por suspeita de violar a lei de regulação da taxa de juros ao impor cobranças altíssimas as suas vítimas. O agiota admitiu as duas acusações.

De acordo com a polícia de Saitama, Kimura vem agindo desde fevereiro de 2020. Ele enviava mensagens na internet oferecendo empréstimos pessoais para mulheres que postavam comentários desesperadores, do tipo "por favor, me empreste dinheiro", nas redes sociais e em sites com avisos online. Ao todo, Kimura é suspeito de emprestar um total de 6 milhões de ienes (US$ 54.700) para mais de 30 mulheres, desde adolescentes até senhoras. O agiota supostamente fez com que as vítimas lhe enviassem fotos pelas redes sociais de seus documentos pessoais e de seus corpos nus. A polícia acredita que ele usou todas as fotos como garantia.

A polícia começou a investigar mais casos em outubro de 2020, quando uma mulher de 20 anos fez uma queixa policial dizendo: "Peguei dinheiro emprestado por meio de um site de mensagens online e agora não consigo pagar. Tenho sofrido cobranças persistentes para pagar o que devo".

Um aviso da polícia da província de Saitama: "Se você não devolver o dinheiro emprestado, poderá sofrer danos secundários como ameaças. Não peça dinheiro emprestado de agiotas".

Dando uma olhada na rede social Twitter, há várias postagens que oferecem empréstimos, com algumas afirmando: "Podemos ajudá-lo a arranjar crédito", ou "Empréstimos sem juros disponíveis apenas para mulheres". Mas emprestar dinheiro continuamente a um número não especificado de pessoas, pode ser considerado um negócio. E o não registro desse negócio ao governo nacional ou municipal do Japão viola a lei de negócios de empréstimo de dinheiro como atividades comerciais não licenciadas. Também foi confirmado que alguns credores ameaçavam as vítimas com a divulgação de suas fotos nuas pela internet se o dinheiro não fosse devolvido. Em alguns casos, as vítimas sofriam exploração sexual em troca de dinheiro emprestado.

De acordo com a NCAC, o número de consultas sobre empréstimos entre pessoas físicas tem aumentado em todo o país nos últimos anos. As vítimas que caem nesse tipo de agiotagem têm idade entre 20 e 40 anos. Acredita-se que as pessoas lesadas contraem esse tipo de empréstimos devido à conveniência da comunicação através das redes sociais e dos sites de mensagens online.

O NCAC está pedindo às pessoas que não usem empréstimos pessoais oferecido por estranhos e que elas consultem a linha direta do consumidor pelo número 188 (em japonês) se tiverem problemas.


Fonte: The Mainichi.


www.nikkeyon.blogspot.com

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