Romancista Salman Rushdie é gravemente esfaqueado no estado de Nova York.
Nova York - O escritor anglo-indiano Salman Rushdie ficou gravemente ferido na sexta-feira, 12 de agosto, quando foi atacado por um homem na cidade de Chautauqua, estado de Nova York.
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Salman Rushdie, escritor do polêmico "Versos Satânicos", sofreu uma tentativa de homicídio na cidade de Chautauqua, estado de Nova York. Foto: AP. |
Rushdie (75 anos) foi esfaqueado várias vezes, no pescoço e no abdômen, e perdeu muito sangue no palco de um auditório da Instituição Chautauqua. O ataque ocorreu minutos antes do escritor iniciar uma palestra sobre "Estados Unidos como um refúgio para escritores e outros artistas no exílio".
Ensanguentado, Rushdie foi levado às pressas para um hospital e passou por uma cirurgia. Seu agente, Andrew Wylie, disse que o romancista, depois da cirurgia, respirava através de um ventilador, sem poder falar. Ele também sofreu danos no fígado, cortes de alguns nervos do braço e, talvez, perda de um olho.
A polícia conseguiu deter o agressor, chamado Hadi Matar (24 anos), originário de Fairview, estado de Nova Jersey. O homem foi preso em flagrante, mas os motivos do ataque não foram esclarecidos ainda.
Salman Rushdie ganhou destaque no mundo literário em 1981, quando escreveu o romance "Midnight's Children" (Crianças da Meia-Noite, em tradução livre), vencendo o prêmio Booker Prize pela obra. Mas foi em 1988 que seu nome ficou mundialmente conhecido, após a publicação de sua obra polêmica, chamada "Versos Satânicos".
O livro "Versos Satânicos" foi proibido no Irã pelo falecido líder iraniano Aiatolá Ruhollad Khomeini. Naquela época, em 1989, o Aiatolá Khomeini considerou o livro um grande insulto ao Islã e emitiu uma fatwa, ou édito, decretando a morte do escritor Rushdie e de todos os envolvidos pela publicação da obra. Inclusive, a vida de Rushdie foi colocada a prêmio pelos extremistas, convocando qualquer muçulmano zeloso a matar o escritor, mesmo que precisasse sacrificar a própria vida para isso.
Desde o início das ameças de morte, Rushdie começou a viver fugindo e se escondendo sob um programa de proteção do governo britânico, com guardas armados que protegia o escritor durante 24 horas por dia. Após nove anos de reclusão, Rushdie cautelosamente retomou suas aparições públicas, mantendo sua crítica aberta ao extremismo religioso em geral.
Por causa da obra "Versos Satânicos", aproximadamente 45 pessoas, até hoje, já foram mortas em tumultos e em protestos pela publicação do livro. Em 1991, um tradutor japonês do livro foi esfaqueado até a morte no Japão. Um tradutor italiano também sofreu ataques de faca nessa mesma época e, por sorte, sobreviveu. Em 1993, uma editora norueguesa do livro conseguiu sobreviver a um ataque de arma de fogo, sendo baleada três vezes.
Em 2012, Rushdie afirmou, em uma palestra na cidade de Nova York, que o terrorismo é a arte do medo. "A única maneira de derrotá-lo, é não ter medo de enfrentá-lo", disse o escritor.
A tentativa de assassinato do escritor repercutiu a tranquila cidade de Chautauqua. Até as Nações Unidas emitiu uma nota expressando horror pelo incidente. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, enfatizou que a liberdade de opinião e expressão não deve ser enfrentada com violência.
Em uma vigília noturna na Instituição Chautauqua, após o incidente, algumas centenas de moradores e visitantes se reuniram no local para orações, músicas e um longo momento de silêncio. "O ódio não pode vencer", gritou um homem que participava da vigília.
Fontes: The Asahi Shimbun / Wikipédia.
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